Revista do Arquivo Público do Espírito Santo é lançada

Publicação terá periodicidade semestral

Foi lançada a primeira edição online da Revista do Arquivo Público do Estado do Espírito Santo. Fruto de uma parceria com a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), o periódico foi criado com a proposta de ser uma nova fonte de conhecimento e pesquisa sobre a história capixaba.

Composta por artigos acadêmicos, entrevistas, resenhas, reportagens, documentos e fotografias, a publicação terá periodicidade semestral. Em vídeo veiculado no canal do Arquivo Público do Estado do Espírito Santo (APEES), o diretor geral da instituição, Cilmar Franceschetto, e o professor do Departamento de História da Ufes Julio Bentivoglio falam sobre a criação e proposta da revista. Segundo eles, são poucos os arquivos públicos no Brasil que possuem suas próprias revistas. O periódico está aberto a colaborações, pois uma das missões do APEES é democratizar a informação. Confira!

Revista Vida Capichaba é homenageada

A Revista Vida Capichaba, publicação lançada na década de 1920, foi rememorada pelo site Estação Capixaba. Considerada um ícone da imprensa do Espírito Santo, a revista alcançou centenas de edições até meados de 1960. Saiba mais!

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Comissão de Bibliotecas Escolares do CRB-6 se reúne

Agenda para o segundo semestre foi debatida

Em 10 de julho, os membros da Comissão de Bibliotecas Escolares do Conselho Regional de Biblioteconomia 6ª Região (CRB-6) se reuniram para tratar de compromissos e eventos programados para o segundo semestre do ano. O encontro foi realizado na sede do Conselho.

Comissão de Bibliotecas Escolares do CRB-6 se reuniu para alinhar agenda em comemoração a Semana Nacional do Livro e da Biblioteca (Foto: Divulgação CRB-6)

A coordenadora da Comissão, a bibliotecária Sindier Antônia (CRB-6/1542), esteve presente. “Conversamos sobre as atividades que realizaremos em comemoração à Semana Nacional do Livro e da Biblioteca, que ocorrerá no período de 23 a 29 de outubro”, conta. Segundo ela, as ações serão realizadas no início do mês, para a participação do maior número possível de bibliotecários, sem prejudicar as atividades comemorativas de suas respectivas bibliotecas.

“Estão programadas para a ocasião uma palestra motivacional; atividades de contação de histórias no Parque Municipal de Belo Horizonte (MG); apresentação do curso de Biblioteconomia e da profissão para alunos de escolas de ensino médio públicas e privadas e palestras para os alunos do curso de Biblioteconomia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), ministradas pela professora Marília Paiva (CRB-6/2262) e pelo professor Eduardo Valadares (CRB-6/ES 615).”, enumera a bibliotecária. Mais informações, datas e horários serão divulgados em breve.

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Biblioteca pública de Lagoa Santa recebe prêmio da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil

A Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil – FNLIJ criou, em 1994, o Concurso FNLIJ – Os Melhores Programas de Incentivo à Leitura junto a Crianças e Jovens com o objetivo de valorizar o empenho de pessoas e entidades engajadas em iniciativas de promoção da leitura, divulgar suas ações, facilitar a troca de informação entre os que se dedicam a essa área, a fim de construir uma rede que fortaleça e enriqueça o trabalho de todos, bem como possibilitar o estudo e o aperfeiçoamento dessas ações.

(Foto: Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas Municipais de Minas Gerais)

(Foto: Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas Municipais de Minas Gerais)

Na edição de 2017, a Biblioteca Pública Municipal de Lagoa Santa ficou em 1º lugar na categoria “Os Melhores Programas de Incentivo à Leitura Junto a Crianças e Jovens de todo o Brasil”. A Entrega do prêmio foi realizada em 26 de junho, no 17º Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens, no Rio de Janeiro (RJ).

O projeto “O Essencial é invisível aos olhos: a literatura infantil para crianças com Deficiência Visual”, idealizado pelas bibliotecárias Paula Renata Mariano e Tatiana Soares Brandão, promove ações para favorecer o processo de inclusão e incentivo à leitura literária para crianças com qualquer grau de deficiência visual.

Fonte: Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas Municipais de Minas Gerais

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Memorial Minas Gerais Vale divulga programação cultural

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Concurso no DPE-RS tem cadastro de reserva para bibliotecário

Remuneração é de quase R$ 6 mil

A Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Sul (DPE-RS) divulgou edital que inclui cadastro de reserva para Analista em Biblioteconomia. O cargo oferece salário de R$ 5.947,15.

As inscrições vão até 11 de agosto e deverão ser realizadas exclusivamente pela internet, no site www.concursosfcc.com.br. A taxa é de R$ 182,41 e a data prevista para a realização da prova é 17 de setembro.

Exército Brasileiro

edital para a vaga em Biblioteconomia no Exército Brasileiro está disponível. A taxa de inscrição é de R$ 120 e as inscrições vão até 4 de agosto. Acesse!

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Sesc e CBL convidam para debate sobre a valorização da Língua Portuguesa

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Biblioteque-se: chamada de trabalhos para painéis e pôsteres

Estão abertas as inscrições para apresentação de painéis e pôsteres durante o 10º Seminário Biblioteca Viva. Envie relatos de experiências criativas e inovadoras realizadas na sua biblioteca, instituição, sala de leitura ou outros espaços onde a leitura é protagonista de ações na sua comunidade.

Os trabalhos podem abranger um ou mais temas como: A biblioteca e a comunidade; Ações para a Terceira Idade; Ações sustentáveis e consumo consciente; Acessibilidade, vulnerabilidade e inclusão; Biblioteca como espaço além da leitura; Bibliotecas no mundo digital; Interação entre biblioteca e escola; Jovens leitores e a biblioteca; Mediação cultural; Mediação de leitura; Sustentabilidade, parcerias e captação de recursos; Serviços e programas de extensão da biblioteca; Soluções para ambientes em bibliotecas e Voluntariado.

O prazo para apresentação dos trabalhos termina em 23 de julho e o resultado será divulgado até 28 de agosto de 2017. Para saber mais, acesse aqui.

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CRB-6 fiscaliza bibliotecas em Uberaba e Araxá

Autuações geram oportunidades de trabalho, segundo bibliotecários fiscais do Conselho

No final do mês de junho, os bibliotecários fiscais do Conselho Regional de Biblioteconomia 6ª Região (CRB-6), Lúcio Tannure (CRB-6/2266) e Orfila Mudado (CRB-6/756), visitaram os municípios de Araxá e Uberaba, em Minas Gerais, para fiscalizar bibliotecas públicas, escolares e de instituições privadas.

Em Araxá, cidade localizada no Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, foi realizada uma reunião com a secretária de educação, Gessy Glória Lemos. “O encontro foi positivo. Mostramos a ela porque é obrigatório e tão necessário ter profissionais nas instituições públicas”, conta Orfila. Todas as escolas particulares do município também foram visitadas e duas delas, autuadas.

Dezesseis visitas fiscalizatórias foram realizadas no município de Uberaba. Dentre as bibliotecas públicas, escolares e universitárias visitadas, seis não contavam com bibliotecários. “A fiscalização na cidade foi muito proveitosa. Priorizamos as visitas a escolas públicas, pois são instituições em que normalmente encontramos muitas irregularidades. Isso acontece devido à morosidade dos órgãos públicos, que dependem da criação do cargo de bibliotecário e da abertura de concurso público”, explica Lúcio. Ele acredita que a atuação do CRB-6 contribui para acelerar as contratações: “Em longo prazo, estas visitas resultarão na abertura de mais oportunidades de trabalho para os bibliotecários. ”

No final de julho, os bibliotecários fiscais irão visitar a região metropolitana de Vitória e municípios do interior do Espírito Santo.

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Método usa computadores para levantar literatura científica

Procedimento desenvolvido na USP em São Carlos não apenas permite rastrear os artigos mais relevantes de cada área como também mapear a organização dessas áreas, com suas comunidades e conexões (Visualização da rede de citações obtida em busca pelo termo 'complex network1 na base de dados Web of Science) (Foto Filipe N. Silva)

Procedimento desenvolvido na USP em São Carlos não apenas permite rastrear os artigos mais relevantes de cada área como também mapear a organização dessas áreas, com suas comunidades e conexões (Visualização da rede de citações obtida em busca pelo termo ‘complex network1 na base de dados Web of Science) (Foto Filipe N. Silva)

A busca de informação na internet por meio de palavras-chave é uma atividade trivial, integrada ao cotidiano de usuários do mundo todo. Mas selecionar em meio a milhares de referências aquelas que realmente possuem relevância científica é algo bem mais complicado.

Mais ainda saber como as informações relevantes estão organizadas, como se estrutura a grande área daquele campo de estudos, quais são suas subáreas, quais são as comunidades que nelas atuam ou que conexões as diferentes comunidades mantêm entre elas. Tudo isso é fundamental para quem precisa fazer um levantamento da literatura especializada em qualquer domínio da ciência.

Uma metodologia para fazer esse tipo de levantamento por meios computacionais acaba de ser estabelecida por um grupo de pesquisadores. Artigo a respeito foi publicado no Journal of Informetrics.

“Esse tipo de recurso computacional é cada vez mais necessário não só devido ao volume da literatura especializada como também por causa do aumento da interdisciplinaridade em ciência”, disse o autor principal do artigo, Filipi Nascimento Silva, à Agência FAPESP.

“Devido à interdisciplinaridade, para criar algo novo, o pesquisador de determinada área pode precisar conhecer os artigos de outras áreas com as quais talvez não esteja familiarizado. Por exemplo, um pesquisador em oncologia talvez necessite saber mais sobre a área de redes complexas. A partir de dados de revistas indexadas, que incluem os títulos das publicações científicas, seus resumos e suas citações, criamos um método para mapear as diferentes áreas”, disse o pesquisador do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo, onde desenvolve a pesquisa Abordagem de redes complexas em e-Science e dados dinâmicos”, com Bolsa de Pós-Doutorado da FAPESP.

“A metodologia permite visualizar a área, inteirar-se das palavras-chave mais importantes de cada subárea, conhecer as conexões entre as subáreas, e, finalmente, ter acesso aos artigos que realmente interessam”, disse Nascimento Silva.

Considerando que as publicações em revistas indexadas constituem bases de dados de alta relevância e que já existem sistemas de busca por meio de palavras-chave muito eficientes, o desafio que os autores do estudo se propuseram foi o de organizar todo o material que pode ser levantado.

“Procuramos dispor essas informações em uma estrutura hierárquica em forma de árvore. Para isso, combinamos dois procedimentos distintos. O primeiro foi determinar, em cada conjunto de artigos, os artigos mais relevantes. O segundo foi rotular as diferentes comunidades que compõem as diversas áreas”, explicou o coordenador do estudo, Osvaldo Novais de Oliveira Júnior, professor do Instituto de Física de São Carlos.

A determinação dos artigos mais relevantes foi feita por meio de redes de citações. Nestas, cada artigo é tratado como um nó da rede. E cada citação de um artigo por outro é considerada uma conexão.

Artigos muitocitados tornam-se nós com muitas conexões e grupos de nós muito conectados entre eles, mas não conectados a nós de outros grupos, definem comunidades, como subconjuntos mais específicos do conjunto geral. Isso tudo foi feito com técnicas usualmente empregadas na ciência das redes.

Para rotular as diferentes comunidades – o segundo procedimento – foi utilizada tecnologia de análise de texto. A partir do título e do resumo de cada artigo, e descartando-se palavras que têm alta frequência em qualquer tipo de texto (como as conjugações dos verbos ser e haver, artigos, preposições e substantivos que aparecem com igual frequência nas mais diversas áreas), foram levantados os tópicos mais importantes de cada artigo. Com isso, estabeleceram-se os rótulos.

“Juntando os dois tipos de informação, temos um mapa de cada área, com suas diferentes comunidades e conexões, seus artigos mais importantes e influentes, e assim por diante”, disse Novais, que também é membro da Coordenação de Área de Física da FAPESP.

Comunidades pouco conectadas

Para testar o modelo, os pesquisadores escolheram duas áreas para as quais havia especialistas na equipe, de modo que estes pudessem avaliar subjetivamente se o resultado obtido fazia sentido. Foram escolhidas as áreas de redes complexas e cristais fotônicos.

“Ao testar nossa metodologia nessas áreas, descobrimos fortuitamente coisas bastante interessantes. Por exemplo, na área de cristais fotônicos, identificamos duas comunidades muito bem constituídas: uma comunidade de engenheiros, voltados para telecomunicações, e outra comunidade maior, de físicos e químicos, que desenvolvem os conceitos e fabricam os materiais”, contou Novais.

“Constatamos que essas comunidades são muito pouco conectadas entre si. O que significa que conhecimento existente e disponível na área pode não estar sendo utilizado por pesquisadores da própria área, pelo fato de uma comunidade quase não saber o que se passa na outra. Foi uma descoberta acidental, mas que evidenciou a importância de se dispor de um método computacional para levantar a literatura especializada”, disse.

O professor conta que os scripts dos programas empregados pelos pesquisadores já estão disponíveis para quem os solicitar, mas, para poder utilizá-los, o usuário precisa ter conhecimento das linguagens da computação.

O próximo passo é transformar esses scripts em um software com interface acessível para não especialistas em computação. “Por enquanto, os programas são utilizáveis apenas por especialistas. Mas queremos, no futuro, torná-los mais acessíveis e disponibilizá-los para a comunidade. Esperamos que pesquisadores de quaisquer áreas possam fazer levantamentos da literatura utilizando nossa metodologia”, disse Novais.

Uma animação computacional que possibilita visualizar a rede pode ser vista em: www.youtube.com/watch?v=5shcaMJ-gJI.

O artigo Using network science and text analytics to produce surveys in a scientific topic (doi:10.1016/j.joi.2016.03.008), de Filipi Nascimento Silva, Osvaldo Novais de Oliveira Júnior e outros, pode ser lido em www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1751157715301966 e http://arxiv.org/pdf/1506.05690v2.pdf.

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Joselia Aguiar: “Minha preocupação foi mapear a literatura que está fora dos radares”

Curadora da Flip montou a programação mais diversificada de todas as edições da festa

Josélia Aguiar, curadora da Flip (Foto Divulgação)

Josélia Aguiar, curadora da Flip (Foto Divulgação)

Em 2016, logo após assumir a curadoria da Festa Literária de Paraty, a Flip, a jornalista cultural e historiadora Joselia Aguiar conversou com o EL PAÍS. Sua ideia, já clara, era fazer com que um dos principais eventos de literatura do país tivesse mais diversidade em sua programação: com mais presença feminina e de autores negros. Dez meses depois e a menos de duas semanas do evento, a intenção virou realidade. A Flip deste ano é a mais diversa da história do evento, buscando autores que estão fora do radar do grande mercado editorial. Na entrevista abaixo, Joselia conta sobre o processo de curadoria e o que descobriu ao longo dele, além de comentar destaques da programação e refletir sobre o que espera do evento.

Pergunta. A última edição da Flip, em 2016, sofreu críticas de parte do movimento negro pela ausência de diversidade nas mesas. Desta vez, a programação é a mais diversa vista até agora, com grande presença feminina e de autores e autoras negros. Foi uma resposta a uma demanda?

Resposta. Não no sentido de que eu, como curadora, cumpri uma demanda que não era minha. Eu tenho um percurso e as escolhas que fizemos para este ano são condizentes com ele. Nasci em Salvador, estudei a fotografia da Bahia negra do etnofotógrafo Pierre Verger, recentemente finalizei uma biografia do Jorge Amado. Assim, as opções da programação não são apenas uma mera formalidade ou o cumprimento de uma tarefa da “marca” Flip. Ao mesmo tempo, a força que eu tive para fazer essas mudanças no programa veio, principalmente, da internet, onde dois movimentos ativistas fortes [feminista e negro] começaram a receber bem as novidades. Embora não seja uma resposta imediata às críticas, minha curadoria se beneficiou, sim, dessa força e expectativa.

P. E o que você descobriu sobre o mundo editorial brasileiro nesse processo de fazer uma curadoria com mais diversidade?

R. Há um conjunto de nano, micro e pequenas editoras que são fundadas e tocadas por mulheres. Eu poderia sentar aqui e falar logo umas quinze em diferentes Estados. Isso é muito interessante. Eu também percebo que existe uma tradição de literatura afro-brasileira que é publicada por algumas editoras que sempre estiveram um pouco à margem, como a Mazza, em Minas Gerais. Ao mesmo tempo, estão nascendo outras iniciativas de publicação afro-brasileira, como a Malê, no Rio de Janeiro, e a Kapulana, em São Paulo. E, conversando com eles, é possível entender que isso também é resultado das ações afirmativas que colocaram mais negros na Universidade, possibilitando a formação de mais intelectuais interessados em conhecer a própria história afro-brasileira. O tamanho desse mundo editorial é incrível e é impressionante como se percebe um Brasil que não está aparecendo nos jornais. Agora, a duas semanas do evento, eu sinto que as pessoas que querem ir à Flip estão muito interessadas em conhecer essas novidades. Não se trata de rivalizar com uma literatura de massa ou mais estabelecida no mercado, mas de construir uma nova situação, um novo espaço, para outro tipo de projeto.

P. Desse modo, o evento se afasta um pouco do mercado editorial que já tem mais visibilidade?

R. Não é possível dizer que há uma coisa completamente desconectada do mercado. Em benefício do próprio autor, eles querem poder vender os livros. Mas, sem dúvida, minha grande preocupação foi mapear aquilo que não está ao alcance da vista imediatamente. Foi buscar o que há de interessante e está fora do radar: seja porque é uma autora mulher e o mercado está pouco aberto, seja porque é um autor negro e enfrenta barreiras semelhantes, seja porque é um autor que está em um algum lugar distante editorialmente do Brasil, como é o caso da Islândia e Ruanda, representadas pelo autor Sjón e pela escritora Scholastique Mukasonga, respectivamente.

P. De certa forma, é uma Flip para ser descoberta, então?

R. Sim. Eu acredito que a Flip, por ser a maior festa literária, a pioneira, pode ter o arrojo de sair na vanguarda de alguma coisa. Para que ela permaneça como referência, tenha relevância e paute a imprensa, é preciso trazer coisas novas e não apenas refletir o que já existe no mercado consolidado. Agora, não dá pra dizer nunca que a Flip está desvinculada do mercado editorial. Por quê? Porque o autor vai lá e ele próprio tem suas expectativas. Há uma livraria oficial e as pessoas encontram os livros dos convidados lá. E isso é importante também. Além do mais, a relação com as editoras, com agentes literários e, no caso dos estrangeiros, com as embaixadas, é extremamente importante. O trabalho de curadoria é feito em 10 meses e a conversa é essencial para que ele seja construído.

P. Uma lista publicada pelo NexoJornal mostra que dois dos primeiros livros mais vendidos no Brasil desde 2010 são do bispo Edir Macedo e o terceiro é o best-seller A Culpa é Das Estrelas. Não é estranho estarmos discutindo o mercado editorial quando quem está no topo são esses livros?

R. Isso sempre existiu e eu acho contraproducente ficar reclamando que agora os youtubers, por exemplo, estão fazendo os livros mais vendidos. Eu acredito que é quase como você atacar aliados. O problema não é o best-seller, nunca foi. O problema, de sempre, é que é necessário formar leitores, estimular a leitura, fazer com que as pessoas se aproximem de formas mais complexas de linguagem. E a Flip, acredito, tem capacidade de ajudar nisso um pouco. Por isso, não passa pela minha cabeça ficar reclamando que o mais vendido é o Padre Marcelo Rossi ou o Edir Macedo.

P. Ao mesmo tempo, há um cenário de pequenas editoras com propostas de livros mais artesanais – presente em eventos como a Feira Plana, de São Paulo. Algo que foge não só do grande mercado, mas da velha discussão que se questiona se o papel vai acabar etc.

R. É curioso, mas acho que isso está sendo possível graças às novas tecnologias. É o desenvolvimento tecnológico que possibilita um barateamento de custos, assim como a facilidade de disseminar uma mensagem pela internet e atingir nichos de muita afinidade. E eu não tenho como provar, mas fazendo uma observação do mercado, parece que quanto mais a crise aperta, mais as pessoas procuram se vincular a essas iniciativas. É quase como uma forma de tentar se fortalecer. São projetos mais independentes e de maior resistência. É na criseque percebemos como as pessoas gostam de livros.

P. Por falar nisso, e a crise política? Como vai aparecer nessa Flip?

R. Muitas vezes os eventos são cobrados a discutir questões que estão acontecendo, mas acho que deve haver o cuidado para não se transformar um evento literário em um programa de debates só sobre a crise. Claro que isso vai aparecer naturalmente e, obviamente, os autores estão liberados para dizer o que quiserem. Também acho que, com a programação, estamos tocando no aspecto mais importante deste país: a desigualdade social e racial. É uma forma de contribuir para o debate da crise política, mas com a contribuição que é possível para a Flip, sendo que ela é uma festa de literatura. Por fim, há também o fato de que o homenageado, Lima Barreto, falava muito de política, apontava os problemas da República e como ela estava se constituindo, abordava também o tema da corrupção. Então, acho que as diferentes crise vão permear as conversas.

P. Você já tinha uma história com o Lima Barreto, não?

R. Em 2013, quando terminou a Flip, o nome dele surgiu em uma coletiva de encerramento. Depois, algumas pessoas começaram a sugerir o nome dele na internet. A partir daí, a historiadora Denise Bottmann teve a ideia de fazer um abaixo-assinado para que o nome dele fosse emplacado. Eu participei disso. Era uma brincadeira de internet, mas acontece que acabamos reunindo mil nomes, como Gilberto Gil, João Ubaldo Ribeiro e Nicolau Sevcenko. Assim, desde essa época, há uma expectativa sobre isso. Quando eu fui escolhida curadora, argumentei em favor dele e também dei sorte de pegar um momento bem oportuno do debate racial no Brasil e no mundo.

P. E por que o Lima?

R. É um autor que eu só fui conhecer, de fato, na minha pesquisa para a biografia do Jorge Amado. E a influência que ele teve para o Jorge Amado me impressionou bastante. Nos anos 1920, o Jorge Amado fazia parte de um grupo de jovens poetas que tinha como mentor um cara chamado Pinheiro Viegas, um escritor baiano que tinha vivido no Rio de Janeiro e tinha feito parte da turma de botequim do Lima. Quando esse cara chega a Bahia na segunda metade da década de 1920, ele conhece esse grupo de jovens poetas que não era vinculado ao modernismo paulista. Eles eram modernos sem serem modernistas. Naquele momento eles achavam que o pessoal de São Paulo só estava reproduzindo um modelo estrangeiro, mas eles tinham uma pesquisa com a cultura popular baiana muito grande. Algo bem na linha do que defendia o Lima Barreto. Por isso tudo, fui entender quem era o Lima e fiquei muito entusiasmada.

P. E como surgiu o nome da arqueóloga Niède Guidon, fundadora do parque arqueológico da Serra da Capivara, no Piauí, para integrar a programação?

R. Isso tudo tem muito a ver com o Lima Barreto: a ideia de você escavar para encontrar coisas que não estão ali na superfície. Você construir um pensamento através de recolhas que vai escavando, como fez Francisco de Assis Barbosa, que foi o arqueólogo de Lima Barreto ao escrever a biografia do escritor e organizar sua obra completa nos anos 1950. A Flip tem a tradição de sempre ter uma mesa de ciência e, pensando em toda a programação, veio logo a minha mente o nome da Niède Guidon. Ela é mulher, na resistência, trabalhando em uma área mais periférica da ciência, no Piauí, e que, apesar da ressonância mundial que seu trabalho tem, sofre constantemente com falta de verba e o perigo de ter de fechar o parque. E isso também me parece muito próprio do universo feminino. Eu escutei várias vezes isso nos últimos dez meses de curadoria: “repare como a resistência é sempre feminina”. E é verdade. A mulher parece ter predisposição para encarar e estar na frente de projetos de muita resistência. A Niède Guidon também resume muito bem isso.

P. Com tantas novidades, o que você espera que permaneça nessa Flip?

R. O que sempre foi incrível para mim é que existe um espaço em que os escritores estão falando sobre a obra de forma informal, espontânea. E a emoção de ouvi-los é o que ficou para mim depois de todas as Flips de que participei. Quero que seja, mais uma vez, um ambiente em que a literatura ocupa o primeiro plano por alguns dias. Isso é tão fora do imediatismo. É algo tão estimulante e que a gente não consegue ter diariamente. Não quero que o evento perca essa atmosfera. Acredito que vão ser dias felizes, apesar da crise que o país vive.

Fonte: El País | André de Oliveira

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Programa Nacional do Livro Didático terá ciclo de quatro anos

Edital  com  as novas regras  para  compra de  livros  didáticos sai nos próximos dias (Foto:  Arquivo/Valter  Campanato/Agência Brasil)

Edital com as novas regras para compra de livros didáticos sai nos próximos dias (Foto: Arquivo/Valter Campanato/Agência Brasil)

A partir de 2019, o Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD) terá ciclos de quatro anos, e não mais de três, como é atualmente. A mudança está em um decreto presidencial publicado hoje (19), que traz as novas regras para o programa.

Anteriormente, o governo havia proposto aumentar o ciclo para seis anos. Segundo o Ministério da Educação (MEC), a mudança para um ciclo ainda maior está sendo estudada junto ao Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Para o MEC, a escala da compra por um período maior possibilita uma economia na aquisição dos livros didáticos.

O primeiro edital com as novas regras será publicado nos próximos dias, para a compra e distribuição, em 2019, de material voltado para a educação infantil e os anos iniciais do ensino fundamental.

Livros consumíveis

Outra mudança é que, a partir de 2019, os livros dos anos iniciais passarão a ser consumíveis, ou seja, todos os livros de 1º ao 5º anos passarão a ser do aluno, não precisando ser devolvidos ao final do ano letivo. Segundo o MEC, a mudança traz autonomia para o aluno diante do livro, já que ele poderá usar o material da melhor maneira, rabiscando e fazendo anotações.

Os professores da educação infantil e de educação física passarão a compor o PNLD, recebendo livros pela primeira vez. O novo PNLD também disponibilizará softwares (programas de computador) e jogos educacionais e outros materiais de apoio à prática pedagógica.

Avaliação

Segundo o decreto publicado hoje, a avaliação das obras inscritas no PNLD será feita por equipes compostas por especialistas das diferentes áreas do conhecimento, professores da educação básica e do ensino superior de instituições públicas e privadas, coordenadas pelo Ministério da Educação. Atualmente, a avaliação é feita pelas universidades públicas.

Já a comissão técnica, que é o corpo de especialistas pedagógicos do MEC que acompanha todo o processo, passa a ser escolhida a partir de indicações de entidades como os conselhos nacionais de Educação (CNE) e de Secretários de Educação (Consed), da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior no Brasil (Andifes) e do Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif), entre outras.

Fonte: Agência Brasil | Sabrina Craide | Edição Nádia Franco

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Escola de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais seleciona profissional para atuar em gestão documental

O prazo para envio de currículo é até o dia 28/07/2017

A Escola de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais (ESP-MG), em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) torna público o Edital n° 04/2017 para seleção e contratação de serviços técnicos (consultoria pessoa física) na área de gestão documental para implementação dos instrumentos arquivísticos da instituição.

É necessário possuir pós-graduação lato sensu ou stricto sensu na área de arquivologia ou ciência da informação.

O edital estabelece experiência de no mínimo 03 anos com desenvolvimento de projetos e ações de gestão documental, preferencialmente em acervos públicos e experiência de no mínimo 02 consultorias na área de gestão documental com duração de no mínimo 01 ano cada.

Os currículos deverão ser enviados para o endereço arquivo@esp.mg.gov.br, até o dia 28 de julho de 2017.

Acesse aqui o edital em https://goo.gl/9jE5JH.

Fonte: ESP-MG

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