Renato Lessa diz que Biblioteca Nacional não é prioridade do Estado

Cientista político está de saída após três anos à frente da instituição

SC Rio de Janeiro (RJ) 23/05/2016 - Entrevista com Renato Lessa, presidente da Biblioteca Nacional. (Foto: Leo Martins / Agencia O Globo - Leo Martins / Agência O Globo)

SC Rio de Janeiro (RJ) 23/05/2016 – Entrevista com Renato Lessa, presidente da Biblioteca Nacional. (Foto: Leo Martins / Agencia O Globo – Leo Martins / Agência O Globo)

Renato Lessa começou a frequentar a Biblioteca Nacional (BN) nos anos 1970, ainda estudante de graduação. Em 2013, o cientista político estava na Itália quando recebeu o convite da então ministra da Cultura, Marta Suplicy, para assumir o comando da instituição. Após pouco mais de três anos de retorno, Lessa devolveu a Diretoria de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas para Brasília, fez reformas e iniciou parcerias para digitalizar e divulgar o acervo da biblioteca. Ao GLOBO, ele afirma que combinou com o ministro Marcelo Calero de deixar o cargo amanhã, lamenta a desvalorização dos servidores e diz que deixará relatórios para a sucessora, Helena Severo.

Qual foi a sua primeira impressão ao chegar na Biblioteca Nacional, em 2013?

Eu peguei a biblioteca desviada de suas funções fundamentais. A instituição estava fortemente envolvida com a participação do Brasil em feiras, sendo a mais importante a Feira do Livro de Frankfurt, da qual éramos o país homenageado. A BN estava se transformando numa produtora de grandes eventos. A Diretoria de Livro e Leitura estava aqui dentro e, com ela, o Sistema Nacional de Bibliotecas. Daqui saíam recursos para bibliotecas do Brasil inteiro através de mais de 300 convênios. E não tínhamos a menor estrutura de acompanhamento. Era um suicídio para os gestores. Em 2014, finalmente a diretoria foi para o MinC em Brasília. Eu só tenho um contador, imagina ele auditando 300 convênios. Isso livrou a BN de um peso e pudemos olhar para a política de acervo, relações internacionais fora desse eixo comercial, cooperação técnica com outras instituições.

A BN tem problemas crônicos de infraestrutura. O que foi feito quanto a isso?

A Biblioteca tem um déficit de infraestrutura de décadas. Começamos uma grande reforma da estrutura elétrica, que deve terminar até o fim do ano, necessária para que depois venha um sistema moderno de refrigeração. As claraboias todas foram restauradas, a impermeabilização do telhado está terminando. A reforma da fachada foi licitada, mas não sei se vai vir dinheiro. É uma obra de R$ 15 milhões. E há o meio-campo entre ter o dinheiro e começar a obra. Não temos corpo técnico para preparar termos de referência, projetos executivos. A Biblioteca só tem um arquiteto. O Estado brasileiro precisa se perguntar quais as implicações de ter uma biblioteca como essa. O imperador fez questão de comprá-la quando fez o tratado de reconhecimento da independência. É o único país que conheço que começou comprando uma biblioteca. O Estado tem uma obrigação fundacional de mantê-la de uma maneira decente. E, tristemente, tenho que dizer que o Estado não está preparado para ter uma biblioteca como esta. Não é um problema de ministro, o Juca também sofria com isso.

Quais as iniciativas da sua gestão que mais o orgulham?

Atuamos na criação de bases digitais compartilhadas com outras instituições. A Biblioteca Digital Luso-Brasileira, hoje, é a principal cooperação cultural entre Brasil e Portugal. A Biblioteca Nacional brasileira e a Biblioteca Nacional de Portugal são cabeças de redes de digitalização nos dois países, envolvendo dezenas de instituições. E está só começando essa integração. A Brasiliana Fotográfica começou como uma parceria entre a BN e o Instituto Moreira Salles (IMS), mas estão entrando o Arquivo Público da Cidade do Rio, o Arquivo da Marinha, o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB). Já é uma rede. Tem também a Brasiliana Iconográfica, parceria com o IMS, o Itaú Cultural e a Pinacoteca de São Paulo, a qual o Museu da Chácara do Céu também acabou de aderir.

Deixar o cargo já estava nos seus planos antes da mudança de governo?

Meu plano era sair no início de 2017. Seria o mesmo ministério, haveria continuidade. Essa crise antecipou a decisão. Este não é o meu governo. O outro era ruim, esse agora é um desastre. Vou deixar para minha sucessora relatórios sobre tudo que aconteceu, o que está sendo feito e as urgências. Quando entrei não tinha nada disso. Fiquei quatro meses batendo cabeça. Passei muito sufoco, mas foi genial essa experiência. Há funcionários na BN de altíssima qualidade ganhando salários vergonhosos. Essas pessoas cuidam da memória brasileira e são miseravelmente tratadas. A biblioteca não existe por minha causa, existe por causa desses servidores anônimos.

Fonte: O Globo | Leonardo Cazes

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Salão do Livro Político discutirá crise política brasileira entre dias 1 e 3 de junho

Além de feira de livros, evento terá debates com nomes como Ciro Gomes e Marilena Chauí; Alameda Editorial participará do encontro

Feira do 1º Salão do Livro Político, em 2015 (Foto: Divulgação)

Feira do 1º Salão do Livro Político, em 2015 (Foto: Divulgação)

Entre os dias 1º e 3 de junho, acontecerá no Centro Cultural São Paulo, na capital paulista, a segunda edição Salão do Livro Político. A Alameda Casa Editorial, uma das editoras que organiza o evento, estará presente com um estande na feira de livros. A edição deste ano terá como foco a crise que o país atravessa, a mais aguda desde o golpe civil-militar de 1964. Dentre os confirmados para os debates estão os filósofos Marilena Chauí e Vladimir Safatle, os políticos Adriano Diogo e Ciro Gomes, os juristas Fábio Konder Comparato e Alysson Leandro Mascaro, a líder estudantil Carina Vitral, além de Amelinha Teles e Clarah Averbuck. Eles falarão do atual momento, discutindo também os ainda obscuros anos de chumbo e a crise que levou ao impeachment de Fernando Collor de Mello, em 1992.

O evento vai abordar inclusive a agenda conservadora que, em meio à crise, ganha força no país, em mesas sobre as questões racial e de gênero. O leque temático completa-se com debates sobre as perspectivas das mídias independentes e o contraponto que representam à imprensa tradicional, a ascensão do teatro político, a emergência dos autores da periferia na literatura, o desempenho do mercado do livro político no Brasil e a “eterna” questão da Palestina. Além da Alameda Casa Editorial, outras seis editoras (Anita Garibaldi, Boitempo, Caros Amigos, Cortez, Filoczar e Sundermann) organizam esta edição do Salão do Livro Político. A programação ainda vai abarcar projeção de curtas metragens, lançamentos com sessões de autógrafos e apresentações culturais. Na feira de livros, de que participarão 25 editoras, os títulos serão vendidos com descontos de até 50%.II Salão do Livro Político: Data: 1º a 3 de junho, das 11h às 22h

>> Veja a programação completa

Salão do Livro Político
Centro Cultural São Paulo
Rua Vergueiro, 1000 – Metrô Vergueiro
São Paulo – SP
Telefone: (11)3397-4002
Entrada franca

Fonte: Painel Acadêmico UOL

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Biblioteca do Senado completa 190 anos com mais de 500 mil obras disponíveis

Senado Federal (Foto: Ana Volpe/Agência Senado)

Senado Federal (Foto: Ana Volpe/Agência Senado)

O ano de 2016 marcou o aniversário de 190 anos do Senado Federal. Junto com ele, a biblioteca da Casa também comemora os quase dois séculos de existência, e é uma das mais antigas do Brasil. Ela foi criada por iniciativa do Barão de Cairu em 18 de maio de 1826, com o nome de Livraria do Senado. A ideia era dar um suporte bibliográfico para os senadores.

Desde a criação, a biblioteca já passou por alguns edifícios antes de ser transferida para Brasília em 1961, onde permanece no Palácio do Congresso. Em 1979, passou a se chamar Biblioteca Acadêmico Luiz Viana Filho, em homenagem ao ex-senador de mesmo nome.

O acervo conta com livros, jornais e recortes, revistas, obras raras e produções dos funcionários do Senado. São mais de 500 mil volumes disponíveis, e aproximadamente 12 mil obras raras. Grande parte pode ser acessada virtualmente. Acompanhe a reportagem de Hebert Madeira, da Rádio Senado.

>> Saiba mais

Fonte: Senado Federal

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Exposição idelizada por alunos do curso de Museologia explora as relações entre a UFMG e a cidade

A mostra explora as relações estabelecidas entre a Universidade e Belo Horizonte, com base no conceito de cidade e no ato de colecionar.

UniverCidade

De acordo com os organizadores, a cidade é constantemente feita, desfeita e refeita, e carrega, além do concreto, aquilo que é intangível: sonhos, desejos, afetos, interesses, memórias, histórias e disputas. O trabalho expográfico põe os alunos em contato com o trabalho denso e prático da montagem de exposições, que abrange da concepção até a realização.

Idealizada por alunos do sexto período do curso de Museologia, a mostra é resultado de produção acadêmica no âmbito das disciplinas Exposição Museográfica I e II e Conservação em Museus I e II, lecionadas, respectivamente, pelas professoras Verona Segantini e Ana Panisset.

Eixos

UniverCidade Coleciona apresenta três temáticas: a primeira, Universidade imaginada e construída, explora os planos e projetos para o campus universitário, desde a fundação da Universidade, em 1927. Reúne desenhos arquitetônicos, maquetes e fotografias que documentam a construção da “cidade universitária” da UFMG.

O segundo eixo, Patrimônio e coleção, conta com objetos e registros de coleções artísticas, científicas e bibliográficas da Universidade, desenvolvidas por professores, alunos e servidores técnico-administrativos.

A terceira temática, Apropriações, propõe uma reflexão sobre apropriação dos espaços planejados e construídos da UFMG.

O acervo artístico que compõe a mostra está sob a guarda da Biblioteca Central, da Escola de Belas Artes, da Fafich, da Face, da Fale, do Centro de Memória da Engenharia, do Departamento de Projetos da Pró-reitoria de Administração, do herbário do ICB e do Museu de História Natural e Jardim Botânico.

A exposição permanecerá aberta ao público de 25 de maio a 10 de junho, de segunda a sexta-feira, das 8h às 22h, no mezanino da Reitoria da UFMG, campus Pampulha. A entrada é gratuita.

Fonte: UFMG

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Universidade do Livro realiza curso: Literatura infantil – Painel histórico e análise de tendências

Literatura infantil painel histórico e análise de tendências

A editora Lenice Bueno da Silva destaca os avanços do livro infantil e sua concepção no mercado em curso que acontece de 31 de maio a 3 de junho na Universidade do Livro.

Dada a importância do segmento de literatura infantil no mercado, a editora Lenice Bueno da Silva apresenta em 12 horas/aula os elementos para discutir as principais mudanças ocorridas nas concepções de leitura e do livro infantil no meio editorial.

Ela apresenta a “cadeia produtiva do livro” e o contexto em que um editor executa seu trabalho. Realiza um mapeamento das principais forças da indústria editorial da década de 1960 até os dias de hoje, fala sobre o surgimento da linha infantojuvenil, das consequências do crescimento da indústria editorial a partir do início do século XXI e do mercado escolar, governamental e “trade”. A importância da voz do narrador e as mudanças também são pontuadas, além das relações entre texto e imagem nos produtos ilustrados.

Carga horária: 12 horas | Curso presencial
31 de maio a 03 de junho | 18h30 às 21h30
Praça da Sé, 108 | Centro | São Paulo (SP)
Inscrições até: 31/05/2016 às 15h
>> Saiba mais

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Livrarias de rua de Belo Horizonte resistem como pontos de encontro e de vínculo entre leitores

Nem sempre comprar um livro é apenas um ato de consumo. O escritor e chargista mineiro Max Velati, por exemplo, entende essa prática também como uma espécie de “ritual”, que vai além da troca de dinheiro por uma obra. “Isso é muito pouco comparado com o que acontece quando você sai de casa sem saber, às vezes, qual exemplar pretende achar, nem qual autor você quer ler”, observa ele.

Prazeres da leitura e da convivência: Scriptium alia venda, publicação de livros e prepara lançamento de novo selo (Foto: Reprodução/ O Tempo)

Prazeres da leitura e da convivência: Scriptium alia venda, publicação de livros e prepara lançamento de novo selo (Foto: Reprodução/ O Tempo)

Os lugares onde esse tipo de busca e descoberta são mais viáveis de acontecer, para ele, são as livrarias. “Nelas nós conseguimos ter acesso a todas essas informações que precisamos, e lá podemos encontrar também outras pessoas que se guiam por esses impulsos e estão ali em busca de inspirações. A livraria cumpre o papel de ser o centro dessas experiências”, completa ele.

Porém, constantemente, novos desafios têm sido colocados a esses espaços que lutam para manter as portas abertas. Um deles é a concorrência com as vendas via internet, que oferecem produtos, muitas vezes, num preço inferior ao mínimo praticado nesses estabelecimentos. Em razão disso, entre outros fatores, vem se diminuindo a quantidade de livrarias, na capital mineira. A Mineiriana, por exemplo, encerrou as atividades em 2015, e mais recentemente, a Leitura, localizada na avenida Cristóvão Colombo, na região da Savassi, também anunciou o seu encerramento.

No entanto, há outras como a Quixote, a Scriptum e a Ouvidor, que têm tentado se manter na contramão desse movimento. Para leitores e frequentadores, a exemplo do médico João Baptista Magro Filho, a permanência delas é fundamental, pois permitem que constantemente sejam criadas ou reforçadas conexões não só com a leitura, mas entre as pessoas que circulam nesses ambientes.

Diálogos. Alencar Perdigão, proprietário da Quixote, recebe a escritora Staël Gontijo (Foto: Reprodução/O Tempo)

Diálogos. Alencar Perdigão, proprietário da Quixote, recebe a escritora Staël Gontijo (Foto: Reprodução/O Tempo)

“O que buscamos numa livraria acho que é justamente a possibilidade de manter alguns laços que ela nos possibilita construir. Esses podem se apresentar inicialmente no momento em que se abre um livro ou também quando temos a possibilidade de dialogar com alguém. Penso, por exemplo, em Bartolomeu Campos de Queirós, que aparecia na Quixote, ouvia todo mundo, comentava um livro, falava de outro que estava escrevendo e, por fim, nos abençoava a todos”, frisa Magro Filho.

Com suas características específicas, cada uma dessas três livrarias citadas será abordada a seguir individualmente. Dos cafés, encontros ao investimento em publicações, cada uma delas mostra porque a rua Fernandes Tourinho, onde todas estão localizadas, se tornou o principal destino de livreiros e leitores da cidade.

Presença frequente de diferentes turmas

Semanalmente, a escritora Staël Gontijo vai até a livraria Quixote, um dos seus lugares preferidos para sentar, escrever anotações e desfrutar de uma boa leitura, na capital mineira. “Eu brinco com Alencar (Perdigão, proprietário) que eu vou tomar essa livraria por usucapião porque eu venho aqui demais”, conta ela, que estava no espaço na segunda-feira (16), embora conte que costuma transitar pelo local mais às terças-feiras.

“Aqui há algumas turmas, e cada uma tem um dia para vir. Mas, ao mesmo tempo, não são grupos fechados. Se você sentar sozinho e quiser bater um papo com quem estiver aqui no dia, vai ter espaço para falar de livro, literatura, do assunto que quiser. Eu venho mais às terças-feiras no final de tarde, mas, às vezes, apareço também na segunda ou numa sexta. Isso é tão constante que meu marido me liga e diz assim: ‘você está no seu escritório’ e, quando eu respondo ‘sim’, ele já sabe que estou aqui”, ri Gontijo.

Nessa mesma tarde, apareceram as estudantes Alfonsina Carlis e Amy Gibson, que são, respectivamente, do Uruguai e do Reino Unido. Em viagem pelo país, elas contaram que procuravam um ambiente em Belo Horizonte onde pudessem ler um pouco e conversar. Entraram no Google e decidiram pela Quixote.

“Nós queríamos um momento para ler, interagir com outras pessoas e descobrir coisas diferentes”, diz Gibson. Carlis, por sua vez, ressaltou que optou pela livraria pela variedade de informações. “É como se tivéssemos aqui a oportunidade de conhecer centenas de cidades no mesmo espaço, que nos permite explorar tudo isso”, acrescenta.

De acordo com Alencar Perdigão, fundador da Quixote há 13 anos, essa circulação e frequência de pessoas no local acontece da maneira como ele havia imaginado desde o início, o que considera muito positivo. Contudo, hoje, percebe que a livraria precisa se reinventar para prosseguir na ativa.

“No momento eu noto que é necessária uma mudança, porque nos últimos anos as coisas mudaram bastante. Os lançamentos, que acontecem aos sábados, foram aumentando cada vez mais, enquanto a concorrência na venda de livros vem se acirrando. A grande ameaçadora hoje é a internet. Isso me obriga a repensar o negócio e eu acho que nós também precisamos de leis que regulem a venda do livro, tendo em vista a importância das livrarias de rua, que não deixam de ser um patrimônio da cidade, justamente por serem espaços de encontro”, diz. (CAS)

De livraria à editora de novos títulos

Quando resolveu montar a Scriptum, 19 anos atrás, Welbert Belfort não possuía o capital de giro necessário para abrir uma livraria. No entanto, ele tinha uma biblioteca pessoal considerável, montada com livros adquiridos e ganhados de escritores tanto do Brasil quanto do exterior. Uma solução encontrada por ele foi subtrair do seu próprio acervo cerca de 300 exemplares, que foram levados para uma pequena sala de uma galeria da rua Pernambuco, na região da Savassi.

Assim começou a livraria, que, a partir de 2002, mudou de endereço e se fixou na rua Fernandes Tourinho. Lá, ele ampliou o campo de atuação do negócio, ao abarcar também a publicação de escritores mineiros, de outros Estados e países também. Nomes depois premiados como Ana Martins Marques, Jacques Fux e Carlos de Brito e Mello tiveram obras editadas inicialmente pela Scriptum. Embora tenha acolhido diferentes segmentos, Belfort, ressalta o cuidado, desde o começo, com a produção de poetas.

“Antes de abrir a Scriptum, eu percebi que a poesia era algo que sempre ficava na parte interior das estantes das livrarias. Então, eu notei que, em relação a esse gênero, não havia em Belo Horizonte uma livraria especializada”, diz.

De lá para cá, a Scriptum vem colocando em circulação uma diversidade de obras que contemplam também a psicanálise, a crítica literária, as ciências humanas e a ficção. Ao comentar sobre o funcionamento da livraria, Belfort observa que ela deve ser pensada como algo orgânico. “Por isso eu acho importante fazer eventos, pensar numa seleção de títulos que as pessoas possam encontrar aqui, diferentemente das outras livrarias. Esse é um caminho mais difícil, mas é o que justifica a nossa existência”, diz.

Ele conta que vai lançar, em breve, um novo selo cujo objetivo é ampliar mais o caminho aos novos autores. Entre os obstáculos, ao seu ver, necessários de serem superados para manter a continuidade dos projetos é a regularização do preço do livro. “Por que aqui a gente trata o segmento do livro como se fosse uma terra de ninguém? É necessário uma lei que determine o preço único do livro durante um período, senão apenas as grandes redes terão chance de sobrevivência”, questiona. (CAS)

Referência como a mais antiga da rua

Depois de se encontrar com alguns amigos na Leitura, localizada no shopping Pátio Savassi, o médico Antônio Correa fez uma pausa na livraria do Ouvidor, outra sediada na rua Fernandes Tourinho, na região da Savassi. Ele conta que frequentemente também visita a Quixote, transitando pelos diferentes estabelecimentos em apenas uma saída.

“Na Ouvidor, encontro livros que não acho na Leitura e vice-versa. Na Quixote eu também noto que há alguns títulos que não existem em outros lugares. Então, eu vou fazendo um périplo por essas livrarias porque uma complementa a outra”, afirma Correa.

História. A livraria do Ouvidor foi inaugurada em 1979 (Foto: Reprodução/O Tempo)

História. A livraria do Ouvidor foi inaugurada em 1979 (Foto: Reprodução/O Tempo)

Ele não é o único que circula por cada um dos espaços dessa maneira. Bernardo Dantas Coelho Ferreira, proprietário da Ouvidor, afirma que esse é um comportamento muito comum entre os leitores. “Às vezes, o cliente daqui é o mesmo que frequenta todas as outras livrarias. Ele passa também na Quixote, na Scriptum e comprava quadrinho na Leitura da Cristóvão Colombo”, pontua.

Desse grupo, a Ouvidor é a mais antiga, existente desde 1979. Ele conta que ela surgiu depois de seu pai, Marcelo Coelho Ferreira, abrir a primeira na galeria do Ouvidor, no centro da cidade, em 1970. De lá para cá, o conteúdo da filial da Savassi se modificou.

“Ela começou ainda na onda do livro didático, já teve papelaria e realizava a troca de livro usados também. Mas, com o tempo, nós resolvemos concentrar os títulos didáticos no centro e aqui nós reunimos mais as obras de literatura, ciências humanas e arte”, recorda Ferreira, que trabalha no local desde 1997.

Mais recentemente, ele observa que a livraria tem dado mais atenção aos volumes infantis, criando uma seção especializada nesse segmento. “Nós estamos investindo na área infantil porque ela tem crescido muito. Os pais estão dando muita importância ao livro, coisa que algum tempo atrás não acontecia. Acho que isso é até motivado por uma tentativa de tirar um pouco os meninos da frente do computador ou da tela do celular, daquela loucura de ficar teclando o tempo inteiro”, afirma.

Sobre o futuro da livraria, ele é otimista, embora constate que o volume de leitores no país é pequeno. “Apesar de tudo, eu acho que esse é um tipo de estabelecimento que vai continuar existindo por muito tempo. Mas, se não conseguimos expandir mais, é porque o público é restrito”, conclui. (CAS)

Livrarias

Ouvidor: rua Fernandes Tourinho, 253 – Savassi

Quixote: rua Fernandes Tourinho, 274 – Savassi

Scriptum: rua Fernandes Tourinho, 99 – Savassi

Fonte: O Tempo | Carlos Andrei Siquara

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De livros abertos para a comunidade

Com um acervo de sete mil livros, a UFMG disponibiliza Espaço de Leitura, para a população da capital mineira, no térreo da sua Biblioteca Central

Inaugurado em 2009, o Espaço de Leitura, localizado no térreo da Biblioteca Central, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), tem o intuito de estimular o interesse pela leitura valorizando o prazer e a capacidade de usufruir dos livros o conhecimento, a multiplicação da informação que a leitura proporciona, além de oferecer um lazer de qualidade.

O acervo de sete mil exemplares inclui literatura para adultos e o público infanto-juvenil, nos vários gêneros literários e formatos como revistas, jornais, obras em braille e audiolivros. O Espaço dedica-se, também, à promoção de atividades relacionadas à cultura, como contação de histórias, lançamento de livros, exibição de filmes, com o projeto Cinema para Ler, e apresentações cênicas.

Contação de histórias atrai o público infantil (Foto: Divulgação)

Contação de histórias atrai o público infantil (Foto: Divulgação)

A bibliotecária responsável Marina Nogueira (CRB-6/2194) conta que o objetivo do projeto é promover o acesso à cultura no ambiente acadêmico. “Realizamos eventos que contribuem para o desenvolvimento cultural e social dos frequentadores diários da UFMG, bem como de toda a comunidade externa ao campus, visando a formação de novos leitores e a interação entre a Universidade e a sociedade”, completa.

Espaço de Leitura oferece lazer qualificado à comunidade (Foto: Divulgação)

Espaço de Leitura oferece lazer qualificado à comunidade (Foto: Divulgação)

Desde 2010, o Espaço de Leitura funciona como um projeto de Extensão Universitária da instituição e tem a tarefa de levar a prática da leitura para o cotidiano dos mais jovens, com o intuito de facilitar o aprendizado na escola e democratizar o conhecimento.

Serviço
Espaço de Leitura/Biblioteca Central da UFMG
Bibliotecária: Marina Nogueira Ferraz (CRB-6/2194)
Av. Presidente Antônio Carlos, 6627 – Pampulha
Horário de funcionamento: de segunda a sexta, das 7h30 às 22h
Telefone: (31)3409-4613
Email: espacoleitura@gmail.com
Facebook: www.facebook.com/e.leitura

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Projeto Tertúlia Literária

Programa da FAE/UFMG promove encontros para compartilhamento de experiências literárias, que visam contribuir para a formação continuada de profissionais da educação

Com o intuito de complementar a educação continuada de professores em exercício, nas escolas públicas e privadas, de ensinos infantil e fundamental da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), o Projeto Tertúlia Literária está em sua oitava edição e promove encontros periódicos para compartilhar experiências de leitura. Realizados pela Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (FAE/UFMG), na capital mineira, as reuniões ocorrem na última sexta-feira de cada mês, das 14h às 18h.

Todo ciclo anual, aborda um tema específico, desenvolvido nos encontros mensais a partir da troca de impressões sobre um determinado livro correlato ao assunto em discussão. Para conduzir as reflexões, as reuniões trazem convidados especiais, com atividades profissionais diversas, mas que possua um conhecimento aprofundado sobre a obra escolhida e, portanto, capacidade para promover um debate a respeito desse título.

PROJETO TERT+ÜLIA LITER+üRIA

A cada edição do projeto, são promovidas ações especiais relacionadas à temática adotada. Entre elas, está a visita ao Memorial da Resistência, em São Paulo (SP), realizada em dezembro de 2014, que tratou sobre direitos humanos. Outra edição, abordou sobre o amor e foi concluída por meio da leitura dramática do clássico “Romeu e Julieta”, feita pelo professor José Simões, no Teatro Municipal de Sabará. Nessa edição, o tema repete a primeira temática do projeto, que tratava de infância. Embora o foco seja os professores da educação infantil, o Tertúlia Literária também é aberto para alunos de Pedagogia, e profissionais de outras áreas, como Letras e Biblioteconomia.

A coordenadora do projeto, Célia Abicalil, acredita que é de suma importância a capacitação continuada dos profissionais da educação. “O Tertúlia Literária tem como objetivo a formação do leitor adulto, para que ele não seja apenas um mediador e motivador do hábito e do acesso aos livros, e, sim um praticante da leitura capaz de formar novos leitores”, completa a professora.

Este ano, o projeto firmou uma parceria com a Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte e está capacitando os auxiliares de biblioteca das escolas de ensino infantil da rede pública. Os participantes recebem os livros, previamente selecionados, fornecidos pelos órgãos conveniados, e realizam um estudo para a construção de um ambiente literário na comunidade. Os servidores das cidades de Betim e Nova Lima já participaram do projeto.

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Projeto ‘Troca de Livros’ incentiva o hábito da leitura em Anchieta

O objetivo da 3ª edição do projeto é circular os livros, de diferentes gêneros literários, que já foram lidos e estão guardados nas estantes, entre outros leitores

Leitores podem trocar livros já lidos durante ação na biblioteca de Anchieta, no dia 25 de maio (Foto: Prefeitura Municipal de Anchieta)

No dia 25 de maio, acontece a 3ª edição do projeto ‘Troca de Livros’, promovido pela Biblioteca Municipal ‘Professor José de Anchieta Pompermayer’, em Anchieta. O evento tem como objetivo resgatar o hábito da leitura e a circulação de livros guardados nas estantes. As inscrições dos participantes podem ser feitas entre os dias 17 e 24 de maio.

O projeto será uma ação entre os leitores, que podem participar da troca livros de diversos gêneros literários, desde que obedeçam alguns critérios de conservação como: não apresentar páginas rasgadas, rasuradas e que não sejam livros didáticos, técnicos manuais e afins.

Os interessas em participar devem ir até à Biblioteca, nos horários de 8h às 18h, e preencher uma ficha. A inscrição será feita com qualquer um dos servidores, responsáveis por averiguar se o livro está de acordo com os critérios estabelecidos. O inscrito receberá uma senha que dará direito a um livro. A troca será realizada pela mesma quantidade de livros entregues no dia da inscrição.

No dia da troca, o participante devidamente cadastrado, deverá apresentar a senha ao funcionário que estiver responsável pela feira. Será permitido então, ao usuário, a escolha de um dos títulos disponível para troca. Se a troca não for feita no dia 25, o participante estará automaticamente doando os livros para a biblioteca.

Fonte: Folha Vitória

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Fomento à cultura em Frutal (MG)

Biblioteca Pública de Frutal promove ações socioeducativas para a comunidade

Há cinquenta anos, a Biblioteca Pública Municipal Minerva Maluf de Souza, localizada na cidade de Frutal, em Minas Gerais, promove ações socioeducativas voltadas para a comunidade. Com um acervo de 18 mil obras, composto por clássicos, blockbusters e livros acadêmicos, e uma equipe de cinco funcionários, o equipamento recebe, em média, 120 visitas por mês.

Além de fornecer aos seus usuários o acesso à informação, leitura e ao livro, a biblioteca promove a tradicional contação de histórias, que é realizada diariamente pela auxiliar de biblioteca do turno, e, uma vez por semana, por um voluntário do grupo de teatro, da Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG). O espaço também oferece a Biblioteca Infantil, composta por um acervo exclusivo e um ambiente temático dedicado a crianças de 0 a 14 anos, onde são realizadas atividades especiais durante as visitas orientadas ou em datas comemorativas, como o Dia das Crianças.

Biblioteca Pública Municipal Minerva Maluf de Souza fornece aos seus usuários o acesso à informação, leitura e ao livro (Foto: Divulgação)

Biblioteca Pública Municipal Minerva Maluf de Souza fornece aos seus usuários o acesso à informação, leitura e ao livro (Foto: Divulgação)

Os projetos da Biblioteca Municipal de Frutal não param por aí! Há também a Biblioteca Especial – um projeto de acessibilidade para deficientes físicos e visuais – e uma iniciativa que visa à construção de um acervo composto por obras raras. A bibliotecária Cristine Jochmann (CRB-6/3163) acredita que o equipamento tem que estar presente no cotidiano dos frutalenses. “O espaço tem muito a oferecer e é uma opção para o lazer da população. Afinal, a cidade não tem muitos atrativos culturais”, completa.

Já o Projeto Educar, que conta com o apoio da Secretaria Municipal da Cultura, realiza visitas técnicas às bibliotecas das escolas da rede pública, para capacitação de professores e promoção do acesso a leitura. A equipe também promove o Projeto Abacaxi, nomeado em homenagem a fruta típica da cidade, que consistem em visitas aos hospitais frutalenses para mostrar aos pacientes que a leitura pode ser uma forma de amenizar a situação.

Sala de estudos da Biblioteca Pública Municipal Minerva Maluf de Souza, em Frutal (Foto: Divulgação)

Sala de estudos da Biblioteca Pública Municipal Minerva Maluf de Souza, em Frutal (Foto: Divulgação)

Em parceria com a Prefeitura Municipal de Frutal, o equipamento promove no dia 10 de junho a comemoração do aniversário da cidade com uma mostra sobre os 50 anos da Biblioteca. Na ocasião, haverá a presença de autoridades do município e os benfeitores do espaço.

Serviço
Biblioteca Pública Municipal Minerva Maluf De Souza
Bibliotecária: Cristine Jockman (CRB-6/3163)
Rua Senador Gomes, 26 – Centro – Frutal/MG
Horário de funcionamento: 7 às 17h
Telefone: (34) 3421-4398
Facebook: https://www.facebook.com/bibliotecaminervamalufdesouza

Bibliotecas modelo
O Conselho Regional de Biblioteconomia 6ª Região (CRB-6) vem divulgando diversas bibliotecas públicas que se destacam pela promoção de projetos de incentivo à leitura nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo. Para ver a lista de bibliotecas já perfiladas pelo Conselho, clique aqui.

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Recursos bem-vindos

Bibliotecas públicas mineiras são contempladas por programas nacionais que visam o fortalecimento desses espaços, em Uberaba, Itabira, Contagem e Belo Horizonte

Programas nacionais estão fomentando iniciativas de acesso à leitura em bibliotecas públicas de todo o Brasil e, Minas Gerais está entre os estados que foram contemplados recentemente. As bibliotecas públicas municipais Bernardo Guimarães, em Uberaba, a Luiz Camillo de Oliveira Netto, em Itabira, e a Dr. Edson Diniz, de Contagem, a foram contempladas pelo Edital de Fortalecimento do Sistema Nacional de Cultura e do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas. Foram selecionados 17 projetos em todo o Brasil, voltados à instalação e modernização desses equipamentos culturais municipais, que receberão, no total, R$ 4,2 milhões do governo federal.

Com os recursos do edital, os conterrâneos de Carlos Drummond de Andrade, receberão um espaço reestruturado e com acervo modernizado. Segundo a responsável pelo projeto da Biblioteca Pública Municipal Luiz Camillo de Oliveira Netto, vinculada a Seção de Acervos e Pesquisa, Lorenna Gonçalves, a Fundação Cultural, batizada com o nome do poeta brasileiro, é responsável pelo desenvolvimento do projeto premiado. “A iniciativa, contemplada com o R$ 277.104,71, será divida em três etapas para a reestruturação do espaço. Pretendemos adquirir livros e audiolivros, equipamentos de informática para o processo de modernização e mobiliário”, explica.

Acervo da Biblioteca Pública Municipal Luiz Camillo de Oliveira Netto será totalmente modernizado (Foto: Divulgação)

Acervo da Biblioteca Pública Municipal Luiz Camillo de Oliveira Netto será totalmente modernizado (Foto: Divulgação)

Já os uberabenses terão um espaço democrático para o fomento a literatura. A Biblioteca Pública Municipal Bernardo Guimarães, gerida pela Fundação Cultural de Uberaba, vai implantar um projeto de acessibilidade para os visitantes. De acordo com a responsável pelo projeto da Superintendência de Bibliotecas Públicas Municipais de Uberaba, Ivanilda Barbosa, a adaptação será tanto para o aspecto tecnológico e comunicacional como para mobilidade. “Com o recurso do edital, o equipamento irá adequar o atendimento para crianças, idosos e deficientes, além de promover um intercâmbio entre as bibliotecas públicas da cidade, com a integração do sistema”, completa.

Biblioteca Pública Municipal Bernardo Guimarães vai implantar projeto de acessibilidade para deficientes (Foto: Divulgação)

Biblioteca Pública Municipal Bernardo Guimarães vai implantar projeto de acessibilidade para deficientes (Foto: Divulgação)

De acordo com a equipe da Biblioteca Pública Municipal de Contagem Dr. Edson Diniz, é de suma importância a promoção do edital, pois, além de realizar reformas nos equipamentos, incentiva os servidores.

Os projetos mineiros “As bibliotecas que temos e as que queremos: rumo aos novos desafios, acesso para todos”, de Poços de Caldas, “Modernizando o Saber”, de Patrocínio, e “Modernização da Biblioteca Zumbi dos Palmares”, de Ipatinga, também concorreram ao edital.

O Conselho Regional de Biblioteconomia 6ª Região (CRB-6) apoia todos os projetos que visem o fomento à cultura e a valorização das bibliotecas públicas.

O resultado final pode ser conferido aqui.

Prêmio Vivaleitura 2016

Outra iniciativa já pioneira que ajuda o setor de biblioteconomia na implantação de projetos de fomento à leitura nas cidades é o Prêmio Vivaleitura, que chega a sua 8ª edição, promovido pelos Ministérios da Educação e da Cultura, em parceria com a Organização dos Estados Panamericanos para Educação. Este ano, o projeto Exposições Literárias Itinerantes, desenvolvido pela Superintendência de Bibliotecas Públicas e Suplemento Literário, por meio do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas Municipais (SEBPM), vinculado à Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais, esteve entre os premiados.

A iniciativa foi contemplada pela Menção Honrosa José Mindlim, na cerimônia de entrega do 8º Prêmio Vivaleitura. Tal reconhecimento é voltado para projetos que se destacam pelo impacto e abrangência de suas ações. O “Exposições Literárias Itinerantes” disponibilizou temáticas para as bibliotecas públicas municipais de todo o Estado. Cada mostra visa renovar o prazer da leitura aos visitantes e usuários e aborda a obra de um autor ou um clássico da literatura.

Projeto Exposições Literárias Itinerantes recebe menção honrosa José Mindlim (Foto: Divulgação)

Projeto Exposições Literárias Itinerantes recebe menção honrosa José Mindlim (Foto: Divulgação)

A bibliotecária, Éricka Fantauzzi (CRB-6/2470), representante o SEBPM, recebeu o prêmio em Brasília, no início do mês. Em seu depoimento nas redes sociais agradeceu pela oportunidade e reconhecimento. “É uma honra representar o Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas Municipais de Minas Gerais no Prêmio Vivaleitura 2016, e é muito gratificante ter nosso trabalho reconhecido. Obrigada Cleide Fernandes e toda a equipe (aqui representadas), Silvania Alves e Nathalia Leonie, pela confiança e apoio. Nós somos uma equipe muito alinhada com o objetivo de transformar Minas Gerais em um Estado da leitura e das bibliotecas. Prova disso é que a Lurdinha, uma das avaliadoras, disse que somos um Estado muito danado, queremos ganhar tudo. E, para nossa surpresa, vários municípios foram finalistas: Lagoa Santa, Mariana, Juiz de Fora (com dois projetos) e Araçuaí. Isso mostra como é importante o que fazemos e que não podemos desistir. Foram quase 1500 projetos apresentados e Minas Gerais ficou muito bem representado. Vamos em busca do Sistema que queremos!”

Oitava edição do Vivaleitura

Dos 1.467 projetos inscritos foram selecionados cinco finalistas de Minas Gerais, único Estado a apresentar finalistas em todas as quatro categorias. Na primeira, a “Biblioteca Viva”, voltada para bibliotecas públicas, o projeto “O essencial é invisível aos olhos: Sala Braille da Biblioteca Pública”, de Lagoa Santa, foi um dos finalistas. Já a categoria “Escola Promotora de Leitura”, selecionou as iniciativas “Horizontes Culturais: leitura e criação em forma de texto” e “Ciberteca: a construção de novas redes para o mundo da imaginação”, ambos realizados em escolas de Juiz de Fora.

Na categoria “Territórios da Leitura”, focada em entidades da sociedade civil, teve como finalista o projeto “Democratizando a produção poética na Rede de Ensino”, desenvolvido em Mariana. E na “Cidadão Promotor de Leitura”, aberto a pessoas físicas, contemplou a iniciativa “Peñahã: Centro de Documentação, Formação e Ação Intercultural de Araçuaí, Vale do Jequitinhonha”.

Os projetos vencedores estão registrados no catálogo do prêmio e podem ser acessados no site.

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História e cultura afro-brasileira nas bibliotecas

CRB-6 promove Seminário Biblioteca Escolar e os Impactos da Lei 10.639/03, que destaca o papel das bibliotecas escolares na disseminação do papel do negro na sociedade

Aconteceu na última quarta-feira, na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, da Universidade Federal de Minas Gerais (FAFICH/ UFMG), o seminário “Biblioteca Escolar e os Impactos da Lei 10.639/03”, promovido pelo Conselho Regional de Biblioteconomia 6ª Região (CRB-6). O evento foi mediado pelo doutorando em Ciência Política pela UFMG, Lúcio Mauro, e contou a participação do tesoureiro do CRB-6, Álamo Chaves (CRB-6/2790), do diretor do Sistema de Bibliotecas da UFMG, Wellington Marçal, e professores, que debateram sobre os impactos trazidos pela lei que determina que as escolas ofereçam ensino de História e Cultura Afro-brasileira.

Álamo Chaves, Sindier Antônia e Wellington Marçal destacam o papel das bibliotecas para o fomento da cultura afro-brasileira (Foto: Maíra Bueno)

Álamo Chaves, Sindier Antônia e Wellington Marçal destacam o papel das bibliotecas para o fomento da cultura afro-brasileira (Foto: Maíra Bueno)

A palestrante Mara Evaristo, professora da rede municipal e coordenadora do Núcleo de Relações Étnico-Raciais da Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte afirma que a promulgação da lei, em 2003, vem de uma pressão popular, especialmente do movimento social negro: “a lei vem para trazer políticas públicas a fim de mudar a percepção da história brasileira. Ela marca um processo no Brasil de reconhecimento de sua própria formação”, afirma.

A bibliotecária do Centro Pedagógico da UFMG, Flávia Filomena (CRB-6/1271), também realizou uma palestra e contribuiu para a discussão. “É fundamental que os alunos tenham, desde a educação infantil, contato com a história do povo brasileiro e sua formação. É necessário um projeto político pedagógico e uma parceria escola-família para que isso mude, e que essa lei seja de fato implementada”, pontua.

Para Sindier Antônia Alves (CRB-6/1542), coordenadora da Comissão Bibliotecas Escolares do CRB-6, responsável pela organização do evento, a lei é crucial para uma reflexão mais consistente. “Ela contribui para os cidadãos compreendam, efetivamente, que o papel do negro na sociedade brasileira não se resume às comemorações do Dia da Consciência Negra. É importante que os bibliotecários e os professores tenham consciência da lei, uma vez que a biblioteca escolar é o aparelho cultural que dá suporte para este ensino.”

Flávia Filomena, Mauro Lúcio e Mara Evaristo participam do Seminário “Biblioteca Escolar e os Impactos da Lei 10.639/03” (Foto: Maíra Bueno)

Flávia Filomena, Mauro Lúcio e Mara Evaristo participam do Seminário “Biblioteca Escolar e os Impactos da Lei 10.639/03” (Foto: Maíra Bueno)

A professora Marília Paiva, integrante da Comissão de Bibliotecas Escolares do CRB-6, auxiliou na organização do evento.

Confira aqui as fotos do evento. Confira também vídeos do seminário “Biblioteca Escolar e os Impactos da Lei 10.639/03” aqui.

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