Semana do Livro e da Biblioteca: atividades para todos os gostos

Usuários aproveitaram a programação especial das bibliotecas

A Semana Nacional do Livro e da Biblioteca, comemorada de 23 a 29 de outubro, movimentou as bibliotecas de Minas Gerais e do Espírito Santo. O Conselho Regional de Biblioteconomia 6ª Região (CRB-6) recebeu diversos relatos de atividades realizadas pelas bibliotecas dos dois estados. Confira:

Biblioteca Municipal Adelpho Poli Monjardim, em Vitória (Foto: Divulgação)

Espírito Santo

Em Cachoeiro do Itapemirim, as atividades fizeram parte da agenda da pré-Bienal Rubem Braga, com música, contação de histórias e até homenagem ao maior doador de livros da cidade.

Já em Vila Velha, três bibliotecas realizaram uma programação especial durante a semana. Na Biblioteca Escolar Elisa Lucinda houve campanha para doação de gibisfeira para troca de livros e Concurso de Desenho e Poesia, além de diversas outras atividades. A Umef João de Medeiros Calmon promoveu saraus literários, bate-papo com escritores e recreios musicais. Na Umef Naydes Brandão foi realizado um ato de incentivo à leitura para a comunidade, com um varal literário montado na praça para expor e doar livros para a população.

Atravessando a ponte, a Biblioteca Municipal Adelpho Poli Monjardim preparou diversas atividades para a população de Vitória. Banca de troca de livros e gibis, contação de histórias e encontros com escritores fizeram parte da programação. Na Emef Rita de Cassia Oliveira, também foram realizadas contação de histórias, leitura dinâmica, apresentações musicais e de capoeira, além da premiação dos leitores do ano.

Ações realizadas na biblioteca do Sesi, em Pedro Leopoldo (Fotos: Divulgação)

Minas Gerais

A semana foi intensa no Estado. Começando pela capital, a Biblioteca Professora Etelvina Lima, da Escola de Ciência da Informação (ECI) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), realizou rodas de leituras e palestras sobre vários assuntos ligados à leitura. Já a biblioteca da Escola Profissionalizante Santo Agostinho promoveu o Sarau da Saudade, uma feira de troca de livros e a exposição História do Livro e da Biblioteca.

Na biblioteca do Senai Américo Renê Giannetti foi realizada uma feira para troca de livros, mas os alunos também puderam indicar filmes baseados em obras literárias para exibições durante a semana. Foram escolhidos O menino do pijama listradoA menina que roubava livrosComo eu era antes de vocêO pequeno príncipe e Divergente, todos disponibilizados para empréstimo após as sessões.

Na vizinha Betim, a Superintendência do Ensino Fundamental da Secretaria Municipal de Educação promoveu a palestra “A leitura e as crianças com deficiência”. Em Lagoa da Prata, os moradores puderam aproveitar contações de histórias, palestras, visitas a estandes, concursos de poesias, oficinas e encontro com escritores da cidade.

Em Pedro Leopoldo, a biblioteca do Sesi envolveu os alunos de todas as idades em uma oficina de varinhas da série Harry Potter, revitalização do cantinho de troca de livros, bingo literário, feira de troca de livros, cinemateca, noite de autógrafos e bate-papo com autores.

Em Pouso Alegre, a biblioteca do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas promoveu uma exposição de livros danificados, trocas de obras literárias, exibição de filmes, rodas de leitura e diversas oficinas.

Universidade Federal de Uberlândia, por sua vez, também realizou uma programação especial em todos os campi. Com o tema “As bibliotecas e a valorização da diversidade e cultura negra”, foram realizadas exposições temáticas, apresentações culturais, palestras, mostras de cinema negro e oficinas de normalização de trabalhos acadêmicos.

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IV Seminário Internacional – A Arte da Bibliografia acontece em Vitória



Acesse a programação completa aqui

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Processo seletivo para o curso de Conservação e Restauro da FAOP está com inscrições abertas

Em tempos de desemprego elevado, o curso técnico em Conservação e Restauro pode ser uma opção diferenciada para entrar no mercado. A Fundação de Arte de Ouro Preto (Faop) abriu o processo seletivo para o primeiro semestre de 2018.

Processo seletivo para o curso de Conservação e Restauro está com inscrições abertas até dia 21 (Foto: Divulgação/Faop)

Processo seletivo para o curso de Conservação e Restauro está com inscrições abertas até dia 21 (Foto: Divulgação/Faop)

As áreas de atuação vão de ateliês a órgãos de preservação, incluindo museus, fundações, bibliotecas e toda e qualquer atividade relacionada à preservação e recuperação de patrimônio cultural.

A Faop forma profissionais técnicos de qualidade, capacitados para analisar, diagnosticar e intervir em papéis, pinturas de cavalete e esculturas policromadas. O exame de seleção é realizado por meio de questões objetivas de língua portuguesa, química, elaboração de uma redação dissertativa e avaliação de aptidão visual e motora. Para inscrever-se, os interessados devem ter concluído ou estar cursando a partir do 2° ano do ensino médio.

As inscrições para o processo seletivo, no valor de R$ 60,00, acontecem pelo site www.faop.mg.gov.br até 21 de novembro, às 12h. As provas serão realizadas no dia 3 de dezembro, das 9h às 12h e das 14h às 17h, em local a serem divulgados.

O resultado dos aprovados será publicado no dia 7 de dezembro no site da Faop e na Casa Bernardo Guimarães, no Cabeças, em Ouro Preto/MG. Os ingressantes no curso são contemplados com a bolsa integral e devem cumprir, durante o curso, com os requisitos especificados no edital.

Serviço:
Abertura do Edital do Curso Técnico em Conservação e Restauro
Data: 23 de outubro até 21 de novembro de 2017, às 12h
Público: Todos os interessados na área de conservação e restauro
Local: Casa Bernardo Guimarães
Informações: 3551-5052

Fonte: Itatiaia

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Participe da última etapa do Fórum Técnico Semeando Letras

Inscrições podem ser feitas até o dia 21 de novembro

Falta pouco menos de uma semana para o encerramento das inscrições para a etapa final do Fórum Técnico Semeando Letras – Plano Estadual do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas de Minas Gerais (PELLLB-MG), que será realizado de 22 a 24 de novembro. Os interessados têm até às 15 horas do dia 21 para se inscrever online e participar das discussões.

Essa é a última fase de um projeto que percorreu todo o Estado para ouvir a sociedade civil e coletar sugestões para nortear a elaboração do PELLLB-MG, documento que vai estabelecer as metas e diretrizes para democratizar a leitura e ampliar o acesso às bibliotecas do Estado nos próximos dez anos. Por isso a participação dos bibliotecários é tão importante. Se você tem disponibilidade durante esses três dias, faça sua inscrição e contribua com a valorização da profissão.

O Conselho Regional de Biblioteconomia 6ª Região (CRB-6) esteve presente em todas as etapas do projeto, representado pela tesoureira Denise Ramos (CRB-6/1000).

Conheça a programação

No primeiro dia, 22 de novembro, serão apresentados três painéis: Leitura cidadã – Democratização do acesso e valor simbólico do livro; Livro e leitor: Mediação de leitura; e Cadeia produtiva e criativa do livro.

No segundo dia, 23, quatro grupos de trabalho abordarão os seguintes temas: Democratização do acesso; Fomento à leitura e à formação de mediadores; Valorização institucional da leitura e de seu valor simbólico; e Desenvolvimento da economia do livro.

A plenária final, com a aprovação das propostas, será realizada no terceiro dia, 24, quando será eleito o comitê que acompanhará os trabalhos após o evento e a entrega do documento final ao presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

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Defesa de tese na UFMG propõe requisitos de usabilidade para visualização de ontologia de domínio

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UNESP lança livro sobre as mulheres da elite mineira no Brasil colônia

Ser mulher no Brasil nunca foi fácil, especialmente nos tempos da colônia. Quando se olha para o passado, o senso comum pode enxergar que pertencer a um estrato social elevado era salvo-conduto para uma vida livre de atribulações. Nada mais longe da realidade, como Maria Beatriz Nizza da Silva constata em Donas mineiras do período colonial, lançamento da Editora Unesp, que encerra sua tetralogia sobre o período colonial brasileiro. “A situação das donas em Minas variava de acordo com sua naturalidade, com os cargos ocupados por pais ou maridos, com sua presença mais prolongada ou transitória em solo mineiro, sendo necessário levar em conta essa diversidade situacional para não considerarmos tal conjunto populacional um bloco homogêneo”, escreve a autora.

Ser mulher no Brasil nunca foi fácil, especialmente nos tempos da colônia. Quando se olha para o passado, o senso comum pode enxergar que estar em um estrato social elevado era salvo-conduto para uma vida livre de atribulações. Nada mais longe da realidade, como Maria Beatriz Nizza da Silva constata em Donas mineiras do período colonial, lançamento da Editora Unesp, que encerra sua tetralogia sobre o período colonial brasileiro. “A situação das donas em Minas variava de acordo com sua naturalidade, com os cargos ocupados por pais ou maridos, com sua presença mais prolongada ou transitória em solo mineiro, sendo necessário levar em conta essa diversidade situacional para não considerarmos tal conjunto populacional um bloco homogêneo”, escreve a autora.

Para entender como viviam essas mulheres no Brasil colônia, a pesquisa se baseou em documentos do Arquivo Histórico Ultramarino de Lisboa, Arquivo Nacional do Rio de Janeiro e, principalmente, nos arquivos mineiros, cuja possibilidade de fornecer informações sobre as donas era muito maior. “Meu estudo baseia-se sobretudo na documentação resultante das petições à Coroa encaminhadas por mulheres da elite mineira pelos mais diversos motivos: entrada em conventos ou recolhimentos de Portugal e ilhas atlânticas, confirmação de sesmarias concedidas pelos governadores, tutorias, emancipações, legitimações, doações, conflitos vários, pedidos de propriedade ou serventia de ofícios etc.”, anota.

O texto, segmentado em 19 capítulos, contempla grande quantidade de casos: desde viúvas pleiteando seus direitos, a raptos de donzelas, divórcios e enfermidades. A densidade do livro é compensada por uma leitura fluida, fortemente escorada em documentos oficiais da Coroa, levando os leitores para perto desta riqueza documental. Essa amarração dos fatos provê uma imersão na complexidade das histórias ocultas pelo tempo. “O número de donas em Minas, na segunda metade do século XVIII e início do XIX, era mais do que suficiente para analisarmos seu modo de vida, suas atividades, relações familiares, enfermidades, religiosidade, literacia e sociabilidade”, observa Maria Beatriz.

Sobre a autora

Maria Beatriz Nizza da Silva, nascida em Lisboa, é professora titular aposentada de Teoria e Metodologia da História na Universidade de São Paulo (USP). Publicou, pela Editora Unesp, Ser nobre na colônia (2005), História de São Paulo colonial (organização, 2009) e Cultura letrada e cultura oral no Rio de Janeiro dos vice-reis (2013).

Serviço:

Título: Donas mineiras do período colonial
Autor: Maria Beatriz Nizza da Silva
Número de páginas: 197
Formato: 14 x 21 cm
Preço: R$ 52,00
ISBN: 978-85-393-0695-4

Fonte: Unesp

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Em Vitória, Biblioteca promove Roda de Histórias Capixabas

Sábado é dia de contação de histórias na biblioteca do Centro Cultural Sesc Glória

Centro Cultural Sesc Glória (Foto: Divulgação)

Centro Cultural Sesc Glória (Foto: Divulgação)

Este sábado a biblioteca recebe mais uma edição da Roda de Histórias Capixabas. Idealizado por Sandra Freitas, o projeto convida apaixonados pela arte da Contação de histórias para compartilhar suas histórias e causos. Os encontros buscam resgatar contos e tradições populares promovendo a valorização da cultura popular e das lendas Capixabas

Serviço:
Contação de histórias, com Sandra Freitas e convidados
Local: Biblioteca Guilherme Santos Neves
Data e horário: Sábado,18 de novembro, 17h
Entrada franca

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Bibliotecas escolares sob a mira do MEC

Grupo de trabalho pretende definir critérios para a atuação nesses espaços

Tramita atualmente na Câmara dos Deputados proposta para criação de um grupo de trabalho destinado a estabelecer parâmetros para a atuação das bibliotecas escolares do Brasil. Para que ele se torne realidade, porém, será preciso pressionar o Ministério da Educação (MEC) e mostrar a importância de se discutir o assunto.

(Foto: Freepik)

Para Cristian Brayner, bibliotecário da Câmara dos Deputados, a atual legislação vincula a biblioteca unicamente ao acervo e não a considera equipamento cultural. “Se biblioteca envolve arquitetura, ambiente, tecnologia, produtos, processos e regulamentos, mas a lei diz que ela é fundamentalmente um acervo, então temos um problema muito grave. Isso precisa ser resolvido.”

Apesar de a Escola de Ciência da Informação da Universidade Federal (ECI/UFMG), através do Grupo de Estudos em Biblioteca Escolar (GEBE), já ter elaborado um documento para estabelecer os padrões das bibliotecas escolares – adotado pelo Conselho Federal de Biblioteconomia (CFB) – a presidente do Conselho Regional de Biblioteconomia 6ª Região (CRB-6), Mariza Martins (CRB-6/1637), destaca o papel do Governo Federal para legitimação desses critérios. “Essa regulamentação precisa vir do Ministério da Educação, que estabelece parâmetros para o país. A nós cabe garantir que os bibliotecários estejam presentes nas discussões, para que a profissão seja valorizada e bem representada.”

Por isso, o Conselho Regional de Biblioteconomia 6ª Região (CRB-6) convida todos os profissionais de Minas Gerais e do Espírito Santo a se manifestarem sobre a criação do grupo de trabalho.

Envie um e-mail para Wilson Troque (wilson.troque@fnde.gov.br), coordenador geral dos programas do livro do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), e explique a importância de se discutir e regulamentar o assunto, mostrando que o profissional da Biblioteconomia deve ter voz ativa no trato do assunto. Quanto mais manifestações, maior a chance de o grupo vir a ser constituído.

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Memorial Minas Gerais Vale divulga programação cultural

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Novas possibilidades de atuação para bibliotecários

Evento em Belo Horizonte discutiu o papel do profissional na área jurídica

O universo de atuação do bibliotecário vai muito além das bibliotecas. Foi esse o principal recado dado pelos palestrantes do II Encontro de Bibliotecários de Bibliotecas Jurídicas de Minas Gerais, realizado no dia 7 de novembro, em Belo Horizonte.

Auditório cheio para o Encontro (Foto: CRB-6)

O evento foi organizado pelo Conselho Regional de Biblioteconomia 6ª Região (CRB-6), em parceria com a Biblioteca do TRT 3ª Região – Escola Judicial. Bibliotecários, professores, magistrados, advogados, servidores e estudantes de Biblioteconomia estiveram presentes para discutir as diferentes possibilidades de atuação na área jurídica, e a Câmara dos Deputados e a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) foram os exemplos utilizados.

Por que discutir o assunto?

Quem abriu o evento foi a juíza Maria Raquel Zagari Valentim, coordenadora acadêmica da Escola Judicial (EJ) do TRT-MG, que ressaltou o papel do bibliotecário nos tempos atuais. “A tecnologia destruiu as distâncias e valorizou a pluralidade das informações, mas nem sempre com o cuidado necessário para preservar a qualidade. O bibliotecário tem a missão de filtrar isso.”

A mesa de abertura também contou com a participação de Mariza Martins (CRB-6/1637), presidente do CRB-6, e de Márcia Lúcia Neves Pimenta (CRB-6/1485), gestora da Biblioteca do TRT-MG. Na sequência, o Coral Acordos e Acordes apresentou músicas do cancioneiro popular brasileiro e preparou o público para as discussões que viriam pela frente.

Participantes da mesa discutem a importância do evento (Foto: CRB-6)

Experiência de mercado

Na primeira palestra da tarde, o bibliotecário da Câmara dos Deputados, Cristian Brayner, trouxe sua experiência na organização da informação legislativa e falou sobre as possibilidades de atuação. Para ele, o primeiro passo de qualquer bibliotecário que atua na área jurídica é entender qual o problema do seu usuário e, assim, propor uma solução. “É o meu caso, por exemplo. Trabalho em uma Comissão da Câmara dos Deputados e não em uma biblioteca. Lá não tem livros, não tem periódicos. Tenho é um problema que posso ajudar a resolver por meio da informação.”

Cristian Brayner fala dos desafios da Câmara dos Deputados (Foto: CRB-6)

No caso, ele tinha a seguinte situação em mãos: o número de proposições estava diminuindo. “Como profissional da informação, busquei as fontes mais indicadas para resolver o caso. A resolução foi conseguida sem nenhum livro, só encontrando as conexões corretas. Um bibliotecário tem toda a capacidade técnica para fazer isso.”

Na segunda palestra, Simone Torres (CRB-6/2150), bibliotecária da ALMG, falou da sua dissertação de doutorado baseada em modelagem de domínio em SOC para informação legislativa e apresentou o trabalho realizado pelos bibliotecários da Casa. Além de atuar nas bibliotecas, os profissionais também cuidam da organização das informações e trabalham na memória institucional, nos núcleos setoriais de informação e na elaboração de sistemas de organização do conhecimento, área em que ela atua.

Simone Torres apresenta seu trabalho na biblioteca da ALMG (Foto: CRB-6)

A bibliotecária destacou que a área jurídica é muito pouco explorada durante a formação, o que traz dificuldades aos profissionais que chegam ao mercado. “A academia precisa se aproximar das instituições e do dia a dia dos bibliotecários. Quando a teoria está dissociada da prática, fica mais difícil compreendê-la”, avalia. Para ela, o que diferencia o trabalho realizado na Assembleia é justamente esse repasse de informações, feito por profissionais que possuem grande experiência na área.

Confira a matéria elaborada pelo TRT Minas sobre o evento:

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Defesa de dissertação na UFMG abordará a análise de assunto da informação jurídica

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Escritora turca Elif Shafak é a quarta eleita para a Biblioteca do Futuro

Todo livro impresso nasce de uma árvore. Ela morre, ele nasce. Um mau livro é sempre um desperdício, um dendrocídio. Ao conceber sua Biblioteca do Futuro (em inglês, Future Library), a artista plástica conceitual escocesa Katie Paterson preocupou-se com as duas pontas do processo, integrando a fonte da celulose e seu subproduto final de modo ainda mais orgânico e simbólico. Não fez uma escultura, um livro-árvore, nem uma instalação, com livros pendendo de galhos e troncos. Sua Future Library é apenas uma biblioteca, conceitualmente sui-generis, heterodoxa, mas uma biblioteca.

Elif Shafak
A escritora turca Elif Shafak (Foto: Reprodução/Estadão)

Paterson acredita que no futuro as pessoas ainda lerão livros impressos. Com apoio financeiro de um fundo sueco, reservou uma imensa gleba na floresta de Nordmarka, nos arredores de Oslo, para o plantio de mil sementes de pinheiros, que daqui a 100 anos estarão no ponto para gerar papel, que em seguida se transformarão em livros – de autores cuidadosamente selecionados para evitar ao máximo a sensação de desperdício e a grita dos ambientalistas. Como os manuscritos ficarão hermeticamente guardados durante 100 anos, seu conteúdo só se tornará público no próximo século e  seus leitores ainda estão para nascer.

A Biblioteca do Futuro é um sucedâneo daquelas cápsulas do tempo, na moda no século passado, em que se guardavam artefatos culturais e utensílios diversos do período para a curiosidade de nossos pósteros. As cápsulas ficavam muito mais tempo incubadas (a que enterraram em Nova York em 1939 só será aberta em 6939), mas, ainda assim, o prazo de dez décadas para textos a ser fruidos com olhos de outra época me parece um bocado longo. Nenhum de nós poderá sequer testemunhar sua repercussão com os velhinhos que ainda nascerão em 20 anos.

Quem estiver vivo em 2114 terá oportunidade de ler a 16.ª ficção da canadense Margaret AtwoodScribbler Moon (Lua de Escritor), entregue à Biblioteca do Futuro três anos atrás. A celebrada autora de O Conto da Aia foi o primeiro nome convidado pelo projeto, que prevê um total de 100 autores, globalmente selecionados: um por ano, até 2114, quando farão parte de uma antologia, de que serão impressos somente mil exemplares.

Até lá, sigilo absoluto. Nem Paterson e a curadora do projeto, Lisa Le Feuvre, podem ler os manuscritos, que ficarão permanentemente guardados na Deichmanske Bibliotek, a nova biblioteca pública de Oslo, a ser inaugurada em 2019.

Coube ao britânico David Mitchell, autor de Atlas de Nuvens, ser o segundo. Como prevê o regulamento, só ele conhece o conteúdo do texto, que tanto pode ser um verso, como um conto ou uma novela. Pelo título, From Me Flows What You Call Time (De Mim Emana o que Você Chama de Tempo), tem cara de romance, de resto, sua especialidade.

O escolhido do ano passado foi o poeta, escritor e artista visual islandês Sjón, mais badalado como parceiro de Bjork e de quem já traduziram aqui Pela Boca da Baleia A Raposa Sombria. Num vídeo, revelou tender para algo que refletisse sobre o próprio conceito de biblioteca do futuro e lamentou não estar vivo em 98 anos para interagir com seu tradutor e verificar que temas e formas de abordagem e linguagem do presente sobreviverão no futuro.

“Será que as pessoas ainda terão o hábito de ler livros em 2114?”, perguntou-se Atwood ao plantar sua mudinha de pinheiro na floresta de Nordmarka. E outras dúvidas enfileirou: “Haverá quem se interesse em me ler, daqui a 100 anos? Que palavras cairão em desuso até lá e que outras surgirão?” Encantada com “o tempo de conto de fadas” do projeto (“Bela Adormecida também dormiu 100 anos”), comparou sua dificuldade à do orwelliano Winston Smith, de 1984, ao iniciar seu diário.

Para quem Smith o escrevia? Sim, para o futuro, para os não nascidos, mas como fazer para comunicar-se com o futuro? “Ou bem o|  futuro seria semelhante ao presente e não daria ouvidos ao que ele queria lhe dizer, ou bem seria diferente e sua iniciativa não faria sentido.” Mitchell compartilha das mesmas dúvidas de Atwood e Smith, mas, a exemplo da mais recente agregada ao projeto, a romancista turca Elif Shafak, tem visão otimista. “Mais que um desafio é um voto de confiança no futuro, apesar das sombras catastróficas sob as quais vivemos. Esperança de que ainda estaremos aqui, ainda haverá árvores, livros, leitores, e civilização.”

Na sexta-feira, 27, o nome de Shakaf, conhecida no Brasil por De Volta a Istambul, chegou ao noticiário cheia de entusiasmo pela possibilidade de escrever para pessoas que jamais conhecerá e sem qualquer compromisso com a repercussão. “É como escrever uma carta e deixá-la à beira de um rio, ao sabor das águas e do tempo”, disse ao The Guardian. Obviamente, ainda não teve tempo de pensar sobre o que irá produzir. Inclinada para um misto de ficção e não ficção, só tem certeza de que tentará refletir as preocupações do seu tempo, vale dizer do nosso tempo, esses “tempos líquidos” em que vivemos, quando tudo muda rapidamente. Tão rapidamente que 100 anos podem parecer um milênio. Ou não.

Fonte: Estadão |

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