Alunos são incentivados a terem gosto pela leitura

Cresce o interesse pela leitura entre os alunos da rede pública de ensino em Manaus. O projeto ‘Despertando para o hábito da prática da leitura’, da professora Maria do Perpétuo Socorro da Silva Corrêa, já conseguiu a adesão de pelo menos 500 alunos da Escola Estadual Getúlio Vargas, localizada no bairro Cachoeirinha, zona sul de Manaus, desde que foi implantado em 2010.

“Quando vim trabalhar nessa escola, vi que o problema de nossos alunos estava ligado à não prática da leitura, que gerava a dificuldade de interpretar e de produzir textos. A partir daí, passei a desenvolver uma nova metodologia”, contou ela.

Foi então que a professora levou para a sala de aula músicas, teatros, poesias, leituras de revistas e livros literários, sempre procurando contextualizar os assuntos gramaticais. “Percebi que eles não tinham preguiça de ler, só precisavam de incentivo”, disse.

No final de 2011, a professora comprovou que o trabalho que vinha desenvolvendo já trazia bons resultados. “Resolvi compartilhar minhas experiências com meus colegas para que viesse a ser desenvolvido com todas as turmas do 6º ao 9º ano. Em 2012, obtive um espaço na escola”, disse, acrescentando que teve o apoio da Secretaria de Estado da Educação (Seduc) e de voluntários para fornecer os materiais necessários, inclusive, os livros.

O espaço da leitura começou com poucos livros, mas hoje o acervo conta com 1,5 mil obras. “Comecei trazendo de casa. Mas depois vieram as doações de livros”, disse.

Ano passado, o professor de português Andson Silva e Silva deu continuidade ao projeto. “Aderi ao projeto há dois anos e passei para as minhas turmas. Houve uma grande melhora, principalmente na interpretação de texto, desenvoltura e avaliação deles”, disse.

Mas a ideia e vontade de quem adere ao projeto é fazer com que mais professores da escola também abracem a causa. “Aqui na escola, três professores de português aderiram. Mas queremos que os outros das demais matérias também estimulem os alunos para a leitura”, disse Socorro.

Antes e depois

Segundo a coordenadora do projeto, professora Maria do Perpétuo Socorro da Silva Corrêa, é nítida a diferença dos alunos antes e agora com o projeto. “Antes, eles não tinham concentração. Pareciam hiperativos, eram desobedientes. Hoje o turno que mais empresta livro é o da tarde, antes era o pior”, disse.
Segundo Socorro, a leitura vai acalmando os estudantes. “Hoje eles têm facilidade de concentração. Mas tem que estar todo tempo incentivando. É como se fosse uma planta que precisa estar adubando”, disse.

Estudantes têm hoje melhor desempenho

A estudante Nathália Barroso, 14, do 9º ano, disse que adquiriu o hábito da leitura com o projeto ‘Despertando para o hábito da prática da leitura’, da professora Maria do Perpétuo Socorro da Silva Corrêa.

“Eu tinha preguiça de ler. Mas a gente começou a se interessar. Atualmente, a maioria dos alunos pega o livro para ler”, contou ela.

Segundo a coordenação do projeto, os dias da leitura são todas as quartas e sextas-feiras. Os alunos escolhem o livro que querem ler e começam na sala de leitura da escola e terminam em casa. “Aqui, eles têm 50 minutos para ler. Mas depois, eles levam para casa para terminar a leitura”, contou o professor Andson Silva e Silva.

Resenha

Depois disso, o aluno faz uma resenha, contando o que entendeu da história do livro. “Não há uma imposição de quantas laudas ele (o aluno) deve escrever, nem da escolha do livro. Tudo que é imposto não fica legal”, disse o professor Andson Silva.

A estudante Karollyne da Silva Ferreira, 12, escolheu o livro Iracema, de José de Alencar, e disse que gostou. Ela fez uma pequena explanação da obra em cinco minutos. “Antes, era uma menina muito tímida. Tinha muito medo de falar em público. Agora não”, disse.

Os professores vêm observando que os alunos estão começando a se interessar por obras de autores, que normalmente são cobrados no Ensino Médio, como Machado de Assis, Milton Hatoum, Rachel de Queiroz, Osvaldo de Andrade, entre outros escritores.

Com o projeto, a leitura já vem colhendo frutos. A Escola Estadual Getúlio Vargas recebeu um nível proficiente no Sistema de Avaliação de Desempenho do Amazonas (Sindeam) do ano passado. “A média da nossa escola foi a melhor das escolas estaduais do Amazonas. E já estamos estudando para a Prova Brasil”, disse o professor, acrescentando que os alunos leem em torno de 20 livros por ano.

Metas

1 Objetivo de quem adere ao projeto de incentivo à leitura é fazer com que mais professores da escola pública também abracem a causa.

2 Professora levou para a sala de aula músicas, teatros, poesias, leituras de revistas e livros literários, sempre procurando contextualizar os assuntos gramaticais.

Fonte: D24AM

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