Amazon anuncia jornada de trabalho de 30 horas semanais. Isso é bom para os trabalhadores?

Você aceitaria trabalhar menos horas, em horário flexível, mas ganhando menos?

Escritório da Amazon, em Santa Clara, na Califórnia, Estados Unidos (Foto: Ken Wolter/ShutterStock)

Escritório da Amazon, em Santa Clara, na Califórnia, Estados Unidos (Foto: Ken Wolter/ShutterStock)

Na semana passada, a Amazon anunciou que vai testar, em alguns grupos de funcionários da área técnica, uma jornada de trabalho de 30 horas semanais. Segundo o Washington Post – que é de propriedade do CEO da Amazon, Jeff Bezos – esses empregados terão os mesmos benefícios dos trabalhadores de período integral, mas ganharão 75% do salário dos funcionários em função similar com jornada de 40 horas semanais.

Nas equipes selecionadas, todos os empregados trabalharão das 10h às 14h de segunda a quinta-feira, e as 14 horas restantes da semana serão flexíveis. De acordo com o porta-voz da empresa, os membros dessas equipes de teste serão contratados fora da Amazon e poderão fazer a transição para a jornada de 40 horas, se preferirem.

Ao Washington Post, Bezos afirmou que a empresa busca “criar um ambiente de trabalho que seja adaptado para um cronograma reduzido e que ainda possa promover sucesso e crescimento profissional”. É um movimento de resposta à demanda crescente dos trabalhadores por horas mais flexíveis. Um artigo da Fast Company analisa quais os prós e contras dessa nova estrutura.

Para a Amazon

Com diversas empresas de tecnologia expandindo seus benefícios, a Amazon viu aumentar a disputa por talentos no mercado de trabalho. E um artigo do New York Times dizendo que a cultura interna da Amazon era de extrema competição entre os empregados não ajudou a empresa a atrair os melhores funcionários e tampouco sua imagem.

A Amazon rejeitou a descrição publicada no New York Times, e rapidamente estendeu a licença maternidade a seus empregados, se equiparando a empresas como Netflix. Nesse contexto, a jornada de trabalho de 30 horas e maior flexibilidade de horário são iniciativas que podem ajudar a Amazon a trazer candidatos mais disputados pelas empresas de tecnologia.

Ainda não está claro, contudo, se a intenção de contratar novos funcionários é uma forma de compensar a queda da produtividade geral da empresa.

Além de ser uma forma de melhorar a visão de potenciais candidatos sobre a empresa, a decisão da Amazon é também um reconhecimento de que é preciso competir com outras empresas por bons funcionários – e para conseguir mantê-los na empresa.

Para os empregados

Além da competição entre empresas pelos grandes talentos em tecnologia, as companhias também disputam a possibilidade de esses funcionários se tornarem freelancers. De acordo com projeção da consultoria Intuit, até 2020, 40% de toda a força de trabalho nos Estados Unidos será composta por freelancers.

Um estudo da Upwork em conjunto com a Freelancers Union apontou que, entre os trabalhadores independentes nos Estados Unidos, 75% dos que trabalham em período integral e 68% dos que trabalham em meio período decidiram se tornar freelancers justamente pela flexibilidade de horários.

Apesar de atrair profissionais da área de tecnologia, interessados em trocar o emprego de período integral pelas 30 horas flexíveis, a solução oferecida pela Amazon pode não ser a ideal. Douglas Rushkoff, autor do livro Throwing Rocks at the Google Bus (“Jogando pedras no ônibus do Google”, em tradução livre), por exemplo, vê a iniciativa como uma forma de tirar os direitos dos trabalhadores. Segundo ele disse à Fast Company, a redução de jornada para 30 horas semanais “é exatamente metade do movimento necessário. Sim, é necessário reduzir a carga horária, mas não é preciso reduzir o pagamento de forma proporcional, e não é preciso reduzir os salários de forma alguma”.

Como a Amazon não vai reduzir os benefícios dos funcionários que trabalharão 30 horas, a empresa não está realmente economizando dinheiro. Na prática, esses funcionários to5rnam-se “mais caros” – desde que não seja esperado que tenham maior produtividade que os demais.

E é nesse ponto que Rushkoff é cético. Segundo ele, reduzir a jornada faz mais sentido se houver incentivo para maior eficiência. “O funcionário que conseguir terminar o trabalho de cinco dias em quatro não deve ser punido por isso, mas recompensado”, diz o autor. Ou seja, na visão de Rushkoff, uma companhia que oferece um horário de trabalho reduzido em troca de pagamento proporcionalmente menor está, efetivamente, pedindo que seus funcionários mais produtivos comprem essa liberdade – e que lidem com a redução de salário por conta própria.

Fonte: Época Negócios

This entry was posted in Artigos, matérias e entrevistas and tagged , , , , . Bookmark the permalink. Post a comment or leave a trackback: URL pra trackback.

Post a Comment

Your email is never published nor shared. Required fields are marked *

You may use these HTML tags and attributes <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

*
*