Assalto a banco destrói obras raras

Acervo fazia parte do Instituto Histórico de Pitangui

Um roubo a banco, praticado no dia 5 de setembro por uma quadrilha de cerca de dez pessoas, causou danos colaterais ao Instituto Histórico de Pitangui (IHP). As duas instituições dividem o mesmo andar do prédio e as labaredas geradas pela explosão do cofre atingiram também o acervo de livros e documentos raros da biblioteca que funciona no local.

Incêndio destrói parte do acervo do IHP (Foto: Judith Viégas | Amigos do Instituto Histórico de Pitangui)

Em entrevista para o Estado de Minas, Licínio Filho, historiador e membro do IHP, contou que a coleção abrigava diversas obras em latim e até mesmo um livro sobre estratégia militar em francês, uma relíquia do século XIX. Ainda não se sabe, contudo, quanto do acervo foi perdido.

Outro efeito colateral é o possível dano causado às “ações das almas”, maior arquivo desse tipo no Estado e que reúne mais de mil documentos dos períodos colonial e imperial brasileiro. Na época, a Igreja e a família real atuavam em conjunto na cobrança de dívidas. Se o pagamento não ocorresse, o credor podia ajuizar uma ação e o devedor cedia a sua alma em garantia, o que ficava registrado nos documentos. O acervo dos camaristas – políticos cujas funções se assemelham às dos atuais vereadores – também pode ter sido atingido.

Ainda não foi realizada uma avaliação dos impactos, mas como esses documentos estavam arquivados no terceiro andar do prédio, os danos podem ter sido menores.

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