Caso Amazon gera receio em editoras brasileiras

 

No Brasil, a Amazon também monopoliza atenção. O mercado vive a expectativa de quando, afinal, a varejista on-line vai começar a vender livros físicos no país.Amazon

No final de março, a Folha anunciou que a Amazon já havia assinado contrato com praticamente todas as grande editoras de livros do país.

Desde então, diversas datas para o início das operações já foram divulgadas pela imprensa. A última previsão, segundo fontes do mercado, é que a Amazon inicie a venda de impressos pela internet durante a Bienal do Livro de São Paulo, no fim deste mês. A Amazon não comenta o caso.

A empresa já vende e-books no Brasil desde 2012.

Mas recentes atritos da varejista com editoras dos EUA e da Europa (França e Alemanha, por exemplo) deixam o mercado brasileiro apreensivo. Atuando também nos livros impressos, a Amazon terá mais poder de barganha.

“Fico muito preocupada. A cadeia tem três pontos: o autor, o editor e o varejista. Se um deles tem força demais, prejudica toda a indústria”, diz Sônia Jardim, presidente do Snel (Sindicato Nacional dos Editores de Livros).

“Seria muito ruim se a Amazon dobrasse o mercado. Espero que eles cheguem a um acordo lá fora, até para termos mais tranquilidade para lidar com eles no Brasil”, reforça Marcos Pereira, editor da Sextante.

Já Roberto Feith, diretor da Objetiva, não vê a chegada da gigante on-line como ameaça concreta. “Aqui o e-book ainda engatinha e nossas varejistas são empresas sólidas. A concorrência vai ser difícil.”

GUERRA NAS PRATELEIRAS

A saga da Amazon para dominar o mercado de livros

1994
UMA NOVA ESPERANÇA
Jeff Bezos, 30, larga seu emprego no mercado financeiro e funda a loja virtual de livros Amazon, tentando aproveitar o potencial do comércio na web. Para as editoras, a empresa era uma oportunidade de negócio em um mercado dominado pelas grandes redes de livrarias. Além disso, permitia compras em cidades pequenas do interior dos EUA

1995
A AMEAÇA FANTASMA
O modelo de negócio da Amazon consistia em vender livros a um preço próximo de seu custo, aumentando o volume de comércio. A ideia era reunir dados de seus consumidores para que, mais tarde, a empresa pudesse lhes vender centenas de outros produtos. Hoje, a venda de livros corresponde a apenas 7% da receita anual da empresa nos EUA (US$ 75 bi)

1995-2000
ATAQUE DOS CLONES
Como as lojas físicas faziam, a empresa passou a cobrar das editoras uma taxa para colocar seus livros em destaque. Na Amazon, o pagamento faz com que os livros sejam recomendados na página principal. Segundo a revista “New Yorker”, editoras pagavam US$ 10 mil para destacar um produto sem que a Amazon repassasse dados específicos sobre quanto isso ajudava nas vendas

2000
A VINGANÇA DOS SITH
A Amazon abriu o capital em 1997. Em 2000, após o estouro da bolha da internet, as ações caíam e Bezos decidiu focar nos lucros. Mas, em vez de subir preços, pressionou as editoras por taxas maiores para divulgar seus livros. Em 2004, a Melville House, uma pequena editora, não entrou no acordo. No dia seguinte, o botão “comprar” sumiu de seus títulos na Amazon.com —tática usada até hoje na briga com editoras

2004
O IMPÉRIO CONTRA-ATACA
Determinado a não perder o mercado de livros para a Apple —que dominava o comércio musical com o iTunes e o iPod—, Bezos iniciou pesquisa para lançar um leitor digital de livros e passou a pressionar as editoras para que digitalizassem seus títulos. Em 2007, a Amazon revelou para o mercado o Kindle, seu leitor digital, no qual lançamentos e best-sellers seriam vendidos por apenas US$ 9,99.

2010
O RETORNO DO JEDI
Insatisfeitas com o preço fixo dos livros digitais na Amazon, as editoras procuraram desenhar um acordo com a Apple, que se preparava para lançar o iPad. Sob os termos deste acordo, poderiam vender os livros digitais ao preço de varejo, mas deveriam pagar uma comissão de 30% a Apple. Pressionada, a Amazon teve de ceder e fazer um novo acerto com as editoras. Mais tarde, no entanto, protocolou uma queixa na Comissão de Comércio Federal dos EUA, denunciando uma suposta conspiração das editoras com a Apple para elevar preços e restringir a concorrência.

Fonte: Folha de S. Paulo

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