Dona de lanchonete de hospital cria biblioteca para emprestar livros

Ler é saúdeEm uma pequena estante na lanchonete do Hospital Montenegro, na cidade da Região do Vale do Caí no Rio Grande do Sul, 40 livros são sinônimo para espera. Ali, onde muitos familiares de pacientes aguardam o tempo passar, as obras da biblioteca da lancheria de Ana Luiza de Almeida Lucena, de 60 anos, servem como consolo. A ideia empreendedora da professora aposentada surgiu há dois anos e, além de ajudar as pessoas, garantiu mais clientes.

“Ler também é saúde”, resumiu ao G1 Ana Luiza. Natural de Uruguaiana, na Fronteira Oeste, se mudou para Montenegro já casada. Após a morte do marido, em 2010, dono da lanchonete do hospital, a mulher precisou pesar na balança o que valia mais a pena. Decidiu, então, deixar o quadro negro e se dedicar exclusivamente ao estabelecimento. “Pensei nos prós e contras de ser professora e dona do próprio negócio. Decidi deixar de ser professora para vir pra cá”, contou.

A rotina inicia cedo e toda a administração é feita por ela. “Eu compro, vendo, faço os pagamentos. Agora estou colocando uma funcionária para me ajudar”, disse entusiasmada. Alguns livros vieram da própria biblioteca em casa, outros de doações externas. “Eu gosto muito de ler. Pensei na possibilidade de ter livros e revistas para emprestar, e comecei a trazer”, relembra. O movimento deu certo e logo a própria gestão do hospital doou algumas leituras também.

A biblioteca não envolve dinheiro, mas boa vontade. “Eles chegam, escolhem a obra e me deixam um documento. Podem ficar o tempo que quiser e eu anoto tudo em uma folha”, relata Ana Luiza. Embora os familiares sejam os que mais utilizam o serviço, alguns pacientes também pedem para que os enfermeiros e médicos busquem livros.

Entre as leituras procuradas, as que falam sobre conforto são as com maior rotatividade, segundo Ana Luiza. “Livros como ‘A grande esperança’, ‘A nova ordem de Jesus’, ‘Forças do bem’. Temos todos os tipos e de todas as religiões”, comemora. A ex-professora garante que, mesmo que saia da lanchonete um dia, a biblioteca continuará ali. “Os livros não são meus, são da lancheria do hospital. O objetivo é emprestar e ajudar. São maneiras mais confortáveis das pessoas aceitarem a doença”, conta.

Para os interessados em fazer doações, Ana Luiza simplifica: “É só chegar aqui na lancheria e me entregar pessoalmente. São todos cadastrados. A ideia é aumentar ainda mais a estante”.

Fonte: G1

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