Editoras miram fãs que criam blogs para livros românticos

Espaços para discussão de obras aproximam leitores e ajudam a pautar lançamentos

(Foto: Reprodução/Divulgação)

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Uma boa história de paixão fica ainda melhor se for compartilhada. Essa é a premissa para que muitas consumidoras de livros românticos saiam da posição de leitoras e migrem para a internet para indicar ou criticar suas leituras.

Discutindo desde clássicos de Jane Austen, como Orgulho e Preconceito, até best-sellers que chegaram às livrarias recentemente, um amplo número de blogueiras especializadas em romances românticos usa a internet como um grande clube de leitura. Mais do que fóruns para informar e trocar opiniões, os blogs servem como fonte de indicação de livros e ajudam a pautar lançamentos das editoras.

– Depois que comecei a ler romances, tanto de livraria quanto de banca, passei a colecioná-los e reparei que alguns eram interligados. Na internet, encontrei sites da Argentina e da Europa que relacionavam as séries. Como eu tinha algumas, pensei em fazer o blog para relacionar minha coleção e encontrar outras pessoas que também gostassem desses livros – conta a jornalista Roberta Oliveira, 36 anos, que mora em Juiz de Fora (MG) e há 10 anos mantém o Literatura de Mulherzinha

As blogueiras também ajudam a formar leitoras. É o caso da designer gaúcha Gabriela Orlandin, 25 anos, que mantinha o Fluffy como um blog pessoal, mas acabou direcionando-o à literatura:

– O blog tem uma grande parcela de culpa na minha paixão por livros, pois foi por meio dele que conheci outros blogs do gênero e comecei a gostar de ler. Por isso, o conteúdo foi migrando aos poucos, até se tornar quase essencialmente literário.

O tom pessoal é uma constante nas resenhas dessa turma. “Tive vontade de jogar o livro contra a parede no final, mas tudo melhora”, escreveu Roberta sobre Um Homem de Sorte, de Nicholas Sparks. Sobre o mesmo romance, Aurilene Vieira, do Sempre Romântica, contou que “Pelo menos dessa vez aconteceu comigo de ler um livro inteiro do Nicholas sem me desmanchar em lágrimas”.

Cada uma das postagens tem mais de uma dezena de comentários, alguns deles com links para outros blogs. Não há como rastrear o número de sites como esses, mas a próprias blogueiras atestam a diversidade na oferta. Em resposta à pergunta “Quais são seus blogs preferidos?”, sete delas apontaram a ZH mais de 30 endereços diferentes.
A movimentação não escapa aos olhos das editoras.

– É sempre importante acompanhar as atividades dos blogs. Além de observar novas tendências para futuros lançamentos, também podemos acompanhar a repercussão de nossos títulos – afirma Michelle Lopes, da editora Verus.

– Várias informações dos blogs podem ser de grande valia. Por exemplo, para um editor de aquisições, quando o blog está resenhando uma obra estrangeira ainda não publicada no país e que, portanto, pode vir a ser avaliada e adquirida para tradução – diz Renata Mello, da Novo Conceito.

Já a escritora estreante Lais Rodrigues de Oliveira contou com a colaboração das administradoras desses blogs para ajustar detalhes do seu romance Primeiras Impressões. Depois de ter enviado a elas a primeira versão do livro, recebeu comentários que nortearam alterações.

– Elas me ajudaram a identificar erros, que acabei corrigindo – conta a escritora.

Amor ideal

O que uma boa história romântica deve ter na opinião das blogueiras entrevistadas nesta reportagem:

– Deve abordar diferentes possibilidades e fases do amor, como paixões não correspondidas, início de relacionamentos, brigas e reconciliações.

– Bons diálogos ajudam a dar ritmo e aproximar o leitor dos personagens.

– Mocinha melosa não agrada muito. Ela pode ser sensível, mas também precisa se mostrar forte e determinada.

– Já os galãs podem ter seus defeitos, mas devem admitir suas falhas para se redimir
ao longo da narrativa.

– Sexo é bom, mas não é fundamental. Muitos dos romances prediletos das blogueiras não têm cenas de sexo. Quando ocorrem, é importante que não sejam muito descritivas, deixando espaço para a imaginação.

Fonte: Zero Hora | Alexandre Lucchese

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