Em Belo Horizonte, pedagoga estuda práticas que aproximam os jovens dos livros

Profissional pesquisa sobre experiências de leitura na cidade

Com o desenvolvimento de pesquisas na área da formação de jovens leitores, a pedagoga Daniela Figueiredo vem promovendo a discussão de propostas que visam a ampliação do gosto pela leitura. Pensando nisso, o Conselho Regional de Biblioteconomia 6ª Região (CRB-6) entrevistou a pesquisadora para saber mais sobre as descobertas alcançadas durante a produção de sua dissertação. Confira abaixo a conversa!

Para você, qual deve ser o perfil de um bibliotecário que atua junto ao público jovem?

O alcance da pesquisa não possibilita desenhar um perfil, mas aponta que algumas práticas do bibliotecário favorecem a aproximação dos leitores com os livros e a literatura. A primeira delas é o estabelecimento do diálogo, que requer o conhecimento do acervo e, também, o interesse pelo repertório dos jovens. Gosto da velha expressão “conversa ao pé da orelha”. É aquela hora em que o bibliotecário está atento no balcão ou no salão da biblioteca, puxando assunto com os leitores. A partir dessa conversa, ele faz indicação de leituras.

Outra prática importante é a promoção de atividades que favoreçam essa troca de ideias, impressões e reflexões em torno das leituras realizadas. Ou seja, a oferta de espaços que permitam a produção e negociação de sentidos, que propiciem o engajamento dos jovens. Esse movimento envolve a compreensão de que a biblioteca é um local de encontro, que forma leitores, e cujo bibliotecário tem importante papel.

Sua atuação, nesse sentido, inclui tanto o acolhimento do repertório leitor dos jovens quanto a sua expansão, e reforça a necessidade desse profissional em ampliar seu domínio sobre o acervo. Ele é fundamental na aproximação entre jovens e livros e precisa ser uma referência para esse público. O seu conhecimento prévio das obras tem influência nas escolhas literárias. A maioria dos participantes da pesquisa aprova as indicações feitas por esse profissional.

Como você vê as condições oferecidas a esse profissional, atualmente?

Como pedagoga, posso opinar em relação ao acesso e promoção da leitura. Entendo que o reduzido quadro de pessoal nas bibliotecas públicas muitas vezes faz com que esse profissional fique sobrecarregado com o processamento e tratamento técnico do acervo. Mas, quando ele compreende a sua importância na formação de leitores, procura conciliar ambas as práticas. Os espaços que pesquisei têm um acervo de qualidade, mas, convivendo com esses bibliotecários, percebo que existe uma queixa nesse sentido.

Em sua opinião, a visitação às bibliotecas públicas vem diminuindo? Por quê? Como o bibliotecário pode incentivar ampliação da presença dos jovens nesses espaços?

A pesquisa comprova que esse público está se afastando das bibliotecas, mas esse fato está relacionado, sobretudo, à expansão de interesses e ao aumento no volume de atividades escolares e extracurriculares. Muitos jovens começam a trabalhar, fazem aulas de inglês, estudam para o Exame Nacional de Ensino Médio (Enem), namoraram, utilizam as mídias sociais, entre outras ocupações. A queixa geral é de que falta tempo.

Porém, existe também o movimento contrário. Uma parcela representativa de pessoas descobre as bibliotecas públicas e começam a frequentá-las na juventude. Essa visitação é motivada pela oportunidade de explorar livremente o acervo e acessar obras que, nem sempre, são divulgadas pelo mercado editorial.

As redes sociais e a internet podem contribuir com estratégias para a promoção das bibliotecas?

Sim, eu acredito que isso é possível, pois muitos jovens participam de grupos de leitura na internet, como, por exemplo, o Skoob. A pesquisa indica que as mídias têm forte influência nas escolhas literárias desse público. Eles procuram as sinopses das obras, leem livros adaptados para o cinema, pesquisam a lista dos mais vendidos e acessam blogs e sites de literatura. Porém, relatam que as bibliotecas públicas oferecem títulos não disseminados nos espaços midiáticos. Então, essas instituições também podem ocupar esses espaços, oferecendo atividades de leitura, indicação de livros e divulgando o serviço de empréstimo e seu acervo.

Para conhecer a pesquisa de Daniela na íntegra, clique aqui.

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