Enem: com cronogramas diferentes, alunos estudam por conta própria em Uberlândia

A 13 dias do Enem, os estudantes intensificam a preparação para passar pelo principal mecanismo de acesso ao ensino superior, além do vestibular aplicado segundo calendário próprio. Há, pelo menos, 4.637 candidatos em condições de concorrer às vagas em Uberlândia, sendo alunos matriculados no 3º ano do ensino médio na rede estadual de ensino, de acordo com Superintendência Regional de Ensino (SER), além dos alunos da rede particular de ensino e dos egressos do ensino médio que buscam formação acadêmica. Entre eles, há uma parcela que estuda por conta própria, seja pelo alto custo dos preparatórios, seja por não se adequarem à metodologia dos cursinhos.

Alguns estudantes aproveitam a estrutura de bibliotecas para usufruir de computadores conectados à internet, ter acesso a livros didáticos ou garantir o silêncio necessário ao estudo. A reportagem do CORREIO de Uberlândia percorreu a Biblioteca Municipal Juscelino Kubitschek de Oliveira e as bibliotecas dos campi Umuarama e Santa Mônica da UFU, abertas ao público.

Na Biblioteca Municipal, a reportagem flagrou, em uma manhã e à tarde, pelo menos, dez candidatos estudando para o Enem, entre vários outros que se preparam para concurso. “Apesar do grande ruído do trânsito, muitos estudantes vêm para cá, buscando evitar interrupções ou distrações. Também aproveitam nosso acervo de cerca de 20 mil livros e o acesso gratuito ao wi-fi e ao telecentro, onde há 21 computadores disponíveis para consulta de uma hora e meia por dia”, disse a diretora da Biblioteca Municipal, Denise Carvalho.

Na biblioteca do campus Santa Mônica da UFU, a reportagem do CORREIO encontrou Gustavo, que preferiu não informar sobrenome. Depois de cursar oito semestres de preparatórios, o que demandou investimento de, pelo menos, R$ 20 mil, o estudante de 23 anos optou por estudar por conta para ingressar no curso de Medicina. “Com toda a experiência de cursinho, tenho os macetes de prova e uma estratégia de estudo que venho aperfeiçoando. Por isso, preferi seguir por minha conta, recorrendo a aulas particulares, quando necessário”, afirmou Gustavo.

Desafios

Segundo a psicopedagoga Juliana Nogueira Reis, diretora da franquia Tutores, o principal benefício do estudo por conta própria é oferecer a possibilidade de criação de um cronograma de estudo alinhado às necessidades do candidato. “Mas o estudante precisa ter a disciplina para segui-lo à risca. Ao contrário do estudo nos cursinhos, este candidato não tem um momento de apreensão, vai direto para o reforço do conteúdo. Por isso, é preciso contar com a internet para ver questões de provas, artigos, explicações”, disse a especialista.

Segundo o sócio-proprietário da Oficina do Ensino e professor da área de Humanas Walmir José da Costa Junior, outro desafio que o estudante vai enfrentar é criar uma estratégia de estudo que comece nas disciplinas em que tem maior dificuldade. “Em geral, começam a estudar as matérias em que têm mais habilidades e deixam para a última hora as disciplinas em que têm maior dificuldade. Com isso, no fim do ano, recebemos muitos alunos buscando aulas particulares em Exatas, demanda de 70% dos alunos, e redação”, disse Walmir Junior.

Jaime Augusto deixou faculdade de Engenharia Mecânica, no 5º período, e estuda sozinho para conseguir passar em Direito (Foto: Celso Ribeiro)

Jaime Augusto deixou faculdade de Engenharia Mecânica, no 5º período, e estuda sozinho para conseguir passar em Direito (Foto: Celso Ribeiro)

Opção

Estudantes que se propõem a estudar por conta própria para processos seletivos se deparam com o desafio de elaborar uma estratégia de estudo, que alie as exigências do edital à superação das dificuldades. É o caso de Djalma Rabelo, de 22 anos, que começou a estudar por conta em 2014, para ingressar no curso de Medicina. Anteriormente, ele cursou três semestres de cursinhos, aos quais não se adaptou.

“A abordagem dos cursinhos é muito ampla e rápida e eu buscava uma preparação mais focada nas minhas dificuldades. Precisava reconstruir minha base, porque passei o ensino médio focado na carreira de atleta”, afirmou Rabelo, que estuda nove horas por dia, cronometradas. “Depois de analisar o edital, crio um cronograma de estudo, partindo das disciplinas de maior peso. Daí, estudo de duas a três disciplinas por semana, com livros da Biblioteca Municipal”, disse o estudante.

O estudante Djalma Rabelo não conseguiu se adaptar a cursinho (Foto: Carolina Monteiro)

O estudante Djalma Rabelo não conseguiu se adaptar a cursinho (Foto: Carolina Monteiro)

Robson Corrêa, de 19 anos, também não se identifica com os cursinhos. “Estudar com muita gente distrai demais”, disse Robson Corrêa. Decidido pela carreira da Engenharia Nuclear, ele frequenta a Biblioteca Municipal desde o início do ano, diariamente, das 9h às 12h e das 14h às 18h, para se preparar para o Enem, com intervalo para almoçar em casa, no bairro Patrimônio. Ao longo do dia, passa por quatro conteúdos de matérias alternadas que pesquisa na internet.

Recomeço

Em 2013, Jaime Augusto deixou o curso de Engenharia Mecânica na Universidade Federal do Ceará (UFC), depois de frequentar cinco períodos, para perseguir o sonho de cursar Direito. Em Uberlândia desde 2014, concilia o trabalho, como marido de aluguel e professor particular, com o estudo por conta própria – principal alternativa dos que deixaram cursos superiores para tentar o ingresso na UFU.

“Como foi uma decisão minha, estou por minha conta e tenho que trabalhar para me manter em Uberlândia, o que não permite que faça um cursinho. Mas é tranquilo, porque já tenho uma boa dinâmica de estudo”, disse Queiroz. Ele estuda pela manhã e noites vagas, focado nos exercícios.

“Quando temos um sonho, superamos todas as barreiras. Minha intenção é prestar concurso para seguir carreira militar ou ingressar em ministério ou promotoria”, disse o estudante de 22 anos.

Mariana Ribeiro de Moura, de 21 anos, deixou a faculdade de Veterinária em 2013, depois de um ano, em função do alto custo da mensalidade. No ano passado, a jovem fez cursinho para prestar o mesmo curso na UFU. Como não passou, a alternativa foi começar a estudar por conta, após o expediente. “É complicado, mas a gente tem que se virar”, disse Mariana Moura. Ela estuda a partir de livros didáticos, baseando-se no programa proposto pelo Enem.

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Fonte: Correio de Uberlândia

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