Entrevista colaborativa com Antônio Agenor Briquet de Lemos

Antônio Agenor Briquet de Lemos e Maria Aparecida Moura

Antônio Agenor Briquet de Lemos e Maria Aparecida Moura

“É preciso acabar com o mecanismo de avaliação de mérito baseado em publicação”, afirma Antônio Agenor Briquet de Lemos, em entrevista colaborativa no Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias (SNBU 2014).

Briquet de Lemos trabalhou na Universidade de Brasília (UnB) como professor e diretor da editora da instituição. Foi também diretor do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict). Hoje, aposentado, tem sua própria editora, a Briquet de Lemos.

Maria Aparecida Moura – Qual é a importância das bibliotecas na sua trajetória como pesquisador, professor e editor?
Antônio Agenor Briquet de Lemos – É difícil responder porque, às vezes pelo fato de estarmos muito perto de uma instituição tão imprescindível, só avaliamos os aspectos negativos. Eu sou muito crítico. Então, me dá muita tristeza o abandono das bibliotecas brasileiras. Temos que estar cientes que elas não conseguiram, mesmo as boas, até hoje no Brasil, desempenhar o papel que deveriam. Ser bibliotecário em um país como o Brasil é muito mais frustrante do que ser bibliotecário em um país como Estados Unidos, ou Suíça, França. E você dar aula, como eu dava, durante muitos anos, para pessoas que a gente sabe, de antemão, que vão enfrentar um território muito minado, difícil, áspero, com poucas recompensas intelectuais, é meio frustrante. Eu me sentia até como se estivesse tentando vender algo que eu sabia que não era bom; um vendedor de má qualidade passando um peixe meio podre.

Maria Aparecida Moura – O que o estimula a ser um editor da área de Ciência da Informação, da área da cultura no Brasil hoje?
Antônio Agenor Briquet de Lemos – Foi uma coisa muito natural, por assim dizer, muito prática, voltada pelo reconhecimento que eu pude fazer, desde cedo, da enorme carência que havia de texto na nossa área. Quando eu cheguei a Brasília, para lecionar Introdução à Biblioteconomia, essa era uma disciplina nova no Brasil. O Edson Nery da Fonseca a tinha criado e ele é que ministrava essa disciplina, que tinha uma carência enorme de textos em português. Às vezes eu traduzia um ou outro artigo. Em alguns momentos o próprio Edson, que sempre se preocupou com essa questão, fazia parcerias com instituições para que editassem livros na nossa área. Ou seja, sempre notávamos a carência de textos.

Eu me aposentei muito jovem. Comecei a trabalhar, com carteira assinada, com 15 anos e pude documentar a minha atividade remunerada desde cedo. Ao me aposentar, surgiu essa questão: o que fazer com esses anos que me restam? Eu tenho uma editora onde eu faço tudo porque eu fui treinado desde cedo em tudo. O meu pai era tipógrafo. Nós tínhamos uma tipografia em casa. Ele fazia jornal, chegou a fazer alguns livros. Eu fazia literatura de cordel, acompanhava e brincava de tipografia. Inclusive, me alfabetizei com os tipos. Quando fui pra escola, com 5 anos, já sabia ler e escrever. Sabia compor palavras com cartões. Depois trabalhei em jornal, como revisor, com editoras no Rio. Tive um bom segundo grau, no Colégio Pedro II, no Rio. Traduzo inglês, francês, espanhol, italiano. Pensei: por que eu não ponho esse conhecimento a serviço? Vou fazer uma editora! Isso foi em 1992/93. Já havia os recursos de informática. Não existia o Windows ainda. Era tudo DOS. Comprei um programa pra fazer as traduções. Dois amigos que tinham trabalhado comigo no Ibict me ajudaram a formatar os livros no computador. Eu fazia tudo e, quando chegava na fase final de produção do fotolito, contratava uma empresa. Hoje isso já desapareceu. Eu gero o texto no computador, o arquivo PDF, e mando para a gráfica em São Paulo. Os custos da produção em papel são muito altos. Eu tenho em casa um porão, com aparelho desumidificador ligado 24h, pra evitar umidade no papel e evitar insetos. É um aposento cheio de livros e eu espero cerca de 5 anos pra desovar aquilo. Não tem sentido. O livro eletrônico veio pra ficar.

UFMT – Qual a sua percepção sobre o avanço da publicação digital versus a publicação impressa? Qual a importância de, mesmo assim, ainda se manter os repositórios e coleções impressas?
Antônio Agenor Briquet de Lemos – Aquilo que já foi impresso tem que ser preservado. Agora o que é discutível é fazerem-se as duas coisas simultaneamente: papel e digital. Eu acho que a tendência é não fazer em papel; fazer sempre em digital para esse tipo de livro (científico). Agora, se eu tenho um livro de arte, onde eu posso inclusive perder tempo produzindo livro, não tendo ninguém me pressionando pelo meu currículo, pode ser até feito no impresso. A produção eletrônica é uma maravilha para livro técnico, que precisa de atualização constante.

Achar que o livro é gostoso de cheirar, de passar a mão é uma bobagem. E se as pessoas soubessem que o cheiro do livro é decorrente dos produtos químicos usados na fabricação do papel, da impressão… Acho que elas pensam que o cheiro é das ideias dos caras, sei lá… Não! São resíduos de produtos químicos que estão ali. E a resposta tem que ser sempre procurada do lado da economia, não da filosofia, ou da gastronomia. O que é mais econômico para o setor que produz isso? O que gera mais lucro? É isso que vai vingar. Talvez discussões parecidas tenham surgido na época da invenção da imprensa pelo Gutenberg. A gente sabe disso. Há registros de que, quando o Gutenberg lança a Bíblia. Em primeiro lugar, ele lança a Bíblia, em princípio, comercial, visando o lucro. Associa-se, então, com dois financistas que tinham dinheiro. Ele tinha Know-how. Para GANHAR DINHEIRO, Gutenberg faz uma Bíblia que procura se aproximar ao máximo das Bíblias manuscritas, inclusive com iluminuras, desenhos, ornamentações. E, durante muitos anos, o livro impresso, na imprensa de Gutenberg, era considerado um produto de segunda categoria. Os nobres continuavam pagando aos grandes artistas, aos grandes copistas e iluminadores, pra fazer os livros de reza no velho estilo. Aquilo é que tinha dignidade. O outro era para a plebe. Esse tipo de discussão sempre existiu. E o que prevaleceu? Prevaleceram, no caso do Gutenberg, além das razões de praticidade, as razões de ordem econômica. A produção do livro medieval era algo tipicamente artesanal, apesar do trabalho em grupo, especialização. Com Gutenberg, começa a história da escala industrial e de um produto que vence pela semelhança, quase que perfeita, entre as diferentes unidades que formavam a edição, o todo. Então eram feitos 500 exemplares exatamente iguais. Imagina isso na cabeça das pessoas da Idade Média. Houve gente que acusou a imprensa de ser uma invenção diabólica, porque os livros eram todos iguais.

Então, eu acredito na importância das razões de ordem econômica. O preço de um produto é aquilo que o indivíduo está disposto a pagar por ele. Não adianta ficar estudando, precificando. A Capes está disposta a pagar 100 milhões de dólares por ano pra manter o Portal de Periódicos, ela paga! E por que ela paga? Porque os usuários estão dispostos a aceitar esse preço.

Quem é que comercializa livro digital no mundo hoje? A Amazon, que inclusive vende o leitor também, que faz um sistema proprietário, exclusivista, que só roda naquele leitor. Ninguém reclama. Continua sendo a mais vendida, embora tenha até concorrência. Você vai brigar agora contra isso? Então, veio pra ficar. É democrático. Eu acho que essa história da autoestima, do camarada que quer editar a qualquer custo, agora ele tem essa chance.
É só ele quebrar essa mística do livro. É possível até descobrir uma maneira de dar autógrafo virtual, uma tarde de autógrafo na internet. É uma maravilha você pegar um livro, colocá-lo na internet – o local certo, evidentemente – e daí a pouco estar recebendo resposta. Não é algo fabuloso?

Maria Aparecida Moura – Quando o senhor diz colocar no lugar certo, o que significa isso exatamente? O senhor fez uma articulação em relação à questão da qualidade dos veículos, das fontes de disseminação…
Antônio Agenor Briquet de Lemos – Hoje existem vários lugares certos. Os repositórios das próprias universidades é um deles. O ideal é que houvesse um único repositório nacional, ou então um lugar com links onde eu entrasse e acessasse um catálogo coletivo. O que é um pouco parecido com o que o Darnton está fazendo nos Estados Unidos, com a Biblioteca Pública Digital lá. Outro lugar certo são os próprios serviços comerciais. A Amazon e o Google aceitam meus livros. Eu posso fazer um livro e colocar lá. Ele é o lugar certo porque é o local que tem visibilidade. Isso eu não posso negar.

Carla Pedrosa – Professor, você falou também sobre essa relação perniciosa entre autores, instituições de pesquisa e o mundo da edição eletrônica. O acesso livre é um caminho pra solucionar esse problema, mas ainda há muito que fazer. Quais caminhos o senhor aponta no sentido de tentar solucionar essas questões?
Antônio Agenor Briquet de Lemos – Eu acho que tem que partir das próprias universidades, pesquisadores, professores. Em primeiro lugar, eles têm que aceitar o fato de que, ao contrário do que se diz por aí, a publicação, em si mesma, não é tão importante quanto eles supõem. Não adianta publicar e continuar ignorado. Você tem que publicar para ser lido e entendido. Essa questão é muito importante. O pesquisador, autor, professor tem que abandonar essa ideia subjetiva, mística, e dizer: “Eu quero publicar, mas não quero que isso seja avaliado por métodos quantitativos. Eu quero que um dia eu tenha retorno disso que escrevi etc”. Isso não é algo quantificado, entende? Não adianta quantificar.

Carla Pedrosa – Então não seria necessário um sistema de avaliação?
Antônio Agenor Briquet de Lemos – Eu acho que as duas coisas têm que coexistir. É necessário evitar os extremos, procurar soluções intermediárias. Então, por exemplo, caberia aqui no Brasil, à Capes e aos outros órgãos de governo, fortalecer os periódicos científicos brasileiros e as respectivas comunidades, como importantes e de qualidade. Além disso, criar mecanismos para a melhoria desses periódicos, tornando quase que permanente a formação de editores de textos científicos, o “editor técnico”, como chamam nos Estados Unidos. O camarada que recebe o texto antes de ser avaliado pelo especialista, para corrigir o inglês, tornando-o compreensível. Nós não temos isso aqui. Então, ao chegar o artigo, seria necessário enviá-los para um especialista em português técnico, para que verificasse se está adequado. Outro problema é dizer aos pares como é que se avalia um artigo, como se redige um parecer. Tive a oportunidade de ver alguns pareceres estrangeiros. Em primeiro lugar, não eram hostis. Mesmo que o texto fosse ruim, os comentários eram construtivos, eles procuravam orientar o autor. Aqui no Brasil, é muito depreciativo e até agressivo.

Há também que se capacitar o pessoal para escrever bem em inglês. Dessa forma, cria-se, inclusive, uma indústria editorial em papel ou digital científica, que passa até a atrair artigos de fora. Então, quebra-se um pouco também o complexo do colonizado, a “síndrome de vira-lata”.

Ivone Job – O CNPq chamou editores oferecendo pagamento pelas editoras internacionais da produção das revistas brasileiras. Vários editores estão encantados com a ideia. O que o senhor pensa sobre essa iniciativa do CNPq?
Antônio Agenor Briquet de Lemos – Isso começou com uma revista de matemática feita pelo Instituto de Matemática Aplicada, no Rio de Janeiro, já faz alguns anos, eles se associaram à Elsevier, se não me engano. É exatamente esse procedimento que eu critiquei. As editoras estrangeiras vão adorar, porque estão entregando pra elas, e ainda pagando, as nossas commodities. Não tem sentido nenhum. Uma vez, em 1990, a editora da USP organizou um seminário em São Paulo sobre editoras universitárias e eles convidaram representates das editoras da Universidade de Cambridge e da Oxford University Press, e editores brasileiros, UnB e tal. Perguntei: “Como é que vocês conseguem, em Oxford e Cambridge, financiar as revistas científicas que aqui no Brasil dão sempre prejuízo?”. Pela resposta, compreendi que Revista científica é lucrativa para aquelas editoras que recebem artigos científicos de graça e cobram para publicá-los, vendendo assinaturas e tornando o público cativo.

Sandra Santiago e a Luíza de Oliveira – UFPE – Qual é a sua opinião em relação a determinados programas de pós-graduação que no lugar da tese e da dissertação têm aceitado um conjunto de artigos publicados ao longo do processo de desenvolvimento da pesquisa?
Antônio Agenor Briquet de Lemos – Isso é muito correto. Há várias universidades fora do Brasil que fazem isso. Eu me lembro quando eu estava dirigindo o Ibict. O Ibict era depositário de teses feitas por bolsistas do CNPq de várias universidades brasileiras e estrangeiras e algumas vezes eu vi serem entregues exemplares de teses de doutorado, na Suíça, que eram uma coletânea de separatas dos artigos que as pessoas tinham publicado. Na Inglaterra, na cidade onde eu fiz o Mestrado, eles tinham lá o que eles chamavam de doutorado por pesquisa, no qual o doutorando reunia os trabalhos de sua vida profissional, entregava, fazia uma apresentação e eles reconheciam aquilo. Perfeito.

Maria Aparecida Moura – Você acha que isso é aplicável às diferentes áreas do conhecimento ou há restrições?
Antônio Agenor Briquet de Lemos – Eu acho que é, desde que seja feito com seriedade, com critério, de forma transparente, e que não seja restrito a um ou a outro. Todo mundo deve ter o mesmo direito.

Viviane – Embrapa – Pensando na comunicação científica relativa à transferência de tecnologia de uma instituição de pesquisa. Como pensar na questão do direcionamento preferencial dos pesquisadores nos artigos de periódicos indexados em relação à extensão ou apropriação dos resultados de pesquisa em publicações técnicas para um público que está sendo prejudicado pela problemática do sistema mercadológico e meritocrático?
Antônio Agenor Briquet de Lemos – Os artigos científicos em geral medem a produção do indivíduo que faz pesquisa desse tipo que reconhecemos. Há outro tipo de artigo que não tem nada a ver com isso, mas que também é importante: por exemplo, o artigo de extensão na área agrícola; um trabalho que resolva reprocessar informações científicas numa linguagem acessível ao produtor. Bacana! Se o cara tiver feito algo que propiciou o aumento da produção de soja, qual é o problema? Quando eu era da Associação Brasileira de Editores Científicos (Abec) , havia um representante que participava da seleção do Prêmio José Reis, um prêmio que o CNPq concede aos trabalhos de divulgação científica, jornalística etc. Eu me lembro que, em uma das vezes, resolveu-se premiar o jornalista José Hamilton Ribeiro, que, na época, trabalhava no “Globo Rural”. Ele produziu, durante a vida, programas de extensão rural, de divulgação das coisas do campo etc. Eu fui um defensor ardoroso e os outros colegas da comissão aprovaram. E o segundo concorrente era um cara que escrevia, para o Jornal “O Estado de São Paulo”, artigos sobre ciência, astronomia, cosmologia, e apresentou um monte de artigos. Eu disse: “Eu acho que o impacto social desse trabalho é muito menor do que o que José Hamilton fez”. O cara do Jornal “O Estado de São Paulo”, quando ficou sabendo do resultado, enviou uma carta de protesto ao CNPq. Consequência disso: o jornal tomou conhecimento da carta e demitiu o cara. Aí tempos depois eu vi que ele estava trabalhando na edição brasileira do Scientific America. Então, essa história da decisão muito “bitolada”, de acordo com critérios que nem sempre são os mais importantes, passa pelo aspecto da avaliação. Nós temos que desmontar essa história da avaliação baseada em questões tão rígidas. A Universidade tem como finalidade ensino, pesquisa e extensão. Aí, na hora da avaliação, só considera-se meritória a pesquisa. Ensino ninguém mais quer ensinar. E a extensão tem o sentido social da Universidade…

Ana Lúcia – UFSJ – Os autores assinam termo, para os editores, de não publicar os artigos em outras revistas. Como fica essa questão quando se disponibiliza o acesso livre em Repositórios Institucionais?
Antônio Agenor Briquet de Lemos – Eu acho absurdo. Acho que o autor em geral não pode abdicar do seu direito patrimonial sobre os artigos. Começa por aí. Se todos os autores se organizassem, por meio de associações nacionais e internacionais, para enfatizarem que não repassam os direitos autorais, no máximo autorizando a revista a publicar naquele número, seria diferente. Ou seja, os autores precisam assumir uma atitude mais “agressiva”, menos complacente em relação aos editores. As editoras se aproveitam desse fato de que os autores têm necessidade de publicar. Calma! Para comunicar, não é necessário publicar. E outra, conversa com os pesquisadores de ponta da Universidade, das áreas de Física, Química, Biologia, pergunta a eles se consultam as bases de dados internacionais… Eles recebem dos colegas as últimas informações de ponta! Os chamados “colegas invisíveis” continuam existindo. Então se você coloca na internet, no repositório, e avisa aos colegas que interessam, fica mais fácil. Para isso acontecer, eu tenho que acabar com o mecanismo de avaliação de mérito baseado em publicação.A publicação tem que se destinar a comunicar; não pode ser um elemento de avaliação.

Maria Aparecida Moura – Que perspectivas o senhor tem para o mercado editorial, para a comunicação científica?
Antônio Agenor Briquet de Lemos – Está meio complicado. Aqui no Brasil, as editoras científicas estão em uma fase de hibridismo: formato impresso e eletrônico. Acredito que logo passarão apenas para o formato eletrônico, podendo haver um período intermediário em que eles fornecerão em papel, sob demanda, o que já acontece em alguns países. Fora do Brasil, tenho quase certeza de que o livro em papel vai se tornar um artigo importante para as artes, a religião etc. Eu falo isso, mas também não tenho certeza. Pode ser que amanhã eu encontre um pastor na praça pregando por meio da Bíblia digital. É imprevisível. Uma vez eu escrevi um artigo para uma palestra que eu fiz em Brasília, nos anos 60, sobre o futuro da Indústria Gráfica, em que eu dizia que nada disso ia acontecer. Eu tenho vergonha, porque estava marcado por uma origem… Hoje eu penso: Que bobagem eu falei! As coisas mudam, queira você, ou não. Até coloquei no facebook um texto do Gunnar Myrdal, economista sueco importante nos anos 60. Ele dizia que a única certeza se tem, em relação à política e às coisas que acontecem no mundo, é o inesperado, ou seja, a mudança, a imprevisibilidade de tudo. Quem é que podia escrever que a União Soviética iria acabar da forma que acabou? Quem é que podia garantir que o Muro de Berlim iria ser derrubado e que a China iria virar uma potência? Quem é que podia garantir isso? Na área tecnológica, gravador digital era invenção do Dick Tracy, de história em quadrinho. Os chineses têm o seguinte provérbio: “Fazer previsões é extremamente difícil, principalmente em relação ao futuro”. É difícil. Nós estamos passando por uma época complicada. Não adianta avaliar se ontem era melhor do que hoje. Se a maioria aceita, eu tenho o direito de dizer que isso é bom ou ruim?

Carla Pedrosa – O senhor acredita na coexistência do impresso e do digital?
Antônio Agenor Briquet de Lemos – Em alguns aspectos sim, mas como uma grande tendência de o passado ser sempre algo minoritário, sem grande influência, no caso do livro impresso. Eu acredito que as bibliotecas de obras raras terão um desenvolvimento fantástico, como nunca se pôde imaginar. E no Brasil isso já pode ser percebido. De uma hora pra outra, percebeu-se que os livros podem desaparecer e que é preciso preservar.

Fonte: UFMG

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