Entrevista: Doroteia Roz, a Bibliotecária Mal-Humorada

A personagem Srta. Doroteia Roz está conquistando bibliotecários de todo o país. Há três anos, por meio da página Bibliotecária Mal-Humorada, no Facebook, o bibliotecário Lucas Rodrigues cria mensagens de humor relacionadas ao universo da profissão. De forma divertida e leve, imagens e frases cômicas ironizam o universo e a rotina dos bibliotecários, que vêm sendo intensamente compartilhadas pelos leitores.

NOTA 3.1

Página brinca com situações recorrentes na profissão dos bibliotecários (Ilustração: Lucas Rodrigues)

O site Portal do Bibliotecário entrevistou o criador da página, Lucas Rodrigues, e revelou um pouco sobre a rotina e as ideias do autor desse meme que é sucesso na internet. A matéria foi postada no blog do CRB-6 e suscitou diversos comentários, com quase 3.000 visualizações.

NOTA 3.2

Lucas Rodrigues é o criador da página Bibliotecária Mal-humorada (Foto: Divulgação/Facebook)

Pela curiosidade despertada nos leitores do Boletim Eletrônico, o Conselho Regional de Biblioteconomia 6ª Região (CRB-6) também conversou com o bibliotecário, que é do Rio Grande do Sul. Confira abaixo entrevista concedida pelo criador da Srta. Doroteia Roz!

A sua página é curtida por mais de 10 mil pessoas. Você já teve algum retorno inusitado ou mensagem que fugisse do propósito das publicações?

Para lidar com o público temos que estar prontos para todo tipo de situação. Já tivemos várias mensagens que fugiram do normal, que é sugerir postagens. Muitas pessoas já me procuraram, por exemplo, para saber mais sobre o curso de Biblioteconomia e o mercado de trabalho;  ou me relataram situações de assédio moral, envolvendo a equipe da biblioteca, me pedindo conselhos de como deveriam proceder nessas situações. Também fui procurado para contribuir e elaborar questionamentos em trabalhos acadêmicos de graduação e pós-graduação, que tinham como objeto de estudo a Bibliotecária Mal-Humorada, entre outros exemplos de retornos que recebi. Em todos esses casos, procurei ser solícito e responder às questões ou encaminhar a algum órgão que pudesse passar uma orientação adequada.

Em algum caso alguém se ofendeu ou interpretou mal uma das postagens? Se positivo, como você reagiu à situação?

Ninguém nunca relatou na página que se sentiu ofendido. Foram poucas as situações em que alguém interpretou mal e manifestou insatisfação com o conteúdo. Já recebi críticas mais enfáticas e abri espaço para que essas pessoas argumentassem. Houve quem julgasse a Roz como uma personagem que induzia a uma imagem negativa desses profissionais, como se eles realmente fossem mal-humorados. Ora, sejamos sensatos, se um quadro de humor na internet consegue ditar a reputação e a competência de uma profissão e de suas respectivas instituições, acredito que estamos perdendo a capacidade crítica e de rir sobre nós mesmos, ou seja, de refletir sobre a vida contemporânea, coisas que só a sátira nos proporciona. Contudo, de uma forma geral, mesmo diante dessas raras críticas, a maioria dos seguidores da Bibliotecária Mal-Humorada demonstraram total entendimento sobre a sua proposta que é o humor e, acima de tudo, a desconstrução da imagem negativa desse profissional, e defenderam essa ideia. Essa é a sua essência e é assim que deve ser encarada. Por isso, sempre reagi às avaliações com muita tranquilidade e abro espaço para as discussões que surgem, pois acho esse debate muito saudável.

Você esperava pela repercussão que a Doroteia Roz tem hoje?

Não, foi uma surpresa. Imaginei que se popularizaria somente na minha região, no Rio Grande do Sul. Porém, a personagem é tão viral que, hoje, atinge países como Portugal, Colômbia, Estados Unidos, Peru, entre outros.

Qual a imagem mais compartilhada?

A que a Roz responde impaciente ao pedido do usuário: “Tem aquele livro azul com as letras amarelas?”.

Sobre a profissão, quais as habilidades você acha que um bom profissional deve ter?

Acredito que essa habilidade não está inerente somente à nossa, mas à maioria das profissões: é necessário ser político. Pode soar estranho, mas, no dia a dia, ter jogo de cintura para lidar com os mais diferentes tipos de usuários é fundamental. Além disso, precisamos ter uma diplomacia astuta para, muitas vezes, convencer a instituição a investir no setor da biblioteca. Outra habilidade importante é saber se comunicar, não somente com a equipe, mas com o público externo, promovendo e difundindo o papel da biblioteca dentro da sociedade, atraindo, assim, novos usuários e agregando serviços.

O que você acha do sistema CFB/CRB e da sua operação integrada?

Eu acho extremamente importante termos órgãos que regulamentem e fiscalizem nossa profissão. Sou um admirador do trabalho desses colegas que doam parte do seu tempo para nos representar e que, ao contrário do que alguns pensam, fazem bastante para que os bibliotecários não tenham seu espaço ocupado por leigos.

Qual a sua mensagem para os leitores do Boletim Eletrônico do CRB-6?

Gostaria de agradecer o convite para falar sobre a Bibliotecária Mal-Humorada. Saibam que sinto orgulho da profissão que exerço e que esse ofício vai muito além de processar livros, revistas etc. Somos mediadores da informação, incentivadores da leitura, líderes em potencial, comunicadores, motivadores e, acima de tudo, bibliotecários(as) que promovem a cultura!

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