Jovem de 18 anos é preso após furtar mais de 300 livros para ler

Assunto movimentou as redes sociais

A paixão de um jovem pelos livros virou caso de polícia em Itápolis, interior de São Paulo. Depois de furtar e levar para casa 384 obras de todos os gêneros, Flávio Fernando de Oliveira, 18 anos completados em março, foi flagrado no dia 17 de julho por guardas municipais no momento em que saía da biblioteca municipal com seis exemplares em sua mochila – o empréstimo de apenas dois havia sido registrado. Levado à delegacia da Polícia Civil, o leitor contumaz foi autuado por furto. Os guardas foram à sua casa e recuperaram os livros furtados ou emprestados do estabelecimento público e de outras cinco bibliotecas escolares da cidade.

Livros eram organizados em estantes na casa do jovem, em Itápolis (Foto: Guarda Municipal de Itápolis/Estadão)

O caso lembra a história do filme “A Menina que Roubava Livros” (2013), dirigido por Brian Percival, em que a personagem central, Liesel Meminger, roubava livros para ler e partilhar com amigos na Alemanha, durante a Segunda Guerra Mundial. O morador de Itápolis mantinha os livros bem conservados e organizados numa estante. “Ele gosta de ler desde pequeno e ficava horas trancado no quarto, folheando os livros”, conta a irmã Maria de Oliveira. “A gente não sabia que ele pegava os livros assim. Ele sempre dizia que emprestava ou ganhava.” Ela disse que o rapaz nunca revelou preferência por algum gênero. “Ele é bem eclético, lê de tudo. Eu o via sempre lendo.”

O rapaz, que mora com a família em uma casa simples, no Jardim 2000, disse à reportagem do jornal O Estado de São Paulo que está envergonhado com a situação, pois não era sua intenção ficar com os livros. “Eu pegava para ler e ia devolver, mas acabei deixando em casa.” Ele, que concluiu o ensino médio e pretende cursar faculdade de psicologia, disse que gosta de ler desde que era criança. “Eu lia todos, sobre tudo.” Perguntado sobre o motivo de ainda não ter devolvido os livros, ele se esquivou. “Desculpe, mas não estou passando bem. Tem muita gente ligando aqui, fazendo piadas, falando coisas. Ficou uma situação desagradável.”

Fonte: O Estado de São Paulo

Roubo movimenta redes sociais

Nas redes sociais, a prisão do rapaz ganhou repercussão. A maioria dos comentários problematiza o fato de que ele cometeu o crime para ler, o que para muitos é diferente de alguém que furta um celular, por exemplo. “E agora, bandido bom é bandido morto?”, provocou um dos internautas.

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