Livros digitais são 6,89% do mercado trade no Brasil, aponta Global eBook

A edição 2017 do Global eBook: a report on market trends and developments está sendo lançada mundialmente hoje. O relatório é elaborado pelo consultor austríaco Rüdiger Winschenbart, com a contribuição de especialistas de todo o mundo, entre eles os amigos Javier Celaya, da Espanha, e Miha Kovač, da Eslovênia. Eu sou responsável pelo capítulo brasileiro do estudo.

Esta edição traz duas novidades. A primeira é que se optou por um texto mais enxuto e objetivo, apresentando os dados de forma mais clara e direta, sem “encher linguiça”. Com isso, o número de páginas caiu de 226 para 170. Isto, com certeza, facilitou a leitura sem impedir a inclusão de dados e estatísticas novas.

E esta é a segunda novidade, pois o Global eBook Report 2017 agora oferece novas maneiras de se observar detalhadamente as mais recentes tendências digitais graças à cooperação de diversos distribuidores europeus de e-books, que forneceram seus dados para análise. Assim, o retrato apresentado por Rüdiger Wischenbart dos mercados britânico, alemão, francês, espanhol, italiano, holandês e esloveno é, além de interessante, inédito e exclusivo.

O relatório já se encontra à venda por apenas 20 euros, mas compartilho aqui os principais dados do capítulo brasileiro aqui:

A participação dos eBooks no mercado trade brasileiro

A pesquisa que elaboro do tamanho relativo do mercado de livros digitais no Brasil está longe de apresentar uma grande precisão científica ou estatística. Infelizmente, os players do mercado digital nacional não publicam seus dados e não existe uma pesquisa mais profunda sobre a performance dos e-books.

Desta forma, eu me baseio em uma amostra bastante considerável de dados de editoras, varejistas e distribuidores que contribuem com a pesquisa desde que as fontes dos dados não sejam divulgadas. Comparo estes dados com os números da Nielsen Bookscan, limitando-se ao mercado trade, i.e. de interesse geral, e chego a uma estimativa que considero bastante razoável – um “guesstimate” ou “educated guess” como dizem os gringos. Ainda assim, coloco minha mão no fogo de que esta é a melhor estimativa existente hoje no Brasil, ainda mais porque tenho mantido a metodologia ao longo dos anos.

De acordo com os dados, 6,89% das unidades comercializadas pelas editoras de interesse geral em 2016 eram e-books, o que representou 3,16% do faturamento delas. Antes de julgarmos estes números baixos, vale a pena olhar a variação destes índices no ano passado. Um crescimento de mais de 50% na participação em volume não é nada desprezível. E o fato de a participação no faturamento ter crescido cerca de 23% – número ainda relevante ­– significa que o preço médio dos livros digitais caiu.

O market share do varejo de eBooks

Outra estimativa – ou “guesstimate” – que consegui elaborar é a da participação de cada loja no mercado brasileiro. A margem de erro aqui é gigante – eu diria que uns 5%.

Os destaques de 2016

Entre os destaques do eBook Global Report 2017, duas empresas merecem menção especial. A primeira é o Google, que ocupa agora um honroso e isolado segundo lugar entre os varejistas de eBooks no Brasil. É difícil apontar razão deste crescimento, mas o fato é que a Google tem conquistado mercado de forma considerável. Seria interessante discutir o que a empresa tem feito e que está dando certo em outra oportunidade.

A segunda menção vai para a Bookwire, empresa que tenho a honra de ser advisor e que já distribui quase 200 editoras no Brasil. A empresa distribuiu mais de 1,4 milhão de e-books em 2016, o que representou um crescimento de mais de 500% em relação ao ano anterior. Já seu faturamento cresceu mais de 280%. Com isso, a empresa alemã se estabelece como uma das grandes distribuidoras em atuação no mercado brasileiro, ao lado da musculosa DLD.

O self-publishing não foi considerado

Além do fato de que esta pesquisa é apenas uma estimativa e de que os números aqui se referem apenas ao mercado de interesse geral (trade), como já foi esclarecido, vale enfatizar que o mercado independente – i.e. o self-publishing digital da Saraiva, Amazon, Bibliomundi, Clube de Autores etc. –, não foi considerado aqui. Portanto, é possível que o mercado de e-books tenha crescido bem mais no ano passado, uma vez que as plataformas de self-publishing têm apresentado bons resultados.

Como os dados do próprio Global eBook Report 2017 apontam, a plataforma Publique-se da Livraria Saraiva cresceu de 4.800 para 16.000 em dois anos (2015-2016) e o catálogo do KDP da Amazon vem crescendo mais de 1.500 títulos por mês segundo estimativas do mercado. Ou seja, é um mercado relevante que não pode ser negligenciado em qualquer análise estratégica. Infelizmente, não foi possível incluí-lo neste estudo.

A Fipe vem aí

A Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), que é responsável pela pesquisa Produção e Vendas do Mercado Editorial Brasileiro, está realizando um censo para mensurar o tamanho do mercado digital brasileiro. Tal ação é extremamente bem-vinda, pois os resultados com certeza serão mais científicos e terão mais relevância estatística do que as estimativas aqui presentes. Além disso, acredito que a Fipe tem muito mais capacidade do que eu para estimar o tamanho do self-publishing. Capitaneado pela competentíssima economista Mariana Bueno e coordenado pela Professora Leda Paulani, este estudo digital com certeza trará em breve um retrato mais rigoroso e tão necessário do mercado brasileiro de e-books. Até lá, coloco minhas guesstimates à disposição.

O Global eBook Report 2017 pode ser adquirido no endereço: www.global-ebook.com.

Fonte: PublishNews | Carlo Carrenho

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