Média de leitura de livros no Brasil diminui

No Dia Nacional do Livro, confira a opinião de quem é dono de livraria, escritor, livreiro e, claro, dos leitores, sobre os rumos da leitura no país.

Para o livreiro Rafael, o espaço das livrarias e a sua profissão não devem ser extintos (Foto: naSavassi/Bruno Fonseca)

Para o livreiro Rafael, o espaço das livrarias e a sua profissão não devem ser extintos (Foto: naSavassi/Bruno Fonseca)

Não é novidade que a média de leitura de livros do brasileiro é menor que a de diversos outros países – segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil deste ano, realizada pelo Ibope, o brasileiro lê em média 4 livros por ano, apenas 2,1 livros até o fim. A novidade é que essa média pode estar caindo. Em 2007, a mesma pesquisa apontou 4,7 livros lidos por ano. O levantamento foi realizado pelo Ibope Inteligência com 5 mil pessoas em 315 municípios de junho a julho de 2011. Vale ressaltar que a pesquisa inclui a leitura da Bíblia e de livros didáticos na conta.

Entretanto, mesmo com a diminuição da média de leitura dos brasileiros, o tempo não aparenta ser de vacas magras para as livrarias. De acordo com o proprietário da Quixote da Savassi, Alencar Perdigão, tem crescido o número de publicações no Brasil. “Nunca vi tanta editora nova no mercado, acredito que devido aos best-sellers e livros de auto-ajuda empresarial. O problema para algumas livrarias é de como estocar tantos livros que são lançados”, conta.

Para o escritor Fernando Fabbrini, que lançou seu primeiro romance neste ano na própria Quixote, mesmo com o crescimento do número de publicações ainda é difícil para um autor iniciante lançar um título. “O critério das editoras é lucro, então ela busca quem já é consagrado, isso quando não importa best-sellers de outros países. Além disso, a não ser que você venda milhares e milhares de livros o lucro que é repassado para o escritor é muito pequeno”, critica. Fabbrini optou por lançar seu livro de forma independente, sem contrato com editora.

Internet desafia o livro tradicional

Em tempos de e-books e sites de compra sob demanda de livros, muitas lojas tradicionais não sabem se irão manter o negócio. É o caso do sebo Buquinar, que hoje vende mais através do seu portal virtual do que na loja de carne, osso e páginas amareladas. Segundo a proprietária, Dulcinéia Chagas, há a possibilidade de que o negócio migre para o mundo on-line, mantendo apenas um depósito físico para armazenar os livros. “Hoje em dia, os sebos estão todos na internet. O que está restando de livrarias são apenas as grandes, onde a literatura está totalmente banalizada. Metade do que é vendido são livros de auto-ajuda”, critica.

“A literatura está totalmente banalizada. Metade do que é vendido são livros de auto-ajuda”.

Apesar das previsões apocalípticas e do avanço da tecnologia, há quem ainda aposte nas prateleiras abarrotadas de livros de papel, como o estudante de Letras Rafael Duarte, livreiro há cerca de quatro anos. Segundo ele, que deve sua paixão pelos livros ao pai – que foi colecionador de dicionários – o ambiente da livraria e a figura do livreiro podem até sofrer modificações, mas estão longe de serem extintas. “Existe uma solidão intelectual de quem lê, que essa falta de alguém para conversar, trocar experiências ou mesmo pedir indicações de leitura. O espaço da livraria tem esse público que busca uma proximidade que a internet não dá conta”, aposta.

Quem lê o quê?

(Foto: naSavassi/Bruno Fonseca)

(Foto: naSavassi/Bruno Fonseca)

A ilustradora e estudante de Jornalismo Luciana Cafaggi (na Livraria Leitura do Pátio Savassi, acima à esquerda) lê cerca de dois livros por mês e seu escritor favorito é J. D. Salinger, de O Apanhador no Campo de Centeio, embora também seja fã de quadrinhos e livros de suspense. O que a faria ler mais? “Tempo, falta tempo para conciliar trabalho, estudo e vida social e ainda ter disposição para chegar em casa e ler um livro ao invés de cair na cama e dormir”, diz.

A estudante Marina Neves (acima à direita) lê cerca de três a quatro livros por mês, sobretudo com temática de fantasia. Atualmente, ela está lendo o quarto título da série Percy Jackson e sua escritora favorita é J. K. Rowling, de Harry Potter. O que a faria ler mais? “Precisaria ter mais tempo e ganhar mais livros porque é caro para comprar sempre”, comenta.

OS SEBOS DA SAVASSI
Sebo Buquinar – Rua Antônio de Albuquerque, 852 – Telefone: 3287-5166

Sebo Comunicação – Rua Alagoas, 1405 – Sobreloja 26 – Telefone: 3222-3182

Companhia do Livro – Rua Paraíba, 1342 – Telefone: 3227-3957

Obs: O acervo destes sebos pode ser consultado no site www.estantevirtual.com.br

Fonte: naSavassi | Bruno Fonseca

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