Muito além dos livros

Para jornal, bibliotecas de Belo Horizonte ainda são importantes espaços de convivência

Sophia não é funcionária da Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte, localizada na Praça da Estação, mas é solícita com funcionários e, principalmente, usuários do espaço. Para os visitantes de primeira viagem, é ela quem faz as devidas apresentações e indicações de livros que já passaram pelo seu crivo. Com apenas quatro anos, a menina fã de livros é um exemplo de como a biblioteca pode se tornar uma segunda casa.

Denise Parreiras é ex-estagiária da Biblioteca Infantil e Juvenil. Atualmente, como professora de Educação Infantil, ela resolveu apresentar à filha Sophia Gabrielle o lugar “onde a mamãe trabalhou”. A biblioteca se tornou propriedade de Sophia. Denise conta que ela é apaixonada pelo lugar, conhece todo mundo e que sua função é só levá-la. “Essa relação com a biblioteca fez muito bem a ela, despertando o gosto pela leitura. Muitas vezes é a Sophia quem pede para contar a história para a gente”, destaca Denise em entrevista ao jornal Hoje em Dia.

Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte (Foto: Divulgação)

Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte (Foto: Divulgação)

Mesmo num tempo em que tudo parece ao alcance de um clique, as bibliotecas continuam atraindo pessoas. De acordo com a responsável pelo Departamento de Coordenação de Bibliotecas e Promoção da Leitura da Prefeitura de Belo Horizonte, Fabíola Farias, muitos usuários utilizam a biblioteca como um espaço de convivência. Fabíola cita outro exemplo, o de um senhor que também faz do local sua segunda casa. “Ele vem aqui todo dia, ficando até às 19h para ler os jornais”.

Ela sabe que aquele senhor mora no bairro Renascença, assim como conhece um pouco da vida de outros tantos visitantes. “São muitas as histórias das bibliotecas e dos leitores: algumas engraçadas, outras comoventes e umas poucas bastante preocupantes”, registra.

Na Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa não é diferente. Uma senhora foi ao espaço da Praça da Liberdade apenas para encontrar um livro que leu na escola, na infância.  “As Mais Belas Histórias” era o título, mas a lembrança da leitora se resumia “aquele que tem na capa uma bruxinha voando”, conta a coordenadora do setor de coleções especiais da Luiz de Bessa, Eliani Gladyr da Silva (CRB-6/2524). Segundo Eliani, quando achou o livro, a senhora se emocionou. Passou a mão na capa e começou a chorar, repetindo: ‘É este mesmo… é este mesmo!’.

A Diretora da biblioteca estadual, Alessandra Gino (CRB-6/1772) se recorda de um garoto de cerca de 10 anos que foi ao espaço por mais de uma semana pesquisar sobre Vital Brasil. De acordo com Alessandra, todos os dias, o menino procurava um aspecto diferente da vida do médico e pesquisador brasileiro. “Intrigada, uma funcionária se aproximou e perguntou a razão de tanto interesse pelo médico. A resposta dele foi simples: ‘Porque ele me inspira’”, recorda Alessandra.

Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa (Foto: Divulgação)

Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa (Foto: Divulgação)

Sindier Antônia (CRB-6/1542), coordenadora da Comissão de Bibliotecas Escolas do Conselho Regional de Biblioteconomia 6ª Região (CRB-6), reforça a importância do fomento do conhecimento. “Neste sentido, a biblioteca é um espaço fértil para a construção dos saberes”, completa.

This entry was posted in Artigos, matérias e entrevistas and tagged , , , . Bookmark the permalink. Post a comment or leave a trackback: Trackback URL.

Comentar

Your email is never published nor shared. Required fields are marked *

You may use these HTML tags and attributes <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

*
*