Ônibus-biblioteca amplia acesso à literatura em escolas públicas

Ônibus-biblioteca amplia acesso à literatura em escolas públicas

Data de publicação: 25/02/2012

Por Mariana Moreira

A monitora Lucia Morais conta historias no projeto Livros nas Pracas

A monitora Lucia Morais conta historias no projeto Livros nas Pracas

Para quem olha de relance, o ônibus do projeto “Livros nas praças” pode ser facilmente confundido com um veículo comum, estacionado entre a Linha Amarela e um campo de futebol na favela Águia de Ouro, em Del Castilho, na zona norte da cidade. No entanto, basta se aproximar para perceber que ali dentro tudo é diferente. O motorista ainda tem o seu espaço, mas os bancos deram lugar a prateleiras cheias de livros, e o corredor é tomado pelo vai e vem de leitores. Do lado de fora, coladinho ao ônibus-biblioteca, um pedaço da calçada forrado com tapete colorido de borracha se transforma em um lúdico espaço de contação de histórias.

Desde novembro, a biblioteca itinerante estaciona próximo a escolas públicas de 10 praças do Rio com a missão de levar livros para quem não têm acesso à leitura. Além disso, como afirma Camila Castanho, subcoordenadora do “Livros nas praças”, o projeto busca desconstruir preconceitos e desmistificar a relação entre monotonia e literatura, principalmente para os jovens leitores.

– Não importa a região que visitemos, sempre percebemos que as crianças querem estar com os livros, querem ouvir as histórias. Existe um preconceito contra os moradores destas regiões, e nós queremos mudar isso porque vemos, diariamente, que não corresponde à realidade. Eles adoram ler, só falta o acesso – explica Camila, ao afirmar que, apesar da timidez inicial, os adultos são frequentadores do ônibus:

– Sempre tem algum pai ou mãe que pergunta “adulto pode?” – conta ela, informando que cerca de 60 pessoas passam pelos ônibus de quarta a domingo.

Pais têm que dar o exemplo

O projeto é uma iniciativa da produtora cultural Korporativa, financiado por meio da lei do ISS, com o apoio da Secretaria Municipal de Cultura. Além da Águia de Ouro, de 15 em 15 dias o ônibus faz parada em Madureira, em Cascadura, na Pavuna, em Água Santa, nas favelas da Vila Cruzeiro, na Cidade de Deus, na Maré e no Complexo do Alemão, onde estará nesta sexta-feira.

O espaço sobre rodas é bem semelhante a uma sala de leitura. Há cadeiras, bancadas e, nas prateleiras, que abrigam cerca de 1500 livros escolhidos pela curadora e coordenadora Luísa Côrtes, há títulos para todos os gostos e idades. Além das edições infantojuvenis, há ficções clássicas como as de Jorge Amado, Julio Verne, Rubem Fonseca, biografias e livros de poesia. A média de idade dos leitores vai de 7 a 14 anos. E para pegar um livro emprestado é muito fácil: basta levar a identidade e um comprovante de residência. Já a devolução é feita quando o ônibus volta para o ponto de encontro com os leitores.

Na última quinta-feira (21), após alguns segundos percorrendo as prateleiras, a pequena Raniely de Oliveira, de 8 anos, aluna do Ciep Patrice Lumumba, sabia muito bem o que ia levar para casa. Escolheu a narrativa de “De pata, penas e escamas”, de Malô Carvalho (Ilustrações de Suzete Armani, editora Autêntica), mas revelou que gosta mais de outro gênero literário:

– Eu adoro poesia! – disse ela, segurando livro.

Embora seja um projeto de formação de jovens, que busca, junto com as escolas, complementar a experiência que os alunos e os moradores do entorno têm na escola, o veículo também recebe a visita de adultos. Muitos pais que acompanham os filhos acabam levando uma edição para casa. A dona de casa Cristiane Soares da Silva, de 36 anos, foi sozinha ao ônibus buscar uma edição infantil de “Os três Mosqueteiros”, de Alexandre Dumas, para o filho Nicolas, de 10 anos, e aproveitou para pegar “Quando ela se foi”, de Harlan Coben (Arqueiro).

– Essa é a terceira vez que eu pego livros emprestados. Ler faz bem. Muitos pais só reclamam do ensino e das que crianças não leem, mas temos que dar o exemplo e ler com eles – observou Cristiane.

Fonte: O Glogo

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