Paixão de menino de 12 anos pelos livros inspira comunidade

Erick Fhelipe Gomes (Foto: Reprodução)

Erick Fhelipe Gomes (Foto: Reprodução)

Erick Fhelipe Gomes, de 12 anos, caminha sobre uma passarela de pedestre vagarosamente e com sua total atenção presa a um livro. Nem mesmo o intenso ruído do cruzamento das rodovias José Lozano de Araújo (SP-110) e Anhanguera (SP-330), que passa sob seus pés, tira a sua concentração.

Na tarde de quarta-feira dirigia-se até a casa da avó Leonídia, no bairro Jardim Manchester, em Sumaré. Erick foi flagrado pelas lentes do repórter fotográfico Leandro Ferreira, e a foto postada como uma bela cena urbana no Facebook do Correio Popular. Em dois dias, a imagem alcançou quase duas mil curtidas e mais de 300 compartilhamentos.

Curiosamente, muita gente ficou sensibilizada com o fato de ainda hoje, em tempos de smartphones e tablets, uma criança empunhar um livro — já considerada uma cena rara, e que merece registro. Após a publicação da foto, os comentários de gente próxima ao garoto ajudaram a reportagem a identificar sua casa, e conhecer o fantástico universo literário que Erick está envolvido.

Ao abrir o portão de sua residência na Rua Ivan Astolfi, no próprio bairro Manchester, ele até parecia esperava ser entrevistado, tamanha naturalidade com que recebeu a reportagem. Depois da repercussão de sua foto, colegas do bairro foram até a sua casa aos montes mostra-lhe a imagem e também posar ao lado do menino. “Foi top”, resumiu a alegria de ser reconhecido. No dia do registro Erick lia o livro Querido Diário Otário, que relata a história de uma garota que faz tudo para roubar o diário da pior inimiga.

E livro é o que não falta na casa dele. No quarto, na sala e até mesmo na cozinha é possível encontrar alguns exemplares. A televisão na sala queimou no último temporal, e Erick tem mais um motivo para se debruçar sobre os livros. “Ler traz bastante inspiração. Comecei a ler gibis quando tinha 5 anos e não parei mais. Via os maiores na escola lendo e comecei a pegar livros grandes”, disse.

Como sabem que ele é consumidor contumaz de títulos, os professores da Escola Estadual Professor Zoraide Proença Kaisey deram recentemente mais de dez livros para o garoto. “Eles sabem que eu gosto de ler. Sou muito paparicado na escola”, abre o sorriso tímido. “Por semana pego três livros na biblioteca. Depois que eu começo a ler não paro mais, vou até as 3h”, relata o aluno do 7º ano.

Depois que deixa a escola, Erick segue caminhando para casa com o livro enfiado no rosto. Todo dia faz a mesma coisa. Depois de jantar e fazer as tarefas, pega os “companheiros” novamente e segue até de madrugada. O garoto mora somente com a irmã, de 19 anos — que tem a guarda do menor —, e com o cunhado, de 22. Sua mãe morreu em março deste ano, aos 45 anos, após complicações de uma doença denegerativa.

Arteiro, mas muito inteligente. É assim que o cunhado, e hoje em dia com atitudes de um pai, que Luis Guilherme de Souza fala sobre o menino. Foi Luis quem impôs limite severo no acesso ao celular, videogame e ao tablet. “Ele estava muito disperso com essas tecnologias. Colocamos um limite faz uns seis meses. Mas ele nunca deixou de ler um livro”, contou o vigilante, sendo ouvido atentamente por Erick.

As notas na escola não são menores que sete, garante, e em português diz que arrasa em redação. Ele garante que a constante leitura o ajuda a ter mais vocabulário e a encontrar as palavras certas na hora de uma prova. “Ao invés de fica nas redes sociais, vá ler um livro, porque traz inspirações para a vida.” Sendo assim, a reportagem levou para Erick quatro livros infanto juvenis para ele continuar inspirando muitos meninos e meninas a abrirem um livro.

Fonte: Correio Popular | Gustavo Abdel

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