‘Papa’ revisitado

Hemingway em novo projeto gráfico

Ernest Hemingway (Foto: Reprodução)Entre os 15 títulos de Ernest Hemingway (1899-1961) no catálogo da Bertrand, dona dos direitos de publicação da obra do norte-americano no Brasil, O Velho e o Mar foi o mais vendido. Ao longo de mais de meio século de livrarias brasileiras – e, principalmente, de compras governamentais (a última grande, de 30 mil livros, foi em 2009) –, a obra alcançou a marca de 1 milhão de exemplares comercializados. Na sequência, vem o também popular, mas de cifras mais modestas, Paris É Uma Festa, com 150 mil exemplares vendidos.

Natural, então, que O Velho e o Mar, livro publicado originalmente em 1952, que rendeu a ‘Papa’ Hemingway o Pulitzer e abriu caminho para o Nobel de Literatura que viria em 1954 e um dos muitos adaptados para o cinema, fosse o escolhido para inaugurar o novo projeto gráfico da editora, feito por Angelo Bottino. A 80.ª edição, já com a cara nova e texto revisado conforme o Acordo Ortográfico – a tradução, porém, é a mesma das versões anteriores –, acaba de chegar às livrarias. Paris É Uma Festa será o próximo, e sai entre outubro e novembro. Adeus às Armas, Por Quem os Sinos Dobram e O Sol Também se Levanta saem até o fim do ano. Depois virão os outros títulos.

E tem mais novidade: O Jardim do Éden, publicado postumamente, será lançado em 2014, e ficam na fila, para 2015, dois volumes com textos jornalísticos – Tempo de Viver e Tempo de Morrer.

Um bom momento para reler os livros ou iniciar uma incursão pelo universo do mítico escritor que dirigiu ambulância na 1.ª Guerra e saiu ferido, cobriu a Guerra Civil Espanhola, participou da 2.ª Guerra, caçou na África, pescou em Cuba, foi boêmio em Paris, fez amigos e inimigos e que, aos 61, desistiu de viver, deixando de herança seu estilo conciso.

“Lida hoje, a obra de Hemingway se converte numa inesperada arqueologia do mundo atual. De um lado, ele foi um dos primeiros a recorrer à economia da expressão e à brevidade das frases como forma deliberada de dialogar com a celeridade provocada por meios de comunicação, à época, audiovisuais”, avalia João Cezar de Castro Rocha, professor de literatura da Uerj e colaborador do Caderno 2. Ele completa: “De outro lado, boa parte de sua fama como escritor foi construída com base na sua biografia. Ele pagou um alto preço por essa exposição excessiva; talvez agora possamos chegar a uma leitura mais equilibrada de sua ficção; daí, a importância dessa reedição”.

Reproduzir esse estilo foi uma das preocupações de Angelo Bottino. “Por isso, imagens objetivas, diretas, que funcionam como ícones, emergindo do branco, que mascara todo o resto e confere unidade à coleção”, justifica. Isso tudo, diz ele, sem perder de vista o contexto histórico do livro por meio da tipografia ou do imaginário usado.

Fonte: O Estado de S.Paulo | Maria Fernanda Rodrigues

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