O poder de transformação da leitura

“Passei por uma fase terrível na vida. Minha casa não tinha um ambiente bom. Larguei os estudos e me perdi, mas posso dizer que os livros me salvaram. Me formei no colégio, e neste ano vou tentar uma faculdade. Venho aqui absolutamente todos os dias e passo horas lendo, fazendo anotações e buscando conhecimento”. Quem observa o jovem careca, em traje social, com diversas tatuagens espalhadas pelo corpo, inclusive no rosto e nas mãos, sentado em um dos bancos da biblioteca municipal Monteiro Lobato, no Centro de São Bernardo, concentrado em um livro, não consegue imaginar o poder de transformação que a leitura proporcionou à vida do promotor de vendas João Batista Silva Reis, 20 anos.

O poder de transformação da leitura (Foto: Reprodução/Diário do Grande ABC )

O poder de transformação da leitura (Foto: Reprodução/Diário do Grande ABC )

Morador do bairro Areião, o jovem carrega consigo o velho lema de que ”podem tirar tudo das pessoas, menos o conhecimento”. E para Reis, a biblioteca foi o caminho para ampliar o aprendizado e a cultura. “Quando estou aqui, me desligo do mundo lá fora. Gosto desse ambiente, de ter essa imensidão de livros para saborear. Biblioteca é a casa do aprendizado. Me sinto muito bem aqui.”

Felizmente, Reis não é o único a enxergar o livro como melhor amigo. O estudante de Arquitetura Kleyton William, 17, vai de duas a três vezes por semana à biblioteca. Morador do Parque Selecta, ele acredita que importante é unir aprendizado e prazer. “Se perder neste ‘mundarel’ de livros é uma grande oportunidade. Aqui me sinto em casa, já conheço até os funcionários. Jogo xadrez, leio, estudo. Prefiro estar aqui do que em qualquer outro lugar.”

O equipamento passou a ser mais atrativo após revitalização, que durou sete meses e foi concluída em dezembro do ano passado. E os números comprovam. Conforme a Fundação Toyota, responsável pelas melhorias, o número de visitas saltou de 14,9 mil pessoas nos primeiros sete meses de 2015 para 81,6 mil no mesmo período deste ano (variação de 447,6%). A quantidade de livros emprestados também aumentou, neste caso 116,1%: passou de 8.096 para 17,5 mil empréstimos.

A chefe de divisão de bibliotecas públicas de São Bernardo, Dalva Franceschetti, destaca que livro na estante não cumpre seu papel. E para que o exemplar esteja sempre nas mãos de alguém, o ambiente precisa ser atrativo aos jovens, o que exige a modernização do sistema. “Transformamos este espaço em uma biblioteca viva e pulsante. Temos um acervo de 55 mil livros, sendo que 5.000 vieram com a revitalização. ”

Entre as melhorias, houve instalação de rede wi-fi livre, compra de computadores e a separação dos espaços, com áreas destinadas a estudo, leitura, lazer (verão há abertura que dá acesso ao gramado), além de local reservado para quem precisa de silêncio e concentração, na parte superior do equipamento municipal.

Outra novidade foi a criação de sala multiuso para até 120 pessoas. O local pode ser usado para ensaios, palestras, reuniões e apresentações. A instalação de espaço para o café também faz parte da revitalização. Além disso, a administração tem realizado eventos culturais na biblioteca, como clubinho da leitura para crianças, e clube literário para adultos.

Prefeituras destacam espaços públicos existentes

Não é por falta de bibliotecas públicas e livros disponíveis que a população não lê. Algumas cidades destacaram as opções oferecidas aos munícipes.

A rede de bibliotecas de Santo André é composta por 17 unidades, sendo 13 convencionais e quatro temáticas, dentre elas: a biblioteca de Artes Dramáticas, biblioteca da Casa do Olhar Luiz Sacilotto, biblioteca da Casa da Palavra e a biblioteca do Centro de Dança. Atualmente, a frequência mensal de toda a rede é de aproximadamente 13 mil pessoas, com a realização de 8.000 empréstimos de livros, DVDs e HQs por mês.

Em São Bernardo, são administradas seis bibliotecas públicas, uma biblioteca de arte, uma gibiteca e um espaço destinado à troca de livros. Há ainda duas salas de leitura no Parque São Bernardo e no Jardim Silvina, e uma midiateca no CAV (Centro de Audiovisual). Outra opção são as 103 bibliotecas escolares e 64 salas adaptadas para o uso dos alunos e midiateca do Cenforpe (Centro de Formação de Profissionais de Educação). Dados de 2015 apontam que cerca de 21,8 mil pessoas passam pelos espaços por mês, com média de 10 mil empréstimos no período.

São Caetano tem duas bibliotecas municipais e um posto de empréstimo de livros, a Banca do Saber. De acordo com a Prefeitura, há planos para revitalização do espaço no próximo ano. Os equipamentos recebem média de 10,8 mil visitante por mês, com empréstimo de 3.634 livros.

Ribeirão Pires possui uma biblioteca municipal, que atende, por mês, 2.000 moradores. Segundo a administração, novas melhorias estão previstas.

Fonte: Diário do Grande ABC | Bia Moço

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