Professora defende a política nacional de leitura

Para Magali Lippert da S. Almeida, professora de Biblioteconomia do ensino federal, é a afirmação do direito fundamental de ler e escrever

Uma das mesas da 63ª Feira do Livro de Porto Alegre, evento que se encerrou no dia 19 de novembro, foi sobre a instituição da Política Nacional de Leitura e Escrita (projeto de lei Nº 212/2016 de autoria da senadora Fátima Bezerra PT/RN e cuja relatoria cabe à deputada Maria do Rosário PT/RS). A política em questão vem sendo aguardada com ansiedade por profissionais da Biblioteconomia e de outros segmentos da área do livro e da literatura, o motivo é óbvio: esperança.

A política nada mais é do que a afirmação do direito fundamental de ler e escrever e, para tal, da necessidade de disponibilizar equipamentos culturais para o acesso ao livro e à informação de maneira efetiva. Evidentemente, não precisaríamos de um documento como esse se a maioria dos brasileiros tivesse acesso a bibliotecas públicas de qualidade e se as pequenas livrarias pudessem concorrer de forma justa com grandes conglomerados que comercializam não só livros, mas eletroeletrônicos dos mais diversos tipos.

O que temos, e essa é a triste realidade, são autoridades imediatistas, que menosprezam o valor do conhecimento humanístico, e que temem, sobremaneira, um povo politizado e preparado criticamente para reivindicar seus direitos fundamentais: a saúde, a cultura e a educação, entre outros. E talvez por esse motivo a PNLE (Política Nacional do Livro e Escrita) inspire esperança: ela é um grito contra o imediatismo, ela é chance de recomeçarmos da forma certa, informando, fazendo chegar às pessoas, através da disseminação da palavra escrita, a possibilidade de avaliar a realidade, de refletir, de comparar informações e de fazer escolhas melhores.

Se o debate sobre como será executada a política ainda é vago, também é verdade que tê-la em mãos nos dará muito mais entusiasmo para cobrar das autoridades que ela seja posta em prática, pois não existe desenvolvimento possível sem uma população capaz de defender seus interesses, que tenha conhecimento adquirido e que não dependa apenas das informações postadas “em pílulas” nas redes sociais. O caminho do conhecimento é mais lento, mas é a única revolução em que os resultados benéficos são duradouros.

Fonte: Gaucha ZH

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