Projetos no Brasil e EUA Combatem o Preconceito Racial com Distribuição de Livros

O poeta baiano Castro Alves se insurgiu contra a escravidão e também era um defensor da cultura e sua difusão. No Rio Grande do Sul, a pesquisadora Winnie Bueno  combate o racismo com a distribuição de livros para pessoas negras. Cerca de mil títulos chegaram aos destinatários, desde 20 de novembro do ano passado: Dia da Consciência Negra.

“Observamos as pessoas brancas publicando mensagens de antirracismo no Twitter. Comentamos que seria mais útil doar um livro para quem precisasse. Desde então, conecto voluntários com as pessoas negras que precisam”, afirma Winnie.

A iniciativa conecta leitor, livro e doador. A conexão não ocorre através de aplicativo, mas pela própria pesquisadora, dividindo seu tempo de ativista e doutoranda em sociologia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

“É o livro que a pessoa precisa. Não é só repassar os livros que não se quer mais para uma instituição. A maioria dos pedidos é por intelectuais negros”, afirma. Outros pedidos comuns vêm de universitários que precisam de obras de microbiologia, fisiologia a cursos de direito. O motivo para distribuir publicações está no fato de os “livros serem revolucionários e propiciarem uma emancipação intelectual.”

Ela explica que as obras serviram de refúgio durante a própria infância e adolescência no interior, em que era a única criança negra da escola. “Os livros me ajudaram a entender o mundo e, nos momentos de solidão, eram para onde corria”, lembra. Sua mãe se esforçava para encontrar obras com protagonistas negros.

É importante para as crianças negras o acesso a livros infantis com protagonistas negros. O projeto Young, Black & Lit atua, principalmente, nas cidades americanas de Chicago e Evanston (EUA) com dedicação a doação de obras com essa característica.

“Os pesquisadores concordam que quando livros servem de espelhos para as crianças verem a si mesmas, suas famílias e comunidades refletidas, se sentem valorizadas. Quando permitem que encontrem semelhanças e diferenças comuns com outras culturas para se sentirem mais conectadas”, diz Krenice Roseman, cofundadora do projeto.

A iniciativa já presenteou 1.829 livros, desde maio de 2018. Uma das formas de doação é com feiras em comunidades para as crianças escolherem os livros. “A identificação com os personagens também aumenta as chances de se tornarem leitoras ao longo da vida”, observa Roseman.

Em Porto Alegre, outro projeto leva livros a quem quer ler. A pedagoga Vitória Sant’anna decidiu criar uma Biblioteca em seu condomínio, no centro da cidade, em um local estigmatizado como “Carandiru”. Ela se sentiu motivada, depois de levar centenas de crianças para assistir a “Pantera Negra” no cinema.

“Daremos prioridade para autores negros que trabalhem a questão da representatividade nos livros. A ideia é se valorizar e se reconhecer pela literatura. Temos 239 famílias aqui. Esse é o número de pessoas atingidas pela Biblioteca. Queremos que não sejam só crianças,” explica.

Fonte: Folhape

 

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