Quatro livros para entender a importância do Dia Nacional da Consciência Negra

Obras clássicas e contemporâneas para compreender o porquê do Dia Nacional da Consciência Negra

(Foto marcada para reutilização) 

No dia 20 de novembro é celebrado o Dia Nacional da Consciência Negra. Dia instituído oficialmente pela Lei nº 12.519, de 20 de novembro de 2011. A data faz referência à morte de Zumbi, o então líder do Quilombo dos Palmares – situado entre os estados de Alagoas e Pernambuco, na Região Nordeste do Brasil.

Considerado um dos principais representantes da resistência negra à escravidão na época do Brasil Colonial, Zumbi, também chamado de Zumbi dos Palmares, foi líder do Quilombo dos Palmares, comunidade livre formada por escravos fugitivos das fazendas. Após diversas tentativas de resistência, Zumbi foi morto em 1695, durante uma invasão no Quilombo dos Palmares, no dia 20 de novembro.

Pensando na relevância de Zumbi dos Palmares e de sua representação na luta pela libertação negra, o Conselho Regional de Biblioteconomia da 6ª Região (MG/ES) preparou uma lista com quatro livros – clássicos e contemporâneos – de autores negros para você entender a importância do Dia Nacional da Consciência Negra.

Quarto de despejo – Carolina Maria de Jesus

Mãe de três filhos, moradora da favela e catadora de lixo. Essa é a dura realidade exposta em ‘Quarto de despejo’, livro de maior destaque da escritora brasileira Carolina Maria de Jesus. Publicado em 1960, a obra apresenta uma narrativa de diário que revela o cotidiano vivido pela autora entre os anos de 1955 e 1960.

A história se passa na metrópole de São Paulo, onde a pobreza é tudo que Carolina conhece. Para conseguir alimentar e criar a família, a personagem trabalha como catadora de papelão, metal e também como lavadeira. Em meio à frustração, a fé é uma peça fundamental para entendermos a motivação da protagonista.

Leitura densa e extremamente sensível, ‘Quarto de despejo’ possui uma crítica social importante, que nos faz refletir sobre as desigualdades sociais, de raça e de gênero, além de nos fazer entender o papel da mulher nas camadas mais marginalizadas da sociedade.

Água de barrela – Eliana Alves Cruz

Lançado em 2016 pela editora Malê, o romance se passa na cidade baiana de Cachoeira e os personagens iniciais são embarcados como escravos da África para o Brasil. A trama atravessa as décadas até os dias de hoje, tendo como pano de fundo momentos históricos ocorridos no país.

O nome ‘Água de barrela’, título que remete ao alvejante usado para clarear roupas, no livro ganha destaque ao ser relacionado ao trabalho de muitas mulheres negras de diferentes gerações – trabalho esse que envolvia o lavar, passar, enxaguar e quarar das roupas. Procedimento que marcou a vida de muitas mulheres negras desde o Brasil colônia até o início do século XX, o ato de lavar roupas foi a forma de sustento de muitas famílias, em situações a como as de exploração, miséria, escravidão, em quase trezentos anos de história.

A partir de relatos comoventes por meio de uma trama envolvente, ‘Água de barrela’ nos faz entender um pouco da história do Brasil e da vida de famílias negras – a sobrevivência, o trabalho e, sobretudo, sua luta.

 Clara dos Anjos – Lima Barreto

“Num dado momento, Clara ergueu-se da cadeira em que sentara e abraçou muito fortemente sua mãe, dizendo, com um grande acento de desespero:

  • Mamãe! Mamãe!
  • Que é minha filha?
  • Nós não somos nada nesta vida.”

Obra póstuma do escritor Lima Barreto, lançada em 1948, ‘Clara dos Anjos’ é contada no subúrbio do Rio de Janeiro, mais especificamente em um casebre simples e humilde. Clara, filha do carteiro Joaquim dos Anjos e da dona de casa, Engrácia, é uma menina de dezessete anos que se apaixona por Cassi Jones, jovem violeiro que é convidado para tocar em sua festa de aniversário.

Frágil, ingênua e sem grandes ambições, Clara dos Anjos logo cai no encanto do jovem sedutor que, ao longo da trama, demonstra uma personalidade atroz. Ao descobrir que a namorada estava grávida, Cassi a abandona e desaparece em fuga. A jovem desamparada vai à casa do namorado, cuja família é branca e de classe social superior, atrás de uma reparação, mas é maltratada pela mãe do rapaz, que a humilha por ser negra e pobre. Esse momento é crucial para a história, pois é neste clímax em que a protagonista se dá conta de sua posição na sociedade: mulher, pobre e negra.

Obra atemporal e reflexiva, ‘Clara dos Anjos’ nos afronta com a percepção da realidade vivida pela personagem – que tem sua existência negada por compor uma camada marginalizada da sociedade.

Olhos d’água – Conceição Evaristo

Em ‘Olhos D’água’, Conceição Evaristo elabora uma série de narrativas, composta por 15 contos diferentes, que se entrelaçam ao relatarem a trajetória de mulheres e homens negros que sofreram e ainda sofrem com os mais diversos tipos de violência e depreciação na sociedade. Não se tratando somente de relatos da vida desses personagens, a autora também constrói a história a partir de um aspecto da ancestralidade e identidade afro-brasileira que perpassa em alguns momentos na dura realidade desses relatos.

Narrativa extremamente importante e atual, ‘Olhos D’água’ é capaz de provocar no leitor uma proximidade e empatia com os relatos vividos pelos personagens. Além disso, as narrativas do livro são concebidas a partir do choro dos personagens, que falam sobre o lugar de opressão e submissão que foi designado a eles.

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