Sem livros de colorir, mercado editorial fecha semestre em queda

Livraria no bairro da Liberdade, em São Paulo (Karime Xavier/Folhapress)

Livraria no bairro da Liberdade, em São Paulo (Karime Xavier/Folhapress)

O mercado editorial, que viu 2015 passar quase em branco, observa as contas próximas do vermelho neste ano. Sem o fenômeno dos livros de colorir – além da crise econômica que assola todos os setores -, as vendas de livros enfrentam forte queda.

É o que mostra a edição mais recente do “Painel de Vendas de Livros no Brasil”, estudo mensal realizado pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel) e pela Nielsen BookScan.

Neste semestre, em comparação com o mesmo período de 2015, as vendas caíram 16,3% em volume e 6,94% em faturamento – considerando a inflação acumulada nos últimos 12 meses, a diminuição real na receita é de 15,61%.

O documento evidencia o impacto das vendas dos livros de colorir no ano anterior. Em uma simulação que desconsidera tais títulos, os resultados ainda seriam negativos, mas menos catastróficos: a redução em vendas seria de 11,25% em volume, e 2,83% em faturamento.

“A queda em volume foi o que me chamou mais a atenção”, afirma Marcos da Veiga Pereira, presidente do Snel e um dos fundadores da editora Sextante, “porque você fala de menos livros lidos, e talvez menos pessoas lendo.”

Mercado editorial

Por volume de vendas em cada um dos períodos

Mercado editorial

Período 6: 2015 (18/05 a 14/06/2015) x 2016 (23/05 a 19/06/2016)
Fonte: Nielsen (Nielsen BookScan) e SNEL (Sind. Nac. dos Editores de Livros)

Mercado editorial

Por valor de vendas em cada um dos períodos, em R$

Mercadoeditorial

Período 6: 2015 (18/05 a 14/06/2015) x 2016 (23/05 a 19/06/2016)
Fonte: Nielsen (Nielsen BookScan) e SNEL (Sind. Nac. dos Editores de Livros)

Quanto ao preço médio de capa, houve aumento de 9,49% —abaixo da inflação acumulada entre julho de 2015 e junho de 2016, de 12,21%. Se no fim do primeiro semestre de 2015 um livro custava R$ 39,31, hoje ele sai por R$ 43,04.

Pereira diz que o não acompanhamento da inflação é um fato histórico. “por exemplo: em 2004, nós [a Sextante] lançamos ‘O Código da Vinci’ [de Dan Brown], com umas 400 páginas, por R$ 39,90. Se atualizarmos pela inflação, ele sairia hoje por R$ 79,90. Em 2016, nós lançamos ‘Lava Jato’ [de Vladimir Netto], com umas 400 páginas, pelos mesmos R$ 39,90.”

O levantamento mostra ainda que a fatia de mercado dos 500 best-sellers é menor: queda de 10,03% no valor e 11,79% em volume. Isso significa que a venda está mais pulverizada neste semestre do que no mesmo período de 2015.

Entretanto, os 500 títulos ainda têm grande representatividade: correspondem a 24,4% de toda a receita do mercado, e a 31,6% de todos os exemplares vendidos.

Entre os gêneros, o destaque positivo fica com os títulos de não ficção especialista (obras de matemática e ciências, gerenciamento e negócios, medicina e saúde etc.). Do primeiro semestre de 2015 ao mesmo período deste ano, eles saltaram 21,7% e representam atualmente 30,54% de todo o faturamento.

O destaque negativo fica com títulos de não ficção trade (onde estavam inseridos os livros de colorir). O faturamento deles caiu 22,7% em comparação ao primeiro semestre de 2015 e, hoje, tais títulos correspondem a 22,06% da receita total.

Fonte: Folha de S. Paulo | Rodolfo Viana

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