Um blog para chamar de fonte

Todos já percebemos que a Comunicação mudou e vai mudar muito mais. Cada um de nós, assessores, deve começar a trabalhar qualquer livro ou editora pensando grande. Pensar grande é analisar todas as possibilidades que as novas mídias oferecem. Não dá mais para nos apegarmos ao que deu certo até então. É um mundo novo e ele exige muito de nós. Exige estratégia, exige conhecimento das possibilidades digitais, exige informação ampla para conseguir os links necessários para buscar novos espaços para temas e autores.

Nesse cenário entram os blogs voltados para a área editorial. Você começa a fazer uma pesquisa e percebe uma lista enorme de blogs que vão pipocando de todos os lados. E as editoras que têm trabalhado em parceria com os blogs para resenhas e sorteios garantem que os resultados são excelentes.

A prática pioneira de editoras estrangeiras começou em meados da década passada. Nos últimos anos, grandes editoras brasileiras também entraram em campo, abrindo inscrições para blogs parceiros com pesquisa e avaliação de conteúdos e audiência. E a concorrência é grande…

Hoje em dia, os jornais impressos possuem blogs em várias áreas, inclusive de literatura. Nos grandes veículos, os blogs como o Babel de O Estado de S.Paulo, da jornalista Maria Fernanda Rodrigues, e o do caderno Prosa e Verso e A Literatura na poltrona, de José Castello, ambos de O Globo, trazem informações sobre literatura e o mercado editorial. Mas no corre-corre do dia a dia das redações, nem sempre os jornalistas conseguem manter a atualização como gostariam.

Na Folha de S. Paulo, a jornalista Raquel Cozer, da coluna Painel das Letras, criou seu blog (A biblioteca de Raquel) e fazia questão de responder a todos os comentários. O retorno era grande: “Tinha gente que comentava sempre, dava ideias, participava, enquanto outros apareciam sempre só para reclamar de detalhes e criar teorias da conspiração. Teve casos em que virou um verdadeiro fórum de discussão, como nos posts sobre a ‘Granta’ com brasileiros ou sobre prêmios literários”. Raquel resolveu suspender o blog quando chegou um ponto em que não conseguia mais postar com a frequência com que gostaria, por conta de outras responsabilidades no jornal. “Nos últimos meses, o blog vinha sendo atualizado só com a coluna Painel das Letras, aos sábados, e achei que isso acabava depondo contra. Um blog não pode ser chato, duro, sem personalidade, não era o que eu planejava quando comecei, em 2010. Foi melhor parar, por uma questão de honestidade: se não há tempo para se dedicar, é melhor não ocupar o tempo do leitor. Para colocar notícias mais básicas, factuais, sem uma análise mais profunda ou um texto mais elaborado, já existe o site do jornal”.

Raquel comenta que é preciso diferenciar blogs literários dos verdadeiros blogs literários: “Acredito que o tema esteja crescendo mais pela audiência de blogs independentes, feitos por gente muito jovem – em alguns casos, inclusive com parcerias com editoras, que oferecem livros para resenhas (que podem ser negativas) – do que pela presença de blogs literários em grandes portais, um fenômeno já mais antigo”.

Entre os blogueiros que falam de livros está Felippe Cordeiro, que participou da criação do blog Meia Palavra, que durou quatro anos: “Parte da equipe não queria continuar a escrever. Foram quatros anos de muita batalha para ele chegar onde chegou, todos davam muito sangue para manter o Meia Palavra de pé. O que por muitas vezes ocasionou em repetição de temáticas. Havia sempre a vontade de renovar, mas a demanda era grande. Infelizmente, eu não era dono, tampouco fundador do site para mantê-lo após o fim”.

Inconformado ele resolveu fundar o blog Posfácio, que é uma quimera de assuntos. “Pegamos o que funcionava no Meia Palavra e demos uma chacoalhada para não ficar mais do mesmo (ou apenas um filho do Meia Palavra). Ainda publicamos resenhas (e parte do material antigo do Meia Palavra continua disponível), além de dar mais espaço para os colunistas explorarem temas diversos como comportamento, política, música e cinema. Com a bagagem e experiência adquiridas desde 2008, o Posfácio estreou em janeiro desse ano e temos uma boa média de visitas.”

Felippe acha que ele não é tão conhecido ou tem tanta interação quanto o Meia Palavra, mas o resultado vem surpreendendo, mês após mês: “Tivemos parcerias com a Copa de Literatura, fizemos uma grande cobertura da Flip, da Mostra de Cinema de SP, pequenos diários da Fliporto, etc. E ano que vem temos novos planos que com certeza farão do Posfácio um lugar ainda melhor (não necessariamente maior). O que sempre importará, na minha visão quanto a um ‘blog cultural’ ou ‘literário’, é que ele se move e cresce mais pelo seu conteúdo do que pela informação”. O Posfácio tem 3.677 seguidores no face, 2.148 no twitter e 200.495 no Google+, além de 45mil Pageviews por mês. O blog tem 14 autores, 7 colunistas, 4 colaboradores, 2 ilustradoras e 1 webdesigner, e um dos artigos mais lidos até hoje é “O Homem Cordial” de Sérgio Buarque de Holanda.

O gostar de livros é o ponto comum entre os blogueiros. A bibliotecária Fernanda Assis, gerente no Conselho Regional de Biblioteconomia 6º Região (CRB-6), de Minas Gerais, criou o blog Viagem Literária em agosto de 2009, embora tenha começado a se dedicar realmente a ele apenas em 2010. “Quando me formei”, ela conta, “acabei não trabalhando na área que queria e sempre pensei em fazer algo relacionado ao incentivo à leitura. O blog foi uma sugestão da minha irmã. Sempre li muita ficção e surgiu a ideia de compartilhar as dicas de leitura. Não imaginava que cresceria tanto em pouco tempo”.

Viagem Literária

Os títulos são separados por assuntos e eles são vastos: anjos, demônios, aliens, dragões, fadas, espiões etc. Qual é o público? “Eu resenho livros para leitores de todas as idades: infanto-juvenil, fantasia, sobrenatural, romance, policial, chick-lit, distopia, eróticos, etc. Normalmente acompanho muito os lançamentos literários e as modinhas. No momento, por exemplo, tem muitos lançamentos do que chamam de New Adult, romances com jovens na faixa de 18 anos; vem depois dos Young Adults, que focam no ensino médio”.

Fernanda recebe livros das editoras parceiras do blog e normalmente escolhe entre os lançamentos os títulos que quer receber. “Mas eu compro bastante também. Eu evito parcerias pessoais, diretamente com autores, por exemplo, pois já tive muitos problemas no caso de resenha negativa. Então recebo livros apenas das editoras. Tudo que eu leio será postado, independente de ter gostado ou não, eu leio até o final. Acho importante também as resenhas negativas, os leitores confiam mais nos sites que falam o que é bom e o que não indicam, ainda mais que blog é muito pessoal e os leitores que acessam sempre irão conhecer o meu estilo. No Viagem Literária eu tenho dois colunistas que escrevem sobre outros assuntos, mas as resenhas são todas minhas e já tenho no site mais de 500 livros resenhados. Como mantenho a ideia de blog e não de portal, eu optei por não postar releases. Publico apenas um post por dia e três resenhas por semana. Nos outros dias entram as colunas”. O Viagem Literária tem 8.370 no Google Friend Connect (GFC) e 5.700 seguidores no Facebook.

Outro exemplo é Bruno Miranda, que em setembro de 2010 criou o blog Minha Estante para falar de seu vício: livros. Em janeiro de 2012 mudou para o Canal Minha Estante no Youtube, com cerca de 30 mil assinantes, na sua maioria, meninas com idade entre 13 a 25 anos. Ele diz que não se baseia em releases, mas no que gosta de ler e acompanhar. Em seu blog o que faz mais sucesso é a série de perguntas e respostas sobre livros, partindo de temas relacionados à leitura.

O resultado das publicações em blogs pode surpreender bastante. O livro juvenil A Seleção, de Kiera Cass, foi lançado pelo selo Seguinte, da Companhia das Letras, e vendeu 16 mil cópias quase sem aparecer na imprensa, mas recebeu várias resenhas de blogs.

Esses exemplos dão uma ideia da importância dos blogs para a divulgação. Mas nada vem de graça. É preciso pesquisar com frequência porque são canais muito dinâmicos. Agora não importa apenas a lista dos mais vendidos. Em tempos de interação, as obras bem avaliadas pelos blogs se destacam.

Portanto, assessores, mãos à obra. Jornais, revistas, sites, rádios e tevês, mas blogs também. Aconselho uma pesquisa completa dos blogs literários, principalmente dos relacionados aos temas que vocês estão divulgando, e a criação de um mailing pessoal para manter contato e mandar material. Abram suas asas e soltem suas feras neste universo.

Fonte: Publish News | Ivani Cardoso

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