CRB-6 entrevista: Laura Conrado

Laura Conrado é ganhadora do Prêmio Jovem Brasileiro como destaque na Literatura

Encerrando a série de entrevistas em comemoração a Semana Nacional do Livro e da Biblioteca, conversamos com a escritora belo-horizontina Laura Conrado.

Laura Conrado é jornalista, pós-graduada em Educação, Criatividade e Tecnologia, e ganhadora do Prêmio Jovem Brasileiro como destaque na Literatura em 2012. Autora do livro Freud, Me Tira Dessa! (Novo Século, 2012), considerado o melhor chick-lit nacional de 2012 pela votação popular do Destaques Literários, a jovem escritora assinou a releitura de Sonho de Uma Noite de Verão na antologia Shakespeare e Elas (Autêntica, 2014). Confira a entrevista:

Laura Conrado é autora da série “Freud, me tira dessa!” (Foto: Divulgação)

Laura Conrado é autora da série “Freud, me tira dessa!” (Foto: Divulgação)

Fale um pouco sobre sua trajetória e destaque suas principais obras.

Comecei publicando para crianças, aos meus 21 anos. Tenho dois títulos infantis que não estão mais em circulação, uma vez que esgotaram e não renovei a publicação por querer me dedicar ao público jovem neste momento. Queria falar de algo que fizesse sentido para mim e como tornar-me adulta foi desafiador, achei que teria conteúdo para vários livros (risos). Assim, nasceu “Freud, me tira dessa!” meu primeiro romance que me rendeu dois prêmios e leitores em todo país. Conta a história da Catarina, uma jovem que está morando sozinha, lidando com o primeiro emprego depois de formada e com sua caótica vida afetiva. Assim, ela vai para a terapia e acaba se apaixonando pelo analista. Depois fiz “Freud, me segura nessa, a continuação”; “Só gosto de cara errado”, um sucesso adolescente; uma releitura de “Sonho de uma noite de verão” em “Shakespeare e elas” e “Quando Saturno voltar”.

O que te motivou a escrever? O que mais te atrai quando escreve: o mundo real ou o mundo imaginário?

Desde nova, eu me descobri nas palavras. As personagens falavam de sentimentos que eu tinha e não conseguia dar nome. Essa possibilidade de me conhecer por meio dos livros me encantou ainda criança. Considero o cotidiano uma excelente matéria-prima. Mas, da mesma forma que extraímos conteúdo da nossa jornada, dos conflitos humanos, poder misturar isso com a ficção é incrível. Criar é maravilhoso, é dar vazão a mundos internos antes inacessíveis. Misturar a realidade com a força da imaginação é ótimo!

Dos livros que você leu, qual a figura literária que mais a marcou? Algum autor serviu como fonte de inspiração?

Vários autores me marcaram com suas histórias a ponto de me inspirarem a escrever. Aos meus dezesseis anos, li “Crime e Castigo”, do Dostoiévski. Fiquei atordoada, acho que nunca havia sentido tanto a realidade da vida real e dos conflitos humanos. A escrita é visceral, mexeu muito comigo, me colocou em dilemas éticos que nunca imaginei. Foi uma história que me marcou assim como algumas da Clarice Lispector, com sua agilidade e uma leve acidez. Fala muito bem do universo feminino. Lembro-me de “A Hora da Estrela” e a “Paixão segundo HG”.

Em sua opinião, qual a importância do bibliotecário e da biblioteca para a formação do cidadão? Você frequenta esses espaços? Recorda de algum bibliotecário que contribuiu para o seu gosto pela leitura?

Sua pergunta me levou à Marilza, uma senhora magrinha e de óculos, que era bibliotecária na escola onde estudei. Fui muito marcada por ela, é uma memória viva que eu tenho, quando eu tinha uns nove anos e frequentava assiduamente à biblioteca. Ela me falava dos lançamentos que chegavam e fazia, demonstrando certa felicidade, uma nova ficha para mim quando não havia mais espaço de anotar um empréstimo em meu nome. Ela também deixou que eu começasse a pegar os livros destinados às outras séries, uma vez que eu já havia lido tudo da minha idade. Muito terna comigo, me tratava com gentileza e um certo carinho, embora se mantivesse um pouco distante, talvez pelo ambiente de trabalho. Não tenho dúvidas de que sua presença tornou a biblioteca aconchegante, fez com que eu pudesse ter acesso ao mundo dos livros. Isso tudo contribui para que o livro não seja um objeto elitizado e distante.

Atualmente, eu me relaciono com muitos em função das visitas que faço às escolas. É incrível ter as portas abertas da comunidade escolar para falar do que eu escrevo. Fico feliz em encontrar profissionais motivados e que se esforçam para fomentar o hábito da leitura.

As redes sociais e a internet podem contribuir com estratégias de incentivo à leitura?

Contribuem e muito! Por meio da internet, o autor consegue chegar onde demoraria muito a ir fisicamente, quando iria! Há leitores que conheceram meus livros exclusivamente por causa da internet e mantêm contato comigo. O bacana é que muitos compartilham e postam sobre o que andam lendo. Isso motiva outras pessoas a lerem também, socializa a ideia de que ler é legal.

Durante o mês de outubro, entrevistamos escritores mineiros como forma de incentivar a leitura e valorizar a literatura regional. Confira as entrevistas com Victor Alves, José Carlos Aragão e Edmar Alves.

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