Do Jornalismo a Biblioteconomia

Professor Casal encontrou na área da Ciência da Informação sua vocação.

Carlos Alberto Ávila Araújo, conhecido como professor Casal, é o atual diretor da Escola da Ciência da Informação, da Universidade Federal de Minas Gerais (ECI/UFMG) e, embora não seja bibliotecário, abraçou a alma da Biblioteconomia.

Formado em Jornalismo, Casal se dedica a Biblioteconomia (Foto: Divulgação)

Formado em Jornalismo, Casal se dedica a Biblioteconomia (Foto: Divulgação)

O Conselho Regional de Biblioteconomia 6ª Região (CRB-6) entrevistou o professor para saber mais sobre sua carreira. Confira!

A ECI está organizando três grandes eventos de porte internacional este ano. Qual a importância disso para a Escola e o que esses eventos agregam para a instituição?

Estamos organizando os eventos sim. O primeiro deles, que na verdade são “dois em um”, é o XI Encuentro de Directores y X de Docentes de Escuelas de Bibliotecología y Ciencia de la Información del Mercosur. É um encontro que prioriza as parcerias entre os cursos de graduação de biblioteconomia dos países do Mercosul, com propostas de intercâmbios, pesquisas conjuntas, entre outras ações. Há um encontro dos diretores para pensar as políticas e outro de docentes para discutir programas de disciplinas nas subáreas que compõem o campo. Eu estive no encontro de 2012, no Uruguai, representando a ECI, e lá fiz a proposta para trazer o evento para BH em 2016. Como consegui, logo que tomei posse na diretoria da ECI, em novembro de 2014, fiz a proposta para trazer também para BH o EDICIC – Encontro Iberoamericano de Ciência da Informação. São dois eventos que sempre aconteceram de maneira independente, e pela primeira vez irão acontecer na mesma cidade e no mesmo período: o Mercosul de 18 a 20/09 e o EDICIC de 21 a 23/09.

Com isso, nossa intenção é potencializar a presença das pessoas, que poderiam vir para os dois eventos. E, sobretudo, aumentar nosso espaço de interlocução no cenário iberoamericano. Temos uma proximidade geopolítica, cultural, identitária, e acreditamos que podemos explorar tudo isso na formação de parcerias, pesquisas comuns, projetos de ensino interinstitucionais e, no limite, até mesmo a construção de uma escola iberoamericana de biblioteconomia e ciência da informação. Os países iberoamericanos têm uma produção científica riquíssima, eles acompanham a produção brasileira, e penso nos eventos como oportunidade para incrementar as parcerias já existentes e criar outras.

Além desses três grandes eventos, a ECI tem se empenhado em desenvolver diversas outras atividades acadêmicas mais pontuais, inclusive na área de museologia e arquivologia. Quais as principais ações realizadas pela Escola?

São muitas ações e fica até difícil enumerá-las. Prefiro então falar sobre a ideia maior que está por detrás das várias atividades. Temos hoje uma escola com as três graduações, um cenário institucional muito especial (apenas UnB e UFRGS têm o mesmo), que é uma escola de ciência da informação com arquivologia, biblioteconomia e museologia. Acreditamos que os cursos devem ser parceiros, devem atuar em conjunto, pois, afinal, mais importante que as técnicas específicas de cada área, está a missão delas junto à sociedade, de promover um uso mais efetivo, plural e crítico dos vários registros de conhecimentos produzidos pela própria sociedade. Acreditamos que um curso de biblioteconomia que atua em conjunto com arquivologia e museologia representa um ganho na formação dos futuros bibliotecários, e o mesmo vale para os demais. Então temos tido pesquisas, atividades de extensão, disciplinas e outras atividades transversais às três áreas de atuação da escola.

O que vem por aí na ECI?

A ECI criou neste ano um novo Programa de Pós-Graduação, em Gestão & Organização do Conhecimento, voltado para a tríade conhecimento/tecnologia/pessoas, que terá a primeira seleção ainda em 2016. Ao mesmo tempo, o existente Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação comemora 40 anos este ano e está passando por uma grande reformulação, justamente para aumentar seu diálogo com os campos da arquivologia, da biblioteconomia e da museologia, por meio de uma nova área de concentração intitulada “Informação, mediações e cultura”. Na graduação, estão previstas reformas curriculares, possivelmente dentro de uma grande reestruturação das graduações da UFMG que entrará em vigor em 2017. Ainda estamos discutindo na ECI se iremos ou não aderir ao projeto da UFMG e em que condições faremos isso.

O que o mercado tem esperado e exigido dos bibliotecários e bibliotecárias atualmente?

Eu gostaria de responder essa pergunta do ponto de vista da produção científica contemporânea em biblioteconomia, uma vez que ela reflete a busca por respostas a questões colocadas pelo mercado, pela prática profissional cotidiana. Hoje temos visto a noção de “mediação” como central nas discussões biblioteconômicas, com a ideia de que o bibliotecário não deve entender apenas da gestão da biblioteca ou dos procedimentos técnicos de tratamento da informação, mas sobretudo ser capaz de fazer convergirem e dialogarem os diferentes atores que se relacionam com a biblioteca. Como dizia Edson Nery da Fonseca, uma biblioteca é uma “assembleia de usuários”. A mediação é uma ação de interferência do bibliotecário em prol da valorização da diversidade de fontes de informação e da promoção de um uso cada vez mais efetivo da informação. Ao mesmo tempo, a temática da “competência informacional” tem se desenvolvido muito, apontando um campo de atuação cada vez mais central do bibliotecário junto aos sujeitos concretos que se relacionam com a informação no dia a dia em variados contextos, tais como o profissional, o acadêmico, o científico, o empresarial, o industrial, o da saúde, do lazer, entre outros. Outra temática fundamental hoje é a das bibliotecas digitais (repositórios institucionais, e-science, big data) que também acenam para um campo de atuação em permanente crescimento. E, por fim, sou um entusiasta da chamada “nova biblioteconomia”, que postula que o papel do bibliotecário nas sociedades contemporâneas é o de estimular a produção de conhecimento colaborativo entre diferentes comunidades, a promoção de ampla circulação dessa produção e, sobretudo, a atuação por uma apropriação crítica e plural desse conhecimento. Isso significa atuar em bibliotecas e em diversos outros ambientes e cenários de produção de conhecimento e cultura.

Como o Sr. vê a atuação do CRB-6 e qual a importância do Conselho para a sociedade e para os profissionais de modo geral?

O CRB-6 tem sido um grande parceiro da ECI e acredito que esse é um dos papeis mais importantes. Temos pedido diversas vezes sugestões e orientações sobre o campo de trabalho do bibliotecário, e utilizamos as informações dadas para embasar decisões importantes que precisamos tomar na escola a respeito do curso. O CRB-6 tem sido também parceiro na organização de eventos, que são atividade importantíssima na formação de nossos alunos e também nos ajudam na ligação com os regressos.

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