Pesquisadora levanta perfil de leitores infantis em Belo Horizonte

O estudo investigou os elementos presentes nos discursos orais transcritos dos leitores infantis

A bibliotecária Pâmela Machado (CRB-6/3070) apresenta, na próxima quarta-feira, 27, às 14h, na Biblioteca Pública Infantil e Juvenil, no bairro Santo Antônio, da capital mineira, os resultados da sua pesquisa de mestrado. A estudiosa avaliou o perfil de leitores infantis atuais do Sítio do Picapau Amarelo, além dos modos de leitura da literatura lobateana na contemporaneidade.

Pesquisadora Pâmela Machado apresenta estudo sobre leitores infantis (Foto: Divulgação)

Pesquisadora Pâmela Machado apresenta estudo sobre leitores infantis (Foto: Divulgação)

O Conselho Regional de Biblioteconomia 6ª Região (CRB-6) entrevistou a profissional para saber mais sobre as descobertas alcançadas durante a produção de sua dissertação. Confira!

Para você, qual deve ser o perfil de um bibliotecário que atua junto ao público infantil?

Um profissional que se interesse, primeiramente, por seu público e os processos que permeiam a formação das crianças. Seu interesse também deve estar orientado para a literatura de um modo geral, com atenção especial para a infantil. Um bibliotecário leitor, cujas experiências e bagagens individuais culturais serão as bases para a sua atuação junto aos leitores infanto-juvenil. Dinamismo e criatividade são duas das características fundamentais a esse especialista, para planejar encontros e atividades que envolvam e despertem o interesse desse público–seja lendo ou contando histórias. Nesse processo, promover oficinas sobre e com os livros, através do lúdico e do simbólico presentes na literatura infantil, são algumas ações que produzem resultados favoráveis.  É importante, ainda, que o profissional seja comunicativo para conhecer seu público, goste de ouvir e conversar para sugerir leituras de interessem – quando os leitores desejarem – e possibilitar interações construtivas para sua própria formação e das crianças.

Como você vê as condições oferecidas a esse profissional, atualmente?

De modo geral, penso que, infelizmente, os recursos destinados às áreas culturais ainda deixam a desejar, em cidades grandes e, especialmente, naquelas afastadas dos grandes centros urbanos. Não gosto deste tipo de generalização, há diferentes realidades, mas me refiro ao contexto nacional. Sei que muitos municípios brasileiros ainda não têm bibliotecas, ou, sepossuem, não contam com profissionais com formação específica para a atividade. Em outros casos, ambos estão presentes, mas sem recursos para trabalharem. A falta de investimento na área vai desde a definição de um local para criar esse equipamento cultural até para a compra de acervo. Conheço bibliotecários desejosos por atuar na área ou que já exercem o ofício, mas precisam “dar o sangue” para dar conta das limitações e continuar. Alguns desanimam, se cansam e se entristecem. Por outro lado, vejo cidades com trabalhos maravilhosos e que apoiam a criação e desenvolvimento de novas bibliotecas, valorizam a função, investem na formação e capacitação profissional e disponibilizam recursos para as bibliotecas públicas e escolares. É uma alegria conhecer especialistas interessados em lutar pelas bibliotecas e pela área, o que tem ajudado a abrir os olhos dos governantes e dos cidadãos para o papel e importância desses espaços, dos livros e da leitura em suas vidas.

Qual o perfil de leitor mais encontrado em sua pesquisa?

Antes de iniciar o estudo, determinei qual seria meu público-alvo, a fim de alcançar meu objetivo. Entrevistei leitores de 7 a 12 anos, já alfabetizados e adeptos da obra infantil de Monteiro Lobato. São crianças de classe média, a maioria estudantes de colégios particulares e quepossuem uma formação leitora iniciada em casa, por meio do incentivo dos pais. Além da literatura lobateana, todos os entrevistados gostam de frequentar bibliotecas públicas ou as de suas escolas.

Quais as diferenças dos atuais modos de leitura e como o bibliotecário pode usar isso a seu favor?

Se considerarmos a história da leitura, muitas mudanças ocorreram nos modos de ler, no decorrer dos séculos. A pesquisa investigou, por exemplo, as formas como as crianças contemporâneas absorvem Monteiro Lobato. Pude observar que elas se sentem à vontade para escolher os títulos e gêneros, e além dessa autonomia, adquiriram no decorrer dos anos o direito de serem crianças, o que mudou muito seus modos de ler. Se antes eram considerados “pequenos adultos”, percebi que, atualmente, as famílias e os profissionais da leitura os reconhecem como indivíduos no início de suas formações, que tem interesses, gostos, ideias e reações diferentes dos adultos. De acordo com a pesquisa, concluí que os leitores infantis contemporâneos entrevistados leem porque a história os agrada, se identificam com os personagens, conhecem e aprendem sobre a vida e o mundo, admiram esteticamente as obras escolhidas e sentem prazer com a prática da leitura. Embora tenham uma relação de títulos escolares e didáticos, descobrem que ler é um direito quando escolhem os livros, além daqueles que foram indicados pelos professores. Eles diversificam seus modos de consumir literatura: gostam de ouvir histórias, de ler sozinhos, com os pais ou com os amigos. Sentem-se atraídos por espaços aconchegantes quando encontram nas bibliotecas almofadas, puffs ou tapetes onde possam se acomodar durante a atividade, mas têm preferência por leituras feitas em casa, quando deitam nos sofás ou em suas camas. Interessante também mencionar que eles gostam de falar sobre suas leituras, compartilham com familiares e amigos, e tem facilidade em relacionar as histórias com outras já lidas, fatos e conhecimentos anteriores. Seus modos de ler são muito ricos e criativos.Ainda há muito para investigar e conhecer sobre as formas como esse público lida com a leitura.

As redes sociais e a internet podem contribuir com estratégias de incentivo à leitura?

Sim. Tenho acompanhado o quanto as crianças estão muito atentas aos recursos da internet. Há um grande movimento de incentivo à leitura no ambiente virtual, que tem envolvido esse público de um modo geral, incluindo a disponibilização de títulos digitais. Embora eu não goste de ler através das telas, reconheço que as novas gerações não encontram dificuldades. Contudo, ressalto que dentre os leitores entrevistados, as preferências são por livros impressos e a internet tem sido um meio de divulgação desses e dos eventos que se relacionam com a literatura, além do divertimento por meio de ferramentas como jogos, redes sociais, vídeos, etc.

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