Resposta produzida pelo CRB-6 repercute entre bibliotecários

Nova Escola

Ilustração da matéria da revista Nova Escola (Foto: Reprodução/Editora Abril)

Na edição do mês de março, a revista Nova Escola publicou uma matéria com o título “Assim não dá: colocar um profissional só para fiscalizar a biblioteca”, cujo texto defende a ideia de que a função de bibliotecário pode ser exercida por um pedagogo para atuar como mediador da leitura. A reportagem apresenta depoimento de educadores, mas não abre espaço para que profissionais de Biblioteconomia se posicionem, por meio de argumentos técnicos e científicos, indicadores, pesquisas e exemplos práticos que mostrem a importância das bibliotecas escolares serem geridas por especialistas da área, capacitados e aptos para a atividade, inclusive para o fomento da leitura. 

Em resposta ao texto, a Comissão de Bibliotecas Escolares do Conselho Regional de Biblioteconomia 6ª Região (CRB-6), coordenada pela bibliotecária Sindier Antônia (CRB-6/1542), posicionou-se a respeito do assunto, por meio de carta aberta à comunidade. A mensagem repercutiu nas redes sociais e nos sites ligados à Biblioteconomia, mobilizando diversos profissionais a manifestarem suas opiniões sobre o tema.

Pensando nisso, selecionamos alguns comentários enviados para nossos canais, com a intenção de fomentar a discussão em torno do tema, ampliando, assim, as informações sobre os conceitos abordados na matéria. Participe você também desse debate e dê sua contribuição. Confira, abaixo, alguns posicionamentos de profissionais.

Comentários via email:

Maria José Valentim Nunes (CRB-6/ES 523)
“Parabéns pelo posicionamento. Nós que atuamos em biblioteca escolar sabemos o quanto colaboramos para o desenvolvimento da leitura, entretanto, não somos reconhecidos. Na verdade, a escola quer um professor e não um bibliotecário. Pesquisa, organização do acervo etc, em geral, não são relevantes para eles, que entendem que nossa atividade se limita a receber, organizar e distribuir kits de livros didáticos. Um grande absurdo!”

Janete Gomes
“É lamentável como nossa profissão é, muitas vezes, desvalorizada. Não distante dessa reportagem, quantas vezes já ouvi que nossa atividade pode ser executada por qualquer um; que somos apenas uma exigência do MEC. Infelizmente, não temos nem o direito de reposta. Mas, parabéns ao CRB-6 por nos defender diante de uma repórter que, mais uma vez, quis dizer que a biblioteca é um amontoado de livros em uma sala, como já constatamos em diversas escolas.”

Liliane Domingues (CRB-6/757)
“Parabéns pela carta. E espero que a repórter Raissa Pascoal, que redigiu a matéria, tenha acesso à mesma e possa ter a gentileza de se retratar. Todos os profissionais da Biblioteconomia que leram a revista ou o texto na internet se mostraram indignados com o total desrespeito e desvalorização da nossa profissão. Além disso, ela demonstra na sua reportagem que desconhece completamente nossa atividade e, sendo assim, deveria ter tido o cuidado de primeiro conhecer para depois se manifestar. Foi realmente lamentável a publicação dessa matéria!

Espero ainda que o nosso Conselho, que nos representa, tenha entrado em contato com a direção da revista para declarar o nosso repúdio e indignação pela atitude dessa repórter que escreveu sobre algo que ela desconhece, e que desvaloriza toda uma classe profissional.”

Comentários no Facebook:

Fabiano Otávio Vitulli Cassettari
“Essa postura assertiva, serena e profissional do órgão de representação deve ser a regra, não uma exceção. Parabéns!”

Emanuelle Amaral
“Orgulho do CRB-6! Parabéns pela coerente nota! Na torcida para que a revista nos dê amigavelmente o direito de resposta.”

Lilia Santos (CRB-6/1776)
“Ótimas considerações para um debate qualificado sobre a importância da biblioteca escolar e sobre a valorização do profissional de Biblioteconomia.”

Comentários no Blog:

Claudio Marcondes
“Solidarizo com os colegas do CRB-6 pela resposta à matéria publicada na revista Nova Escola, pois a área de biblioteca escolar é de suma importância para sociedade.”

Valdeci Maria Clemen
“Esclarecimento perfeito. Parabéns CRB.”

Jussara Feitosa de Santana Gomes (CRB-6/1094)
“Bibliotecários em ação

Uma resolução da Secretaria Estadual de Educação de Minas Gerais determinou que o professor formado em Biblioteconomia deve ser o profissional habilitado para estar à frente das bibliotecas da rede estadual de ensino. Até que enfim. Isso já era mais que esperado. Muitos professores bibliotecários foram designados para a função.

Geralmente, em várias escolas, a realidade era que os profissionais encarregados de exercer uma função na biblioteca eram os professores em afastamento da sala de aula, em processo de aposentadoria, excedentes, ou ainda, doentes, depressivos e até com síndrome do pânico, já que não conseguiam enfrentar o dia a dia da sala de aula com os alunos. Essa é a imagem do bibliotecário na escola, estigmatizada como aquela pessoa que precisa descansar e que não pode trabalhar com o aluno.

Muitas escolas no Estado já possuem uma biblioteca, sobretudo as da rede de ensino público estadual, cujo acervo é doado pelo Governo e composto por livros bem-selecionados, títulos premiados, clássicos universais estrangeiros e brasileiros, best-sellers atuais e da literatura infantil. São coleções literárias adquiridas, também, por meio dos projetos do Governo Federal e de instituições comerciais que oferecem oportunidades para formação de acervos e de leitores.

O que instiga a nós, profissionais da biblioteconomia, é encontrar bibliotecas na condição de depósitos de livros sem nenhum tratamento, misturados e dispostos desordenadamente. São paredes de livros didáticos já descartados, enfileirados e que enchem as prateleiras. Enquanto isso, os bibliotecários são convidados a trabalhar com a mediação da leitura, de projetos de comemoração de datas festivas, para confeccionar murais, enfeites e outros itens que exigem muita habilidade manual e artística e são necessários à estética escolar de acolhimento e de informação. Concordo que essas funções precisam ser executadas, afinal, estamos na escola para somar. Mas e o tempo necessário para o serviço técnico de organização do acervo? Isso sempre parece ser superficial na visão de leigos e, até mesmo, dos colegas professores que esperam a nossa colaboração nos projetos de leitura propostos na instituição de ensino.

O olhar de um bibliotecário, mesmo com a formação pedagógica, é diferente da percepção do professor. Por mais organizado que um profissional seja, a capacidade de ordenar uma biblioteca requer formação e capacitação. Que bom que já começaram a abrir portas para que especialistas da área estejam à frente das bibliotecas escolares. Contudo é necessário que entendam que esse profissional está preparado para uma função que exige local adequado, equipamentos e mobiliário apropriados. Tal estrutura ainda não é uma realidade nesses espaços.

É muito importante a compreensão de todos nesse momento, pois em Minas Gerais, só agora, em 2016, nós bibliotecários estamos ocupando nossas funções nas bibliotecas escolares e propondo, simplesmente, que esses locais possam ser organizados, limpos, sistematizados e tratados como merecem. Afinal, como fazer a mediação de leitura, a distribuição dos livros didáticos e o controle dos empréstimos? Como indicar obras que não foram identificadas, listadas, carimbadas, registradas, classificadas, catalogadas e organizadas dentro de um sistema? Um dos principais objetivos de uma biblioteca não seria facilitar o acesso aos materiais e às informações?

Queremos, sim, partilhar o mundo do conhecimento por meio da leitura, com todos os que estão ao nosso redor, e é para isso que nos preparamos. Estamos ocupando um espaço que é nosso por direito e queremos trabalhar com dignidade.”

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16 Comentários

  1. Alessandra Assis
    Posted 11 de abril de 2016 at 12:35 | Permalink

    Qual é o numero dessa resolução??? Trabalho no Estado e essa informação não procede

    • margarete borba
      Posted 12 de abril de 2016 at 11:46 | Permalink

      Lei nº 12.244 de 2010, Lei da Biblioteca Escolar.

  2. Cecilia Monteiro
    Posted 11 de abril de 2016 at 15:11 | Permalink

    Historicamente professores sempre responderam subalternamente por todos os seguimentos pedagógicos, administrativo, …. da escola. Para o professor, um amontoado de livros sem critérios é considerado Biblioteca, para o alunado também.A Biblioteconomia na Educação, desconsidera o professor ausente de sala de aula, que é oportunizado pelos governos visto à ausência de concurso para técnico especialista,funcionários.A Biblioteca na escola, é prêmio entre amigos favorecidos, é espaço de professores que não produzem mas trabalho, é cargo de confiança de diretoria, é porta fechada para o público,é mercado para venda de livros, é veio de escoamento de verba pública pela leitura apenas.Por outro lado, com o acirramento das leis que favorecem a Biblioteca Escolar, e Bibliotecário: a extensão da perda de espaços é atribuída ao pedagogo.Chamo atenção, ao PNL, ao PNE e aos Planos Regionais de Leitura, que ofialmente não situam à Biblioteca Escolar em suas diretrizes.

  3. Sônia Moura
    Posted 11 de abril de 2016 at 17:12 | Permalink

    A arrogância, a vaidade e a competição predatória são as causas do atraso de uma sociedade. Várias instituições contam com especialistas diversos: psicólogos, assistentes sociais e bibliotecários. A escola conta somente com os professores e isso é uma grande desvalorização do profissional professor. Os bibliotecários da Educação são para contribuir com os professores e não para competir com eles, assim como os bibliotecários da Justiça,da Saúde, etc. Cabe à escola lutar por mais profissionais qualificados na solução dos problemas da Educação que são muitos.

  4. Posted 11 de abril de 2016 at 19:23 | Permalink

    Parabéns pelo CRB-6. Acredito que este debate poderá trazer benefícios a nossa categoria. Vamos nos aliar uns aos outros pelo nosso reconhecimento profissional que é de direito.

  5. Posted 12 de abril de 2016 at 11:55 | Permalink

    A questão da biblioteca escolar é muito mais sobre quem irá administra-la. Sem dúvida, o bibliotecário deve fazer parte desse processo, mas a falta de profissionais no mercado também não pode atrapalhar o desenvolvimento desse novos espaços de leitura. Ainda temos muita coisa para debater sobre esse assunto.

  6. Clara Lucia de Souza
    Posted 12 de abril de 2016 at 14:16 | Permalink

    “A Resolução da Secretaria Estadual de Educação de Minas Gerais determinou que o professor formado em Biblioteconomia deve ser o profissional habilitado para estar à frente das bibliotecas da rede estadual de ensino.”
    Não é o que está acontecendo em Itajubá-MG. Nas designações em que participei fui preterida por professores de diversas áreas e pedagogos sem a formação em Biblioteconomia.
    A realidade em Itajubá é outra. A 15ª SRE-Itajubá está interpretando a resolução de outra forma, desrespeitado o profissional bibliotecário.

  7. Manoel Messias
    Posted 13 de abril de 2016 at 16:06 | Permalink

    Muito complicado essa questão da Biblioteca Escolar. Em um mundo ideal as ações de uma biblioteca escolar deveria serem feitas em conjunto com um bibliotecário e um pedagogo exclusivo para ela. Mas a realidade é totalmente ao contrária.

    Manoel Messias Soares Germano Júnior
    Aluno de Biblioteconomia UFC 362463

  8. Fatima Andrade
    Posted 13 de abril de 2016 at 16:37 | Permalink

    Fatima Andrade (CRB – 6 /3009)
    O que digo é que o Bibliotecário é um profissional liberal (bacharel, mestre ou doutor) que trata a informação e a torna acessível ao usuário final, independente do suporte informacional. O bibliotecário tem a responsabilidade de identificar a demanda de informação em diferentes contextos e levando em consideração a diversidade do público. Ele trabalha em bibliotecas, centros de documentação, empresas, escritórios jurídicos (organizando acervo e trabalhando na pesquisa sobre jurisprudência), etc. e pode gerir redes e sistemas de informação, além de gerir recursos informacionais e trabalhar com tecnologia de ponta. Por essas atribuições o bibliotecário é segundo a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), um Profissional da Informação, como também o são documentalistas e analistas de informação (pesquisador de informações na rede). O exercício desta ocupação requer Bacharelado em Biblioteconomia, disponível nas principais universidades federais do Brasil e também privadas, bem como inscrição no Conselho Regional de Biblioteconomia, sob pena de responsabilização pelo crime de exercício ilegal da profissão.
    No entanto o Estado de minas Gerais (não sei se outros também o fazem) está contratando professores P1 ( Regente de Turma, Anos Iniciais) para atuarem nas bibliotecas escolares se intitulando “Bibliotecários” . No contrato (designação) o cargo é BIBLIOTECÁRIO! Nós profissionais nao podemos aceitar essa situação jamais!
    Na verdade nao estou atuando na profissão, mas vivi diversas situacoes na escola em que trabalho.

    • Sindier A.
      Posted 14 de abril de 2016 at 0:02 | Permalink

      Cara Fátima,
      Quanto à função na rede estadual, a nomenclatura é ” Professor para ensino do uso da Biblioteca”.
      Diante das ações do CRB6, já conseguimos alguns avanços como a prioridade para o professor formado em Biblioteconomia e o professor em ajustamento funcional não deve atuar sozinho.
      O CRB6 continua negociando com a SRE na perspectiva de conseguir a criação do cargo de Bibliotecário na carreira de Educação.

      • Emanuelle Amaral
        Posted 19 de abril de 2016 at 20:23 | Permalink

        Infelizmente a SRE não está cumprindo o combinado! Já participei de algumas designações em Belo Horizonte e na região metropolitana e a interpretação para a Resolução se deu de diferentes maneiras, mas em todas as interpretações a prioridade do Bibliotecário não foi respeitada. Apenas em uma escola consegui assumir, mas saí logo após o expediente do primeiro dia por denúncia de outra candidata que estava na designação. A inspetora cancelou a designação da escola que assumi com o discurso de que eu não tinha Magistério ou Pedagogia para atuar na biblioteca. Parece piada, mas aconteceu mesmo!
        Reconheço o esforço do CRB-6 e fico muito feliz! Mas a luta é grande!

  9. Anônimo
    Posted 13 de abril de 2016 at 23:42 | Permalink

    Mas tem que ir mais atrás das fiscalizações! Tem escolas como o Instituto Teresa Valse em Uberlândia que não estava cumprindo essa determinação. As pedagogas acham que são as únicas responsáveis pela formação de leitores e acham que “mandam” na biblioteca e não respeitam a opinião do bibliotecário! Tanto que hoje ainda acho que não tem bibliotecário lá porque preferem pagar a multa e deixar uma pessoa que nem é técnica por formação atuando na catalogação e organização. E apenas as pedagogas atuam como selecionadoras e executoras de projetos de formação de leitores.

    • admin
      Posted 14 de abril de 2016 at 10:14 | Permalink

      Prezado(a),

      informamos que foi realizada autuação neste Colégio ano passado. O mesmo está na fila pra ser julgado pelo CRB-6.

      Equipe CRB-6

  10. Celia Regina Costa
    Posted 14 de abril de 2016 at 14:36 | Permalink

    A história que a SEE-MG criou a vaga de Professor para uso de biblioteca foi dirigida a profissionais da Biblioteconomia atuarem nas escolas estaduais é pura balela, o fato de ter colocado o termo Professor e não profissional já reduz arbitrariamente qualquer possibilidade porque somos todos Bacharéis e isto impedi a nossa posição e possível contratação de forma legalmente assistida dando a outrem o nosso real e devido lugar. Que mude se mude a lei e principalmente o termo não somos professores porque não temos licenciatura mas somos profissionais formados e registrados. Leiam a ementa do curso e revejam nosso histórico antes de nos classificar e julgar capazes ou não.

  11. Posted 16 de março de 2017 at 13:17 | Permalink

    Está correto! Temos que nos unir para fortalecer a classe e reivindicar nosso reconhecimento profissional!

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