Uma bibliotecária de destaque

Gracielle Mendonça recebeu o prêmio de melhor dissertação no ENANCIB 2015 e já publicou artigos em periódicos nacionais

A bibliotecária do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Gracielle Mendonça (CRB-6/2338) foi convidada a integrar a equipe da publicação internacional The Electronic Library, periódico Qualis A, conforme classificação adotada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Ela já havia publicado artigos em periódicos nacionais e, na primeira tentativa fora do país, recebeu, junto com sua orientadora do doutorado, Beatriz Cendón, o convite para ser revisora.

O Conselho Regional de Biblioteconomia 6ª Região (CRB-6) divulgou em seus canais de comunicação uma matéria sobre a conquista da bibliotecária. A notícia repercutiu nas redes sociais da instituição e alcançou, somente no Facebook, cerca de dez mil visualizações, um volume de acessos que corresponde a quase o triplo do número de bibliotecários registrados no Conselho, além de 345 curtidas e inúmeros comentários.

Gracielle Mendonça, ganhadora do prêmio de melhor dissertação no ENANCIB 2015 (Foto: Arquivo Pessoal)

Gracielle Mendonça, ganhadora do prêmio de melhor dissertação no ENANCIB 2015 (Foto: Arquivo Pessoal)

O Conselho entrevistou a profissional, que já havia sido fonte em matéria sobre a premiação do XVI Encontro Nacional de Pesquisa em Pós-Graduação em Ciência da Informação (ENANCIB), para saber mais sobre a sua carreira. Confira:

Por que você optou pela Biblioteconomia?

Decidi fazer Biblioteconomia no fim dos anos 2000, aos 17 anos. Naquela época, as áreas de ciências sociais, gerenciais e tecnológicas já despertavam o meu interesse. Ao pesquisar sobre o curso de Biblioteconomia da Escola de Ciência da Informação da UFMG vislumbrei a possibilidade de gerenciar serviços de informação, aplicar as tecnologias para processar, armazenar e recuperar informações e promover o acesso à informação de diversas maneiras. Escolhi, portanto, a profissão em razão da possibilidade de estudar, integrar e atuar nas minhas áreas de interesse.

Você já publicou artigos em periódicos nacionais e ganhou um prêmio por sua dissertação de mestrado. Recentemente, foi convidada para ser revisora de uma publicação internacional. O que isso representa para você e para os profissionais da área?

Durante o curso de Biblioteconomia e após a minha formação, não considerei a possibilidade de seguir a carreira científica. Estava determinada a atuar em bibliotecas especializadas e centros de documentação, no entanto, as oportunidades foram surgindo em bibliotecas e arquivos, principalmente em instituições públicas ligadas à área da Educação, em funções mais tradicionais como gestão de equipes e bibliotecas, tratamento e disseminação da informação e programas de incentivo à leitura.

Após as primeiras experiências profissionais como bibliotecária, percebia a necessidade de continuar a minha formação para estar sempre preparada a lidar com os desafios que iam surgindo e propor novas soluções, mas também experimentava um anseio de elaborar manuais, relatórios, políticas e guias de usuários para cada instituição nas quais atuei. E continuei estudando tanto de maneira autônoma como através de cursos formais. Terminei a especialização em 2008 e comecei a considerar a possibilidade de fazer o mestrado no fim de 2011, quando já havia três anos que trabalhava como bibliotecária do Programa de Extensão da Escola de Ciência da Informação da UFMG.

A partir da preparação para o mestrado em Ciência da Informação na UFMG, comecei a me interessar pelas diversas formas de comunicação utilizadas pelos pesquisadores da área. Em paralelo, passei a escrever artigos para apresentar em eventos profissionais e científicos nacionais e internacionais, apoiada pelas experiências profissionais vividas com outros bibliotecários e professores da Escola de Ciência da Informação e do Departamento de Ciência da Computação da UFMG. Ter tido a possibilidade de publicar em periódicos nacionais e internacionais importantes da Ciência da Informação, receber o prêmio pela pesquisa desenvolvida no mestrado e ser revisora de uma publicação internacional relevante são ainda para mim uma surpresa, uma vez que não eram objetivos planejados. Ao contrário, resultam da minha curiosidade e abertura para o novo, que se mostrou interessante e agradável. Como bibliotecária e pensando agora em nossa classe, isso mostra que os saberes, potenciais e competências que possuímos nos dá a oportunidade de ter êxito também na carreira científica, graças, sobretudo, ao contato que temos com pesquisadores e profissionais de diversas formações, instituições e até países.

Concorda que o perfil do profissional tem mudado?

A importância dada às bibliotecas e aos bibliotecários para a preservação, organização e disseminação do conhecimento desde o início da história da humanidade leva a uma mudança constante do perfil do profissional, mas em cada época novos paradigmas surgem para adequar o fazer às novas demandas sociais. Nas últimas décadas, para os profissionais da informação, principalmente os bibliotecários, as mudanças têm sido mais rápidas, sobretudo no que diz respeito à geração, acesso e fluxo informacional, impulsionados por tecnologias cada vez mais sofisticadas, numa sociedade progressivamente mais complexa, que regride e avança constantemente em diversas áreas. Em vista disso, é fundamental rever de forma mais rápida a educação, as teorias, a formação das competências, a relação entre a universidade e o mercado, os processos de trabalho e as atividades dos estudantes de Biblioteconomia e dos bibliotecários, para que alcancem novas posições e atendam às demandas atuais de informação de modo renovado e original. Uma atuação mais expressiva, ousada e efetiva no mercado de trabalho e na sociedade é do que precisamos.

Como vê o mercado para o bibliotecário? O que mudou nos últimos anos? Quais são os desafios que a profissão oferece hoje?

Durante os últimos 12 anos, eu observei que as mais comuns e vantajosas oportunidades para os bibliotecários ainda estão nas instituições públicas, com acesso através de concurso, caso também dos que escolhem a docência. Mas há, na realidade, oportunidades para os bibliotecários ocuparem cargos em todos os segmentos, nas áreas comercial e industrial, em hospitais, em organizações do terceiro setor, em consultorias e assessorias. Para lidar com os desafios que a profissão oferece, além de uma boa formação, é importante ter autoconfiança e perspicácia para transformar seus conhecimentos e habilidades em produtos e serviços de informação, perceber oportunidades de trabalho e competir diretamente com profissionais de outras áreas. Os bibliotecários, a partir do momento que decidem a área em que desejam atuar, devem buscar o domínio das competências necessárias e acompanhar os avanços naquela área.

As redes sociais e a internet podem contribuir para a valorização da profissão? E para o incentivo à leitura?

Há um crescimento no uso pelos bibliotecários das redes sociais e da internet como recursos para produção e disseminação de conteúdos profissionais, difusão de eventos e da agenda cultural, cientifica ou da área ao qual se está vinculado, divulgação dos serviços de informação e das atividades de incentivo à leitura, sugestões de leituras e notícias sobre autores, criação de redes de relacionamento entre usuários, aproximação de usuários e bibliotecas, entre outros. O uso de wikis, blogs, redes sociais, Youtube, Twitter pode se tornar mais proveitoso profissionalmente se for considerada a possibilidade de se criar uma política de comunicação, capacitar os profissionais para explorarem as potencialidades dessas ferramentas, manter atualizadas as informações e selecioná-las e acompanhar as respostas dos usuários. Além, é claro, avaliar todo o processo para mantê-lo em constante aperfeiçoamento.

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