Já está disponível a publicação “Fortalecimento de bibliotecas acessíveis e inclusivas”

O manual, lançado durante as celebrações do Dia do Bibliotecário no Ministério da Cultura, já está disponível! Clique na imagem para baixar.

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Os segredos da nota mil

Com leitura e treino, três mineiros conseguiram pontuação máxima na redação do Enem

Setenta e sete candidatos do Enem 2016 alcançaram os mil pontos na redação, é o que mostra matéria “Leitura e treino levam mineiros à nota mil na redação do Enem”, do G1 Zona da Mata. A reportagem mostrou que três deles são estudantes de Juiz de Fora – Igor Farinazzo, Nathália Cour e Tamyres Vieira, que dissertaram sobre “Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil”. Nathália e Igor têm 18 anos e Tamyres, 20. Em comum, o hábito da leitura e treinamento específico para a prova.

Tamyres dos Santos Vieira é ex-aluna da Escola Adventista e do Colégio Apogeu e fez cursinho de redação com o professor Eliandro Luiz Andrade para se preparar. A jovem conta que sempre gostou de ler e que não pretende se candidatar a uma universidade pública, já que cursa o quarto período de Medicina em uma instituição particular.

A importância da preparação

Igor e Nathália foram colegas no Colégio Santa Catarina. Ela quer estudar Medicina na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) ou na de São João Del Rei (UFSJ), e ele pretende cursar Engenharia Química na Federal de Minas Gerais (UFMG).

Nathália conta que o hábito da leitura começou com o livro O ladrão de olhos, de Jonathan Auxier, adquirido em um sebo. Preparando-se para o Enem, fez cursinho de redação e escrevia no mínimo um texto semanalmente. Ela acredita, contudo, que estudar exageradamente não ajuda. “É melhor evitar a exaustão”, recomenda. Para a estudante, fundamental é demonstrar conhecimento geral, que enriquece o conteúdo da redação.

Igor, por sua vez, se interessou pelos livros a partir da série Harry Potter, de J. K. Rowling, que começou a ler aos 11 anos. Para ele, estudar é algo que se aprimora com o tempo. O estudante conta que o auxílio dos professores foi essencial. “Fazia questão que o professor corrigisse a redação na minha presença, para aprender com meus erros.”

O professor do cursinho de redação de Tamyres e Nathália, Edson Munk, afirma que o aluno deve entender o que o Enem exige. Confira as dicas do professor:

  • Prepare-se para fazer um texto dissertativo e argumentativo;
  • Sustente sua tese com argumentos coerentes, claros e diretos;
  • Considere que o Enem exige proposta de intervenção – aponte, portanto, soluções para os problemas apresentados;
  • Proponha soluções criativas, que fujam do óbvio.

Fonte: G1 Zona da Mata – 23/01/2017

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A poesia pode dar forma à nossa perplexidade, afirma Ana Martins Marques em conferência na UFMG

Em uma época dominada pela atrofia da imaginação e da empatia, a literatura e a poesia ganham ainda mais importância. “Esse talvez seja um dos maiores poderes que a gente pode atribuir à literatura: o de nos tornar mais abertos e sensíveis a outros modos de percepção e de pensamento. Isso me parece especialmente importante em momentos como o atual, de sectarismo e intolerância em relação a outros modos de vida”, afirmou a escritora Ana Martins Marques, em sua participação no ciclo de conferências dos 90 anos da UFMG, na noite de ontem, no campus Pampulha.

Ana Martins Marques (Foto: Foca Lisboa/UFMG)

Ana Martins Marques (Foto: Foca Lisboa/UFMG)

Antes de abordar o assunto principal de sua conferência – os sentidos da poesia na contemporaneidade, sob a ótica de uma artista com formação acadêmica, e o saber que se pode depreender dela –, Ana Martins Marques explicou por que decidiu ministrar a comunicação mesmo após ter hesitado. Além de certa aversão aos holofotes, a poeta contou ter se questionado “se teria o que dizer” em um evento mais acadêmico que exatamente literário.

“Mas decidi aceitar o convite por dois motivos. Primeiro, em razão de uma dívida de gratidão que tenho com a UFMG. Depois, por pensar que essa fala pudesse ser uma homenagem a um tio muito querido, Marcelo Pimenta Marques, que foi professor na Faculdade de Filosofia. Enquanto escrevia este texto, eu me lembrava de como ele era capaz de assumir uma atitude de investigação diante do assunto mais banal”, disse ela. Marcelo Pimenta morreu em agosto do ano passado.

Sem restituição

Sobre a “dívida de gratidão”, Ana Martins Marques discorreu: “Obviamente, ela nunca poderá ser paga. A abertura de minhas perspectivas, a ampliação de minha percepção do mundo, o contato com outros modos de ver e de existir que a Universidade me proporcionou: essas coisas não podem ser restituídas nem contabilizadas”, disse ela, que fez graduação, mestrado e doutorado na Faculdade de Letras da UFMG. “De forma que, sendo essa uma dívida impagável, o melhor que posso fazer é mantê-la de alguma forma viva; manter uma espécie de fluxo da dívida. A única forma de fazer isso é por meio da presença e do envolvimento”, afirmou.

Para a poeta, que já ganhou os prêmios Cidade de Belo Horizonte, Literário Biblioteca Nacional e APCA de Poesia, esse tipo de envolvimento de artistas e intelectuais em esferas públicas de discussão parece especialmente urgente nos dias de hoje, quando “voltam a circular com muita força discursos contrários aos investimentos públicos na Universidade, e instituições públicas importantes sofrem um verdadeiro desmonte, a ponto de se tornar impossível o seu funcionamento regular, como no caso da Uerj.”

Em sua saudação à escritora, a vice-reitora Sandra Goulart Almeida comentou: “Estamos abrindo esse ciclo com chave de ouro. Conseguimos trazer dois jovens talentosos e premiados, pesquisadores e acadêmicos, para falar um pouco dos desafios que a contemporaneidade oferece a todos nós”, destacou ela, lembrando também a conferência ministrada na quarta-feira pelo matemático Artur Avila, ganhador da Medalha Fields, a mais importante de sua área.

Sérgio Alcides, poeta e professor de Teoria da Literatura e Literatura Brasileira da UFMG, mediou a conferência da escritora. Em sua apresentação, Alcides lembrou que Ana “está entre os maiores poetas da atualidade que escrevem em nossa língua” e destacou a importância de sua fala. “Esta é uma noite muito rica, uma oportunidade ótima de conversar com alguém que está escrevendo a poesia que nós precisamos ler neste momento”, disse. Na abertura da conferência, o professor leu o poema História, de Ana, ainda não publicado em livro. “É um poema que, no instante da leitura, a gente sente: tem um lastro muito forte; ainda por se fazer”, disse.

Ana Martins Marques : "A poesia pode dar forma à nossa perplexidade" (Foto: Foca Lisboa/UFMG)

Ana Martins Marques : “A poesia pode dar forma à nossa perplexidade” (Foto: Foca Lisboa/UFMG)

História

Tenho 39 anos.
Meus dentes têm cerca de 7 anos a menos.
Meus seios têm cerca de 12 anos a menos.
Bem mais recentes são meus cabelos
e minhas unhas.
Pela manhã como um pão.
Ele tem uma história de 2 dias.
Ao sair do meu apartamento,
que tem cerca de 40 anos,
vestindo uma calça jeans de 4 anos
e uma camiseta de não mais do que 3,
troco com meu vizinho
palavras
de cerca de 800 anos
e piso sem querer numa poça
com 2 horas de história
desfazendo
uma imagem
que viveu
alguns segundos.

A erótica da língua

Modesta, Ana Martins Marques preparou uma conferência em que seus dois terços iniciais continham ressalvas relativas à suposta precariedade das observações que estava por fazer. “É que parece não haver, ou ao menos é difícil delimitar, algo que seja específico ou essencial à poesia. Ou talvez que o mais próprio da poesia seja hoje essa disponibilidade para estabelecer conexões: com a prosa, com as artes visuais, com a música, com a fotografia”, afirmou.

E foi assim que, entremeando em seu discurso uma série de referências à própria dificuldade de se expressar, a poeta alcançou o terço final de sua fala apresentando uma série de observações originais sobre possibilidades de sentido para a arte poética em um tempo em que até mesmo os sentidos se liquefazem instantaneamente, na velocidade dos algoritmos.

“A poesia talvez seja uma arte da linguagem que se caracteriza justamente por se colocar em relação e em contato com outras linguagens, acercando-se sempre do que ela ainda não é ou já não é mais”, disse. “Diferentemente do que ocorre no dia a dia, em que a gente usa a língua como se ela fosse de alguma forma transparente (a gente usa a língua como se usa o dinheiro), na poesia a linguagem se lembra o tempo todo de que também é matéria”, completou.

Em uma reflexão que denominou como “duas ou três coisas que sei sobre a poesia (que na verdade são quatro)”, Ana sugeriu o poema como “a procura de um ‘como dizer’” e a poesia como um “dispositivo de pensamento”. “A poesia nos mostra que pensar é um ritmo, uma velocidade. Que pensar é encontrar e produzir imagens, ressonâncias, relações.” Em suas “notas sobre a poesia”, ela ainda registrou: “O que está em jogo em um poema, para além do sentido, é essa relação de atração, de atrito, de ritmo, de intensidade e de choque entre as palavras. É uma espécie de erótica da língua: o modo como as palavras fazem amor”, disse. “É possível pensar o poema como um dispositivo singular que instaura uma específica relação com a linguagem e também com o tempo. Ou que instaura certo modo de leitura.”

Um poema se oferece

Se, por um lado, Ana Martins Marques defende a importância da literatura e da poesia na contemporaneidade, por outro ela se preocupa em não reeditar qualquer ideia de arte como panaceia para os males do mundo. “A literatura e a poesia são sempre um convite, nunca uma garantia. Um poema não pode se impor a ninguém. Ele apenas se oferece.” E acrescentou: “Os poemas frequentemente nos decepcionam.”

Foi no contexto dessas reflexões que a poeta arriscou uma resposta para a sua busca sobre o saber que pode ser depreendido da arte, da literatura e da poesia. “Esse saber não é um acréscimo ou um acúmulo de conhecimento. De modo geral, a gente não vai encontrar soluções ou saídas nos textos literários. A poesia não vai nos dar respostas, não vai nos dar programas nem acesso a algum conhecimento sistemático do mundo. O que ela nos pode dar é forma à nossa perplexidade, à nossa inquietação, aos nossos desejos, à nossa hesitação, aos nossos desequilíbrios e aos desequilíbrios do mundo”.

Para a escritora, que apesar de escrever desde criança, só começou a publicar após os 30 anos, um bom poema nos convida a ver o mundo de forma mais complexa e a reescrever a compreensão que temos dele, a compreensão que temos da linguagem, dos outros e de nós mesmos. Ou seja, um bom poema tem o potencial de oferecer ao mundo o que ele mais parece precisar: autocompreensão.

Nesse sentido, Ana Marques lembrou a importância do endereçamento na poesia. “Os poemas se encaminham. Eles estão à procura de um ‘tu’ ou de um ‘você’ a quem se endereçar.” Pensando nisso, relembrou o fim do poema Conversa com a pedra, da polonesa Wislawa Szymborska: “Bato à porta da pedra. / — Sou eu, deixa-me entrar. / — Não tenho porta – diz a pedra.” “Bater à porta do que não tem porta; bater à porta do que não responde, ou ao menos não responde em uma língua que possamos entender; procurar visitar esses lugares ainda desconhecidos, ainda sem portas: essa é a tarefa a que a poesia, desde sempre, se propõe.”

A escritora Ana Martins Marques também falou à reportagem da TV UFMG sobre o convite que recebeu da Universidade para participar do ciclo de conferências.0

Fonte: UFMG

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III Encontro de Bibliotecários do Norte de Minas

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Bibliotecas de Domingos Martins e Cariacica (ES) ganham prêmio nacional

Duas instituições no Estado ganham reconhecimento nacional no começo deste ano de 2017. As Bibliotecas Públicas dos municípios de Domingos Martins e Cariacica estão entre as dez vencedoras do prêmio Reconhecimento Recode de Boas Práticas em Bibliotecas – Organização Social Recode, que possui apoio da Fundação Bill e Melinda Gates.

Bibliotecas de Domingos Martins e Cariacica ganham prêmio Reconhecimento Recode de Boas Práticas em Bibliotecas (Foto: Governo do Espírito Santo/SECULT)

Bibliotecas de Domingos Martins e Cariacica ganham prêmio Reconhecimento Recode de Boas Práticas em Bibliotecas (Foto: Governo do Espírito Santo/SECULT)

O intuito é divulgar as práticas inovadoras do país que abrangem o uso de Tecnologias da Informação (TI). Os projetos participantes concorreram ao prêmio pela categoria “Bibliotecas”, iniciativa focada na transformação do papel dessas instituições a partir do acesso à cultura e conhecimento. Entre os prêmios, estão computadores desktop e viagens ao Chile para um intercâmbio bibliotecário e de experiências inovadoras na área.

O projeto “Noções Básicas de Computação: Informática como Recurso Terapêutico”, da Biblioteca Pública Municipal de Domingos Martins (ES), ficou em segundo lugar e utiliza a inclusão digital como recurso terapêutico e o conceito do empoderamento feminino por meio do uso da informática.  De acordo com a bibliotecária da instituição, Ana Maria da Silva, o programa foi remodelado para atender um grupo específico de mulheres, pacientes da Saúde Mental deste município.

“Tal ação permitiu o fortalecimento de uma parceria com a Secretaria de Saúde, em especial a área de saúde mental, assim como a inclusão digital de mulheres com depressão e contribuiu para o melhoramento da autoestima destas pessoas. É um projeto que demonstra como a biblioteca pode contribuir nas melhorias de uma comunidade”, enfatizou Ana Maria.

Classificado em sétimo lugar, o projeto “Oficinas Tecnológicas” da Biblioteca Pública Municipal Madeira de Freitas, de Cariacica, integra tecnologia a atividades que promovam o conhecimento, arte e até mesmo a prestação de serviço. “Queríamos trazer a comunidade, principalmente os jovens, para a biblioteca. Criamos o projeto com apoio dos próprios servidores e oferecemos na época quatro oficinas que fossem atrativas e benéficas para a própria comunidade. A nossa proposta é a inovação para mostrar que a biblioteca não é um local obsoleto, e sim um local que sempre acompanha as novas tecnologias”, destacou a bibliotecária Marcelle Coelho Queiroz.

Para a diretora da Biblioteca Pública do Espírito Santo (BPES), Rita de Cássia Maia, o reconhecimento do prêmio indica a potencialidade destas instituições como instrumento de transformação social. “Essa rica experiência evidencia a enorme necessidade e importância de se valorizar as bibliotecas públicas, modernizando-as e adequando-as às exigências da nova sociedade do conhecimento, que não pode mais prescindir das tecnologias da informação e de qualificação a serviço da promoção da cidadania”, destacou.

Fonte: Governo do Espírito Santo | Texto: Danilo Ferraz

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Biblioteca Municipal de Patos de Minas irá desenvolver projetos de incentivo à leitura, escrita e estudo

Os projetos será para crianças de escolas municipais, estaduais e particulares e está marcado para iniciar na próxima terça-feira (21).

Biblioteca Municipal João XXIII, de Patos de Minas (Foto: Divulgação)

Biblioteca Municipal João XXIII, de Patos de Minas (Foto: Divulgação)

A Biblioteca Municipal João XXIII, de Patos de Minas, através da Secretaria de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer, irá desenvolver novos projetos com crianças de escolas municipais, estaduais e particulares, com o propósito de aumentar o prazer pela leitura, o interesse pelos estudos e incentivar a fala e escrita. Um dos projetos, com apresentação de conto, já está marcado para iniciar na próxima terça-feira (21).

Denominado “Hora do Conto”, o projeto objetiva auxiliar na construção da aprendizagem, estimulando a criatividade e imaginação, a concentração e incentivando à reflexão das crianças. Na primeira etapa, será contada a história “Meu peixinho Pluti”, do autor Zé Brito e da ilustradora Gisele Tavares, ambos patenses.

Segundo a coordenadora de projetos culturais, Gracinha Araújo, “para participar, as escolas devem entrar em contato com a coordenação da Biblioteca e realizar a inscrição. O deslocamento dos alunos até a biblioteca, onde ocorre o projeto, também é de responsabilidades de cada escola”.

O espaço destinado à contação de história tem capacidade máxima para 40 crianças e será dividido em dois turnos: manhã, de 8h às 9h e à tarde, de 13h30 às 14h30. Nesta primeira edição, os alunos do projeto Viva Cristavo já foram inscritos e vão ouvir “Meu peixinho Pluti”.

Além da “Hora do Conto”, estão previstos para 2017 os projetos “Hora do autor”, “Hora do Estudo”, “Arvoredo da leitura”, entre outros. A iniciativa da Biblioteca busca resgatar, principalmente, os costumes de leitura e estudo, que se perderam com a chegada das inovações tecnológicas, além de propiciar um convívio e interação social entre os usuários do espaço.

Para mais informações, ligue: (324)3822-9666 e falar com Gracinha.

Fonte: Prefeitura de Patos de Minas | Texto: Thais Ketley

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A menina mineira que viveu em caverna no Brasil e virou escritora de sucesso na Suécia

Adotada por suecos, Christina Rickardsson morou quando criança numa caverna em Minas e hoje é autora de best-seller que conta sua própria história

Christina Rickardsson conta sua própria história em livro que esgotou já na primeira semana de vendas na Suécia (Foto: Divulgação)

Christina Rickardsson conta sua própria história em livro que esgotou já na primeira semana de vendas na Suécia (Foto: Divulgação)

Christiana, me prometa uma coisa. Aconteça o que acontecer na sua vida, nunca pare de caminhar”, disse certa vez sua mãe, naqueles tempos miseráveis em que ela se chamava Christiana Mara Coelho.

Sua primeira casa foi uma caverna no Parque Estadual do Biribiri, reserva natural próxima à cidade mineira de Diamantina. A segunda, uma favela de São Paulo. Mas quando ela tinha oito anos de idade, tudo iria mudar: um dos “pássaros de metal” que ela via voar no céu de São Paulo a levou para a Suécia, ao lado dos pais adotivos. E ela passou a se chamar Christina Rickardsson.

A história das duas vidas de Christina se tornou um best-seller na cena literária da Suécia, com título dedicado às palavras da mãe, Sluta Aldrig Gå (Nunca Pare de Caminhar), livro de estreia da autora brasileira que já não fala o português e que será lançado no Brasil ainda neste semestre pela editora Novo Conceito, com tradução de Fernanda Sarmatz Åkesson.

Junto com o livro, aos 33 anos, Christina Rickardsson também realizou outro sonho: criar uma fundação de assistência a crianças carentes no Brasil, a Coelho Growth Foundation.

Caverna

Era uma manhã chuvosa quando sua mãe, Petronilia, a levou para viver em uma das cavernas do parque do Biribiri. Christina tinha 15 dias de vida, e ali seria a sua casa até os cinco anos de idade. Se chegou a conhecer o pai, ela não se lembra. Dizem que foi assassinado.

“Lembro que eu tinha muita fome”, conta Christina em entrevista à BBC Brasil.

“Quando não encontrávamos o que comer na floresta, caminhávamos até a cidade e nos sentávamos na estação de ônibus para pedir esmolas e comida. Às vezes tínhamos sorte, e as pessoas eram gentis. Outros nos chamavam de ratos de rua, e cuspiam em nós.”

À noite, ela tinha medo: dos escorpiões, das aranhas e das cobras que rondavam a caverna.

“Lembro de acordar várias vezes no meio da noite”, diz Christina.

Mas ela também se lembra de uma infância amorosa.

“Na caverna, minha mãe me contava histórias sobre Deus, anjos e muitas outras coisas. Existiam muitas cavernas na região, mas não havia outras pessoas vivendo ali, como nós vivíamos. Era apenas eu e ela, e eu sentia que tinha toda o amor e atenção de minha mãe. Eu me sentia amada, e isso foi extremamente importante para a minha vida”, diz.

Um dia, chegaram uns homens com seus cães, e elas foram expulsas da caverna. Foi quando Petronilia levou Christina para uma favela de São Paulo, onde ela passou a viver nas ruas enquanto a mãe buscava trabalho. Seu irmão, Patriqui, nasceu cerca de um ano depois.

Pouco antes de ser levada pela mãe para um orfanato, que Christina achava que era uma escola, ela viveu um trauma. Conta que viu a melhor amiga, Camille, ser assassinada por policiais na sua frente, quando as duas dormiam na rua.

Seu segundo choque aconteceu no dia em que os pais adotivos a levaram do orfanato, junto com o irmão Patriqui – que também ganhou um nome sueco, Patrik.

“Eles me disseram no orfanato que eu seria adotada, mas ninguém me explicou o que aquilo realmente significava”, conta Christina. “Quando saímos do orfanato de mãos dadas com meus pais adotivos, vi que aquilo era real – aquelas pessoas estavam me levando embora.”

O medo foi suavizado pela excitação de voar pela primeira vez num daqueles pássaros de metal. E só quando o avião pousou na Suécia, Christina percebeu que tinha deixado o Brasil.

“Minha mãe adotiva me mostrou um daqueles globos antigos, e apontou: aqui é a Suécia, ali é o Brasil. Eu vi aquele imenso oceano no meio, e foi então que percebi que eu não estava mais no meu país.”

‘Não sabia que a neve era fria’

O novo lar de Christina era Vindeln, um pequeno vilarejo de 2,5 mil habitantes situado no norte da Suécia, próximo à cidade de Umeå. E quando o inverno chegou, ela viu a neve pela primeira vez.

“Havia nevado muito durante a noite, e quando acordei achei que nossa casa estava cercada por uma imensa nuvem branca. Eu não sabia o que era neve. Saí então de casa, quase sem nenhuma roupa, e me joguei naquele tapete branco que cobria o chão”, conta Christina.

“Não sabia que a neve era fria, e comecei a gritar”, ela lembra. A mãe adotiva apressou-se em levá-la para um banho quente.

Tudo era estranho – o clima, a cultura, a língua.

“O mais difícil era que eu não podia me comunicar com ninguém. Meu irmão tinha menos de dois anos de idade. Minha mãe adotiva andava com um pequeno dicionário de português, mas não conseguia pronunciar direito as palavras”, diz.

Christina viveria mais uma perda aos 16 anos, quando um câncer levou embora Lili-Ann, sua mãe adotiva.

Depois de 24 anos na Suécia, em 2015 ela decidiu voltar ao Brasil para procurar a família, a caverna e o orfanato da infância.

Sobre a busca da mãe biológica, prefere deixar que as respostas sejam encontradas em seu livro. Mas ela conta que está em contato com a família brasileira, e que aos poucos vai tentando reaprender o português.

“Falo só um pouquinho”, ela diz, com um forte sotaque sueco.

"Sluta Aldrig Gå" ("Nunca Pare de Caminhar") é o título do livro de Christina, dedicado às palavras da mãe biológica dela (Foto: Divulgação)

“Sluta Aldrig Gå” (“Nunca Pare de Caminhar”) é o título do livro de Christina, dedicado às palavras da mãe biológica dela (Foto: Divulgação)

Sucesso

Na Suécia, seu livro teve a tiragem inicial esgotada em apenas uma semana, alcançou o segundo lugar na lista dos mais vendidos e levou Christina Rickardsson aos principais veículos de comunicação do país.

“Quando cheguei à Suécia, percebi que meus amigos suecos tinham condições de vida muito diferentes daquelas que crianças como eu tinham no Brasil. Sempre quis estão escrever um livro para contar como é crescer em um país onde a nem todas as crianças é dada a oportunidade de ter um futuro. E uma das coisas que a Suécia me ensinou é que, quando você dá a uma criança a chance de ter uma vida digna, ela vai agarrá-la.”

A última página do livro é dedicada ao trabalho desenvolvido pela sua fundação, a Coelho Growth.

“Indico ali também o site onde as pessoas interessadas podem fazer doações, para que outras crianças brasileiras também possam ter um futuro”, diz Christina.

A fundação já desenvolve projetos de assistência a crianças em uma creche e dois orfanatos de São Paulo – incluindo aquele onde Christina viveu. A autora conta que também iniciou um projeto de colaboração com as favelas de Heliópolis, em São Paulo, e do Complexo da Maré, no Rio de Janeiro.

Christina Rickardsson quer distribuir exemplares gratuítos do livro dela a crianças carentes no Brasil (Foto: Divulgação)

Christina Rickardsson quer distribuir exemplares gratuítos do livro dela a crianças carentes no Brasil (Foto: Divulgação)

Para o lançamento do livro no Brasil, Christina tem um plano: distribuir gratuitamente cerca de 1 mil exemplares para crianças carentes em favelas, além de doar cópias para bibliotecas locais.

“Uma das razões que me levaram a essa ideia foi a notícia de que o novo governo do Brasil vai congelar os gastos com educação, assim como no setor de saúde. É muito triste ver o que está acontecendo hoje no Brasil”, diz Christina.

“Quero então levar força e esperança às crianças carentes brasileiras, e dizer a elas que, mesmo em tempos difíceis, nunca desistam. Nunca deixem de caminhar.”

Fonte: BBC Brasil | G1

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XVIII Bienal Internacional do Livro do Rio

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Biblioteca Jesuíta reúne acervo diverso em quase 100 anos de atividades

Obras passaram por Nova Friburgo, São Paulo e Rio antes de serem transferidas para Belo Horizonte

Inaugurada em Nova Friburgo (RJ), em 1923, pelo Pe. Leonel Franca – fundador da Universidade Católica do Rio de Janeiro –, a Biblioteca Padre Vaz, da Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE), foi transferida para São Paulo, em 1965. O acervo retornou – ampliado por meio de aquisições e doações particulares – ao Rio de Janeiro, dez anos depois, até que, em 1981, foi levado para Belo Horizonte, onde permanece até hoje.

A Biblioteca Padre Vaz se encontra atualmente em Belo Horizonte (Foto: Pe. Valdir Marques)

Ao todo, mais de 256 mil exemplares – 106 mil livros, 563 peças audiovisuais, cerca de 700 teses e dissertações e quase 150 mil periódicos – estão disponíveis aos frequentadores. A biblioteca utiliza o sistema Winisis, da Unesco, e os Infoisis (Sipedi, Infoemp, Siaquis e Infoper) na catalogação do acervo. A equipe responsável pela manutenção do espaço é constituída por oito funcionários – duas bibliotecárias, quatro auxiliares e duas encarregadas de serviços gerais – e por três estagiários que estudam Biblioteconomia na UFMG.

Biblioteca possui aproximadamente 256 mil exemplares, entre livros, peças audiovisuais, teses, dissertações e periódicos (Foto: Leonardo Sancho)

De acordo com a bibliotecária responsável, Vanda Lúcia Abreu Bettio (CRB-6/1685), a biblioteca promove diversas exposições ao longo do ano, com destaque para as de obras raras, bíblias e as temáticas. “Anualmente, também participamos da Campanha de Responsabilidade Social, promovida pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia em solidariedade à Casa de Apoio às Pessoas com Câncer (CAPEC), e do Outubro Rosa, de conscientização sobre os riscos do câncer de mama”, conta.

A bibliotecária Vanda Lúcia é uma das profissionais da equipe (Foto: Leonardo Sancho)

A coordenação também é responsável por ministrar treinamentos e acompanhamento individual de capacitação para as bases do portal de periódicos Capes.  A capacitação é oferecida no início do ano letivo a alunos recém-chegados – em fevereiro, para estudantes de graduação de Filosofia e Teologia; em março, para mestrandos e doutorandos.

A Jornada de Integração é um dos eventos que a Faje promove sempre no início dos anos letivos (Foto: Marcelo Oliveira Santos)

Atividades como essa, de acordo com Vanda, contribuem para integrar os estudantes, que são oriundos de diversos estados brasileiros e países de vários continentes. “Também é possível capacitá-los para acessar bases de dados disponibilizadas para as melhores universidades do Brasil, o que lhes poupa tempo e os deixa nas mesmas condições de seus pares que estudam em outros países”, afirma.

Atualmente, a FAJE trabalha na preparação do X Colóquio Vaziano, marcado para maio, cuja programação prevê uma visita dos participantes ao Memorial do Padre Vaz, abrigado no espaço da biblioteca.

Serviço
Biblioteca Padre Vaz | Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE)
Bibliotecária: Vanda Lúcia Abreu Bettio (CRB-6/1685)
Endereço: Av. Dr. Cristiano Guimarães, 2127 – Bairro Planalto – CEP: 31720-300 – Belo Horizonte/MG
Telefone: (31) 3194-2400
Site: http://www.faculdadejesuita.edu.br/

Bibliotecas modelo

O Conselho Regional de Biblioteconomia 6ª Região (CRB-6) tem divulgado o trabalho realizado por diversas bibliotecas nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo. Essas instituições se destacam por seus projetos de inclusão social e incentivo à leitura. Confira aqui as bibliotecas que já foram destaque nas redes do Conselho.

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Evento no Ministério da Cultura celebra Dia do Bibliotecário

Inclusão social foi destaque em comemoração no auditório do Edifício Sede (Foto: Edson Leal/Ascom MinC)

Inclusão social foi destaque em comemoração no auditório do Edifício Sede (Foto: Edson Leal/Ascom MinC)

Ações do Ministério da Cultura (MinC) para a área de livro, leitura e acessibilidade foram destacadas pelo ministro Roberto Freire e pelo diretor do Departamento de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas (DLLLB), Cristian Brayner, durante evento promovido na tarde de quarta-feira (15) em comemoração ao Dia do Bibliotecário, no Edifício Sede, em Brasília.

Os participantes assistiram a um vídeo gravado com o ministro, no qual foram enfatizadas as principais políticas de sua gestão voltadas ao fortalecimento das bibliotecas, sobretudo do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP). “É fundamental reforçar o papel que as bibliotecas desempenham na redução do analfabetismo, na inclusão social, no desenvolvimento da pesquisa”, destacou.

De acordo com Freire, o MinC está trabalhando para assegurar a reabertura da Biblioteca Demonstrativa Maria da Conceição Moreira Salles, em Brasília, fechada há quase três anos por motivos de segurança predial. “O projeto arquitetônico de modernização já está pronto e garantirá o funcionamento da biblioteca não por dois ou três anos, mas pelos próximos trinta anos”, afirmou.

Cristian Brayner, por sua vez, disse que a tentativa de responsabilizar a máquina pública pelo não funcionamento das bibliotecas é um ato de desonestidade intelectual: “O senso comum tende a culpar o Estado por todas as mazelas. Acredito que esse discurso é feito por pessoas que desconhecem o que o MinC tem feito em prol das bibliotecas e da leitura.”

Propostas

Entre as propostas do Ministério elencadas pelo diretor do DLLLB está a regionalização de feiras literárias, que será iniciada pela Região do Cariri, no Ceará, onde será desenvolvido um festival. “O MinC irá investir em pequenas feiras de livros que permitirão às crianças e aos jovens de milhares de municípios brasileiros o acesso ao mundo mágico dos livros e dos escritores”, ressaltou.

Brayner anunciou, também, a criação de um grupo de trabalho que deverá propor a revisão da Lei do Depósito Legal – que determina o envio obrigatório de no mínimo um exemplar de todas as publicações produzidas em território nacional para a Biblioteca Nacional.

Durante o evento, realizado em parceria com a Oscip Mais Diferença, o Conselho Federal de Biblioteconomia e a Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, foi lançado ainda o manual Fortalecimento de Bibliotecas Acessíveis e Inclusivas. Destinado a bibliotecários, o material apresenta uma série de boas práticas de inclusão e acessibilidade a serem adotadas pelas instituições.

Medalha Rubens Borba de Moraes

Além do lançamento do manual, a tarde de comemorações incluiu também a outorga da Medalha Rubens Borba de Moraes, entregue pelo Conselho Regional de Biblioteconomia – 1ª Região (DF, GO, MT e MS) ao professor Emir José Suaiden, da Universidade de Brasília (UnB). Para Emir, que também é pesquisador do CNPQ e da Capes, a homenagem teve um significado muito especial. “O professor Rubens Borba é o patrono da Biblioteconomia e um dos homens mais cultos do País. Tive a honra de ser aluno dele. Ser agraciado com uma medalha que leva seu nome, por uma escolha feita pelos profissionais da minha área, é motivo de muita satisfação”, declarou.

O professor Emir Suiden, que vem se dedicando à pesquisa de temas como acessibilidade e inclusão digital, elogiou a iniciativa do Ministério da Cultura e da Mais Diferenças em elaborar um material que aborde a questão com foco voltado exclusivamente para bibliotecários. “O manual, assim como os debates travados ao longo do evento, engrandecem as atividades desenvolvidas nas bibliotecas e, sobretudo, o trabalho dos profissionais de biblioteconomia”, concluiu.

Fonte: Ministério da Cultura

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Prefeitura de Vitória celebra Dia Internacional do Contador de Histórias

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CRB-6 comemora Dia do Bibliotecário em Vitória

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