Bibliotecas invisíveis

Bibliotecas e bibliotecários passaram a ter um novo papel dentro das instituições. Suas funções e responsabilidades foram ampliadas e surgiram novas competências

PRAXIS

Minha vida foi andar por este país organizando bibliotecas, ora nas escolas, ora nos Institutos de Ensino Superior (IES) para avaliações do MEC. No meio dos anos 90, o MEC implementou um programa da avaliação dessas IES para avaliar os serviços oferecidos, os programas de ensino e as condições gerais de funcionamento destas instituições, com o objetivo de manter a qualidade da educação e da formação.

As bibliotecas passaram do papel de espaços protocolares a valer 40, dos 100 pontos distribuídos nas avaliações. Não se cogitava em perder um ponto sequer no quesito biblioteca.

As avaliações tinham três eixos:

• Avaliação para abertura de cursos;
• Avaliação para reconhecimento dos cursos;
• Avaliação das IES como um todo.

Dentro desta perspectiva, as bibliotecas e bibliotecários passaram a ter um novo papel dentro das instituições. Suas funções e responsabilidades foram ampliadas e surgiram novas competências, que começaram ser cobradas:

• O bibliotecário começou a participar dos planos pedagógicos dos cursos, dos planos institucionais das IES e da elaboração de layouts mais funcionais;
• As aquisições, em geral, triplicaram e os bibliotecários foram inseridos nos processos de seleção, doações e negociações;
• Houve uma grande demanda dos serviços de automação, organização, recuperação e disseminação rápida e de qualidade da informação;
• A gestão de pessoas e conflitos se ampliou.

Neste momento efervescente, muitos profissionais bibliotecários perceberam um nicho de mercado vasto e profícuo e houve uma grande mudança no perfil dos bibliotecários e do olhar da instituição sobre este novo especialista.

Desse mesmo movimento, as Secretarias de Educação começaram a se interessar pelas bibliotecas escolares. Acervo, organização, serviços pedagógicos e inserção do bibliotecário nas reuniões de área e nas reuniões de elaboração dos projetos pedagógicos anuais das escolas. De portas trancadas e horários restritos a conceitos de bibliotecas escolares abertas e disponíveis para os professores, estudantes e comunidade.

Da invisibilidade ao holofote, vamos nós ganhando espaço e contribuindo para o grande objetivo de tornar esses espaços cada vez mais significativos e importantes social e culturalmente.

Izabela Capovilla

Conteúdo de responsabilidade da empresa Praxis

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