Ergonomia no trabalho bibliotecário

A história relata que a biblioteca mais antiga da humanidade, foi erguida em Nínive, a cidade mais importante da Assíria (atual Iraque), pelo rei Assurbanipal II, por volta do século VII a.C, nela foram armazenadas milhares de tabuletas escritas com caracteres cuneiformes, a mais antiga forma de escrita que se conhece. É fato que, desde então, a biblioteca passou por transformações e seu conceito foi sendo modificado de acordo com a evolução das civilizações. Todavia, a essência para a qual foi mantida permanece fiel até os dias de hoje – ‘depositária do saber’.

No atual contexto, conceituar biblioteca não é tarefa das mais fáceis. A evolução da biblioteca, em grande parte, se deve ao desenvolvimento tecnológico, as novas formas de registro da informação alteraram significativamente o tratamento técnico e disseminação da informação, neste ambiente mutável em que a biblioteca precisa se adequar as novas tecnologias existentes, a estrutura física do ambiente de trabalho tem ficado em segundo plano, em especial a ergonomia dos colaboradores e usuários.

A tecnologia exige dos profissionais mudanças diversas que tangem a forma de pensar e agir no ambiente da biblioteca, sempre objetivando a aquisição de novos conhecimentos. O bibliotecário há anos trabalha na organização e disponibilização do conhecimento. Infelizmente, o que se observa em muitas instituições é que muitos profissionais continuam executando suas atividades em condições semelhantes à de outrora, ou seja, a estrutura do ambiente de trabalho não evoluiu com a profissão. Embora, este seja um assunto atual e impactante sobre o desempenho das funções, pouca é a atenção destinada à ergonomia na biblioteca.

A ergonomia se ajusta a qualquer etapa da vida, a qualquer profissão e em todos os ambientes onde exista interação entre seres humanos e máquinas, pode-se dizer que é tão antiga quanto a humanidade. O homem sempre esteve preocupado em desenvolver utensílios de trabalho de acordo com as suas necessidades, mesmo durante o sistema de produção artesanal, houve a preocupação de adequação do ambiente de trabalho ao homem.

Poucos são os bibliotecários que se atentam para as condições ergonômicas em seu ambiente de trabalho, muitos executam as atividades em condições desprovidas de cuidado ergonômico, o que agrava ainda mais a situação. Isso ocorre porque nem sempre os equipamentos destinados às bibliotecas são projetados para amenizar os impactos negativos sobre a saúde dos bibliotecários, colaboradores e usuários.

O perfil multifuncional do bibliotecário permite que ele participe da equipe, caso exista, multidisciplinar responsável pela ergonomia na instituição onde atua. Algumas soluções ergonômicas não necessitam de investimento, basta aplicar os conhecimentos sobre o tema, que a solução poderá ser rapidamente encontrada e implantada – muitas vezes a solução está a vista de todos, mas a desinformação e a falta de interesse leva ao desconforto e ao desgaste físico, com sintomas como: fadiga, cansaço, dores no corpo, formigamento entre outros. O profissional bibliotecário deve estar sempre atento ao ambiente organizacional onde atua, procurando sempre identificar os riscos e oportunidades a sua volta.

A ergonomia converge para diversas reflexões tornando-se um importante instrumento para gestão de pessoas, implantação de projetos e melhorias na produtividade, trata-se de uma valiosa ferramenta na dimensão do trabalho bibliotecário.

Fonte: Vértice Books | Cátia Cristina Souza

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