Morte trágica de ídolos cria mercado para livros que trazem pouca novidade

Astros da música e do cinema com histórias trágicas costumam gerar boas biografias. Quando escritas por jornalistas ou pesquisadores que pretendem ir além da tragédia, enfocando também a obra do biografado, tornam-se leitura prazerosa e obrigatória para os fãs. Há nesse universo, no entanto, um subgênero que vem crescendo a olhos vistos: as biografias unilaterais, que trazem o olhar de alguém próximo ao personagem em questão. Dois lançamentos que chegaram recentemente às livrarias brasileiras se encaixam nesse perfil.

AMY, MINHA FILHA De Mitch Winehouse Editora Record, 348 páginas

AMY, MINHA FILHA De Mitch Winehouse Editora Record, 348 páginas

O primeiro trouxe muito barulho: Amy, minha filha (Record, 348 páginas), de Mitch Winehouse, lançado um ano depois da morte da cantora mais celebrada na última década. O outro é Meu amigo Michael (Sextante, 314 páginas), de Frank Cascio, ex-faz-tudo de Michael Jackson. Ainda que ambos tenham muitos pontos em comum, sua razão de ser é bem diferente.

Quem acompanhou a fugaz carreira de Amy sabe que Mitch Winehouse foi um pai presente. Com esse livro, cuja renda é destinada à fundação que leva o nome da filha, ele pretende dar um ponto final às especulações em torno dela. Ainda que abranja a trajetória da cantora de seu nascimento à morte, aos 27 anos, a ênfase está na relação de Amy com as drogas. Sem rodeios, o autor culpa o ex-marido dela, Blake Fielder-Civil, pelo drama da filha.

Não havia escapatória para Amy, com seu entra e sai de clínicas de reabilitação e a dificuldade em ouvir os outros. A maior parte disso veio a público. Para os fãs, mais interessante é a primeira parte, em que Mitch relata a história da artista desde a primeira infância (sim, ela sempre foi rebelde, nunca deu ouvido para os outros), sua relação com os amigos e a família. Doído, o relato se justifica também por causa da pouca bibliografia em torno da figura de Amy. Como um livro quase instantâneo, com escrita rasteira e emotiva, ele nada exige do leitor.

Nesse sentido, Meu amigo Michael é ainda mais fraco, com sua narrativa em tom de redação escolar. Vamos e venhamos, a trajetória de Michael Jackson ganhou vários registros mais respeitados. Frank Cascio conheceu Jacko quando tinha 4 anos – o pai trabalhava no hotel nova-iorquino em que o astro costumava se hospedar.

Nevermind
Assim como os parentes, o autor passou a conviver com o cantor. Sua família, de origem italiana, frequentava com bastante constância Neverland, a mansão de Michael. Os irmãos Cascio, ainda crianças, viajavam com o astro. Sim, dividiam a cama com ele. Mas Frank nega que tenha ocorrido algo além do normal.

O fantasma do molestador sexual, grande drama na vida de Jacko, permeia quase toda a narrativa, mas Frank rebate todos os rumores a respeito. “Quero deixar isto bem claro, registrado no papel, para que todos possam ler e entender: o amor de Michael pelas crianças era inocente e gravemente mal interpretado”, escreveu.

Cascio afirma que Jackson gostava de mulheres. Conta, inclusive, sobre algumas relações fugazes dele com fãs, mas revela que o astro era totalmente inibido.

O autor de Meu amigo Michael escreve com certa propriedade, porque depois da convivência direta na infância e adolescência com o astro, aos 18 anos passou a trabalhar para ele. Começou como assistente pessoal e chegou a ser empresário.

O tom infantilizado de sua escrita vai ao encontro da maneira como Jackson vivia. Relata ainda, num crescendo, o problema do consumo excessivo de remédios que acabou matando o cantor.

Nos últimos anos afastado do astro (devido a um mal-entendido, de acordo com o autor, em torno de nova acusação de assédio), mas ainda presente, Cascio reatou os laços com Michael, mesmo que de um jeito torto.

Parente é serpente
Ex-dançarino, assistente pessoal e diretor artístico de Madonna, Christopher Ciccone, três anos mais novo que a estrela, publicou A vida com minha irmã Madonna, em 2008. Na época, eles estavam rompidos (a culpa teria sido do casamento dela com Guy Ritchie). O mano diz esperar que “as lições da cabala a tenham ajudado a entender que ela não é o centro do universo.”

Em 2009, foi a vez de Lynne Spears cometer um livro. Britney Spears: a história por trás do sucesso traz a trajetória da problemática cantora por meio do relato da própria mãe. Só que a primeira parte da biografia conta, na verdade, a história de Lynne, seus problemas com parentes e com o casamento. Como se alguém estivesse interessado…

Fonte: Livros e Pessoas

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