Dia Internacional da Mulher: conheça a história de uma bibliotecária que é mãe, mulher e profissional de sucesso

Março é um mês de comemorações e homenagens às mulheres de todo o mundo. A ocasião do Dia internacional da Mulher, em 8 de março, também é uma data para que a visibilidade das causas femininas seja promovida, garantindo, assim, uma sociedade cada vez mais aberta e inclusiva.

Nesse sentido, a área da Biblioteconomia tem muito do que se orgulhar. É o caso da nomeação, em fevereiro, da Dra. Carla Hayden, pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para assumir a presidência da maior biblioteca do mundo, a Library of Congress. Segundo uma mensagem do próprio presidente após a nomeação, Hayden será a primeira mulher a assumir a função, que também, antes da bibliotecária, nunca havia sido conduzida por um negro, “o que demonstra um atraso de muito tempo”, afirmou Obama.

Mas não é preciso que se vá tão longe para encontrar exemplos de bibliotecárias de sucesso. Em Belo Horizonte, por exemplo, há uma profissional que se destaca por sua força e empenho no trato com a profissão, além de demonstrar a mesma garra na vida pessoal e social. Janaína de Paula (CRB-6/1870), responsável pela biblioteca do Colégio Padre Eustáquio, na capital mineira, conta como se tornou bibliotecária, seus principais objetivos pessoais e um pouco da sua rotina profissional na instituição. Confira abaixo!

A história da bibliotecária começa de forma profundamente marcada pela determinação de uma mulher, que foi decisiva para sua formação. Vinda de uma família de lavradores de Martinho Campos, município do interior de Minas Gerais, Janaína foi incentivada por sua mãe, desde cedo, a estudar. “Ela enxergava o aprendizado como única possibilidade de crescimento pessoal e fazia questão que seus dez filhos se dedicassem à escola, mesmo com as condições difíceis pelas quais passávamos”. Com uma inspiração como essa, vinda de dentro de casa, Janaína, ao chegar ao ensino médio, conseguiu uma bolsa de estudos no Colégio Padre Eustáquio, instituição em que trabalha atualmente. Na época, era comum que as escolas concedessem bolsas aos alunos em troca de algum trabalho em um turno alternado com as aulas. Foi assim que a estudante conheceu a Biblioteconomia, ao ingressar como assistente de biblioteca na instituição.

Após esse período de iniciação, Janaína decidiu pelo seu curso e ingressou na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde fez estágio no Laboratório de Preservação de Acervo (LPA), da então Escola de Biblioteconomia. A bibliotecária chegou a voltar para o Colégio Padre Eustáquio, já como estudante da área, onde também atuou no cargo de assistente da instituição.

Após essa breve passagem, Janaína ainda foi bibliotecária do Colégio Arnaldo, além de desenvolver outros trabalhos. Em 2009, porém, a instituição que a ajudou a escolher sua profissão precisou de uma nova bibliotecária, cargo que Janaína assumiu com muita felicidade. “Aqui há um compromisso com os valores cristãos e um respeito enorme pela diversidade. Além disso, temos a possibilidade de atender desde crianças de 2 anos a idosos de 70, por meio do programa de Ensino a Jovens e Adultos (EJA)”, conta.

A bibliotecária Janaína e sua filha, Ana Júlia de Paula Dias, na biblioteca do Colégio Padre Eustáquio (Foto: Arquivo pessoal)

A bibliotecária Janaína e sua filha, Ana Júlia de Paula Dias, na biblioteca do Colégio Padre Eustáquio (Foto: Arquivo pessoal)

Além da trajetória profissional, Janaína conta também sobre sua principal função: ser mãe. Sua filha, hoje com 11 anos, já é uma leitora assídua, devido à influência que tem em casa. Ana Júlia de Paula Dias atualmente estuda no mesmo colégio em que a bibliotecária atua. Para que ela entenda a importância da dedicação e do esforço em suas atividades, sua mãe diz que tenta, ao máximo, compartilhar com ela as dificuldades pelas quais passou em sua vida. “Antigamente, eu via minha mãe trabalhando muito, com atividades braçais. Hoje, minha filha tem contato com minhas atividades de maneira diferente, mas com a mesma fibra. Isso é importante para que as crianças entendam o valor do trabalho”.

Em seu ambiente de trabalho, Janaína atua em conjunto com outras quatro mulheres, que a auxiliam na biblioteca. Uma das características principais de sua equipe é a competitividade. “As mulheres são muito competitivas. E isso é ótimo porque motiva o grupo a crescer e a planejar novas atividades”. Além disso, outra peculiaridade feminina a ser destacada é a sensibilidade que as mulheres da equipe têm no trato com os alunos. “Aqui existe, também, uma preocupação para o momento em que cada estudante está vivendo. Dessa forma, nós conseguimos construir uma relação de confiança, que ultrapassa o objetivo de encontrar apenas um livro ou promover uma atividade. Essa relação é fundamental no processo de aprendizagem”, afirma. A bibliotecária reitera que o trabalho desenvolvido no local é de suma importância para a sociedade, que tem confiança nos educadores em geral. Ela diz que trabalha com informação para pessoas em formação. Por isso, há de se ter a consciência do tamanho da responsabilidade que é participar da educação de alguém. “Nós temos um lema que é ‘formando para a vida plena’. É interessante porque a nossa preocupação aqui é exatamente essa: nos preocupamos em formar seres humanos completos”.

Sobre como deve ser uma biblioteca ideal, Janaína considera que o essencial é que seja um local com uma presença vibrante, outra virtude que considera bem feminina. “Temos de fazer com que as bibliotecas sejam espaços dinâmicos e prazerosos, em que os alunos possam ter acesso a novos conhecimentos práticos e artísticos. Aqui há, em média, 32 mil empréstimos por ano. Nós temos de lutar para que esse seja um padrão nacional”, conta.

Quando perguntada se gostaria de acrescentar alguma mensagem à data, Janaína reafirmou os valores que também fazem parte da escola. Para a bibliotecária, é importante que as pessoas estejam cada vez mais solícitas em relação a seus semelhantes, para que possamos crescer enquanto sociedade unida e abrangente.

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