Primeiras edições e obras raras são fixação para bibliófilos

“Vós, que não só amais os livros, senão que padeceis a mania deles…” Como disse Brás Cubas, personagem de Machado de Assis, só quem padece de uma fixação por livros sabe a importância de uma obra rara ou de um volume único. Para um bibliófilo, a função desses objetos pode ir além do prazer da leitura. Por isso, muitas vezes, possuir uma edição recente não é o bastante.

 João Medina é um bibliófilo mineiro (Foto: João Medina)

João Medina é um bibliófilo mineiro (Foto: João Medina)

Em Belo Horizonte (MG), há um bibliófilo que percorre os sebos da cidade em busca de obras raras e edições antigas. João Medina se formou em filosofia e fez mestrado em História Medieval na Espanha. O colecionador teve seus primeiros contatos com a literatura durante a infância. ”Comprei o primeiro livro em uma banca de jornal, enquanto acompanhava minha mãe às compras”. No colégio, João foi influenciado por um professor de literatura, que transmitiu aos alunos muito da paixão que tinha pelos livros. Além disso, em sua vizinhança morava uma artista plástica que o ensinou a admirar alguns autores clássicos brasileiros, como Clarice Lispector e Guimarães Rosa.

Um tomo de uma edição de 1952 de Dom Quixote, em português, da editora José Olympio (Foto: João Medina)

Um tomo de uma edição de 1952 de Dom Quixote, em português, da editora José Olympio (Foto: João Medina)

Hoje, com um acervo de aproximadamente 2 mil livros, ele conta que de seu escritor preferido comprou há pouco tempo uma coleção completa, editada em 1957. “Aquele professor de literatura foi quem me passou a paixão por Machado de Assis e me ensinou a enxergar o ‘bruxo’ do Cosme Velho como o maior escritor brasileiro.”

Um tratado de filosofia de São Tomás de Aquino, de 1670, também faz parte das obras de José (Foto: José Medina)

Um tratado de filosofia de São Tomás de Aquino, de 1670, também faz parte das obras de José (Foto: João Medina)

Para acomodar todo esse acervo, o colecionador conta que, durante uma reforma em sua casa, mandou construir um espaço ideal para os livros. “Hoje há um quarto em minha casa só para meus exemplares, que também foi planejado para ser ideal para a leitura.”

Edição sem data do Banquete, de Platão (Foto: José Medina)

Edição sem data do Banquete, de Platão (Foto: João Medina)

Maior bibliófilo brasileiro

O maior bibliófilo do Brasil foi José Mindlin. O colecionador acumulou durante sua vida um acervo de mais de 40 mil volumes. Ocupante da cadeira 29 da Academia Brasileira de Letras, Mindlin doou todas as suas obras de escritores brasileiros à Universidade de São Paulo (USP), em 2006.

José Mindlin, em sua Biblioteca de quase 40 mil títulos (Foto: Lucia Mindlin Loeb/Divulgação)

José Mindlin, em sua Biblioteca de quase 40 mil títulos (Foto: Lucia Mindlin Loeb/Divulgação)

 

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